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Uma outra Carlota

Evento realizado na Biblioteca Nacional apresenta novo perfil de Carlota Joaquina, fruto de recentes pesquisas desenvolvidas no âmbito das universidades brasileiras.

Niterói, 19 de setembro de 2013.

À esquerda, a Prof.ª Dr.ª Francisca Azevedo (UFRJ). À direita, o Prof. Dr. Fábio Ferreira (UFF). Ao centro, Marcello Scarrone, mediador do debate.

À esquerda, a Prof.ª Dr.ª Francisca Azevedo (UFRJ). À direita, o Prof. Dr. Fábio Ferreira (UFF). Ao centro, Marcello Scarrone, mediador do debate.

A Biblioteca Nacional teve como convidados, na última terça-feira (17) , para o ciclo de debates “Biblioteca Fazendo História”, os historiadores Francisca Azevedo (UFRJ) e Fábio Ferreira (UFF). O evento ocorreu no auditório Machado de Assis e teve como tema “Carlota Joaquina e as conspirações na corte”. O debate, mediado por Marcello Scarrone, durou quase duas horas e foi transmitido, ao vivo, através do Instituto Embratel.

Na ocasião, a Prof.ª Dr.ª Francisca Azevedo mostrou ao público o porquê do tratamento caricaturarizado de Carlota Joaquina. A historiadora apontou que este perfil deve-se, basicamente, a dois fatores. O primeiro, a questões de gênero, pois os contemporâneos da princesa do Brasil e da Rainha de Portugal realizaram relatos depreciativos pelo fato da personagem não enquadrar-se no papel que esperava-se de uma mulher da época. Carlota intervinha em situações e arranjos políticos reservados aos homens. Era decidida e afrontava-os. “Um dos relatos é o de madame Junot, extremamente preconceituoso em relação às sociedades ibéricas e, assim, ela foi implacável com Dona Carlota. Ela queria que Carlota fosse tal qual uma aristocrata francesa” contou Francisca Azevedo aos participantes do debate e complementou “Oliveira Lima, um dos maiores escritores sobre o período joanino, absorveu as ideias de madame Junot para reconstituir a imagem de Carlota Joaquina.”

No evento, Francisca Azevedo analisou o cartaz do filme “Carlota Joaquina, Princesa do Brasil” (Brasil, 1995), de Carla Camurati. Segundo a historiadora, a imagem reflete o imaginário popular sobre a personagem: luxuria e arrogância.

No evento, Francisca Azevedo analisou o cartaz do filme “Carlota Joaquina, Princesa do Brasil” (Brasil, 1995), de Carla Camurati. Segundo a historiadora, a imagem reflete o imaginário popular sobre a personagem: luxuria e arrogância.

Outra razão mencionada por Francisca Azevedo foi a historiografia liberal e a republicana. Inicialmente, Carlota Joaquina tinha a simpatia dos liberais de Portugal, pois sempre desejou abandonar o Brasil e retornar à península ibérica. No entanto, uma vez de volta à Europa, frente ao controle que os liberais tinham de Portugal, a Rainha consorte indispôs-se com este grupo político. Rejeitou assinar a carta constitucional, bem como, posteriormente, apoiou as pretensões absolutistas de D. Miguel. Além de não emoldurar-se no papel social dado às mulheres da época, Carlota Joaquina mostrava-se favorável ao absolutismo. Quando intelectuais liberais debruçaram-se para escrever suas versões da História de Portugal e do Brasil trataram Carlota Joaquina depreciativamente.

Em sua fala, o Prof. Dr. Fábio Ferreira apontou as pretensões de Carlota Joaquina de assumir a regência da Espanha, uma vez que seus familiares estavam aprisionados na França por Napoleão Bonaparte. Narrou que Carlota Joaquina articulou com importantes lideranças políticas da Península e das Américas, a mencionar o portenho Manuel Belgrano como um dos exemplos. Fabio Ferreira mostrou que frente aos benefícios que o Rio de Janeiro recebeu com a presença de D. João, cidades como a do México e Buenos Aires tentaram levar Carlota Joaquina para comandar o Império espanhol a partir dos seus respectivos territórios. O historiador mostrou o perfil de articuladora política da esposa de D. João, bem como dados empíricos que mostram que Carlota destoava das mulheres de então.

"A Espanha revogou a lei sálica (que impedia que mulheres chegassem ao tronol) em função de Carlota Joaquina, para que existisse a possibilidade dela vir a torna-se, futuramente, rainha espanhola. Mas, com o nascimento de seu irmão Fernando (1784), anulava-se, ao menos neste momento, a possibilidade de Carlota Joaquina governar a Espanha." disse o historiador Fábio Ferreira.

“A Espanha revogou a lei sálica (que impedia que mulheres chegassem ao trono) em função de Carlota Joaquina, para que existisse a possibilidade dela vir a torna-se, futuramente, rainha espanhola. Mas, com o nascimento de seu irmão Fernando (1784), anulava-se, ao menos neste momento, a possibilidade de Carlota governar a Espanha” disse o historiador Fábio Ferreira.

O pesquisador ainda levou ao público que, por diversos momentos, Carlota Joaquina quase alcançou o poder político. Primeiramente, pelos diversos abortos de sua mãe, que não dava descendência varonil à casa de Bourbon havia a expectativa de Carlota Joaquina ser, futuramente, a rainha da Espanha. Porém, quando Carlota tinha praticamente 10 anos, nasceu o primeiro varão dos Bourbon, o futuro Fernando VII, malogrando a possibilidade da então infanta espanhola de vir a chegar ao trono. Prosseguindo, o historiador Fábio Ferreira contou que, por pouco, na conspiração do Alfeite (1806), Carlota Joaquina não tornou-se regente de Portugal, no lugar de D. João. Também, por um triz, na ocasião do aprisionamento de sua família de origem, Carlota Joaquina não foi regente da Espanha. Por fim, por bem pouco, o projeto carlotista não vingou no Prata. Em tom de brincadeira, Fábio verbalizou que “Me dá a impressão que Carlota era azarada! Inúmeras vezes ela flerta com o poder político, quase o alcança, mas, por diversas circunstâncias, ela nunca o alcança.”

Uma questão levantada pelo público presente foi relativa à possibilidade de Carlota Joaquina ter tido vários amantes. “Se a D. Carlota teve ou não teve, não posso dizer! Pesquisei em arquivos do Brasil, da Argentina e da Espanha e não encontrei documentos que comprovem. Se ela tinha, ela fez tudo muito bem feito, de maneira que não deixasse provas!” disse Francisca Azevedo. Por outro lado, o historiador Fábio Ferreira expôs que “Praticamente ninguém se lembra que D. João chegou a ter uma filha com uma de suas amantes”.

Em tom de um leve bate-papo e em função de recentes pesquisas científicas desenvolvidas no âmbito das universidades brasileiras, o evento trouxe ao público uma Carlota Joaquina diferente da representada por séculos, seja por boa parte da historiografia em língua portuguesa, seja por parte de produções que alcançaram a TV e o cinema brasileiros, que acabaram por enveredar pela abordagem do personagem histórico pelo viés caricatural e depreciativo. Os historiadores Fábio Ferreira e Francisca Azevedo foram categóricos ao afirmar que a Carlota Joaquina que emerge das pesquisas acadêmicas é muito mais interessante e complexa do que a caricatura que é conhecida pela maioria da população.


Representações de Carlota Joaquina nas telas da TV e do cinema nos últimos 30 anos.

 

A Marquesa de Santos (Rede Manchete, 1984)
Personagem forte para uma grande atriz: Bibi Ferreira interpreta Carlota Joaquina na minissérie baseada no livro de Paulo Setúbal e adaptada por Carlos Heitor Cony e Wilson Aguiar Filho.

Personagem forte para uma grande atriz: Bibi Ferreira interpreta Carlota Joaquina na minissérie baseada no livro de Paulo Setúbal e adaptada por Carlos Heitor Cony e Wilson Aguiar Filho.

 

Dona Beija (Rede Manchete, 1986)
arlota Joaquina (Xuxa Lopes): austera e sensual na trama baseada no romance do mineiro Agripa Vasconcelos e adaptada para a TV por Wilson Aguiar Filho com direção de Herval Rossano e David Grinberg.

Carlota Joaquina (Xuxa Lopes): austera e sensual na trama baseada no romance do mineiro Agripa Vasconcelos e adaptada para a TV por Wilson Aguiar Filho com direção de Herval Rossano e David Grinberg.

Carlota Joaquina, princesa do Brasil (Brasil, 1995)
Na sátira cinematográfica de Carla Camurati é a vez de Marieta Severo interpretar Carlota Joaquina.

Na sátira cinematográfica de Carla Camurati é a vez de Marieta Severo interpretar Carlota Joaquina.

O Quinto dos Infernos (Rede Globo, 2002)
Carlota Joaquina volta às telas em mais uma comédia com tons caricaturais. Desta vez, Betty Lago é quem dá vida à princesa do Brasil. A minissérie foi escrita por escrita por Carlos Lombardi, Margareth Boury e Tiago Santiago, com direção geral de Wolf Maya.

Carlota Joaquina volta às telas em mais uma comédia com tons caricaturais. Desta vez, Betty Lago é quem dá vida à princesa do Brasil. A minissérie foi escrita por escrita por Carlos Lombardi, Margareth Boury e Tiago Santiago, com direção geral de Wolf Maya.

Para saber mais sobre Carlota Joaquina no acervo da Revista Tema Livre:

– Entrevista com a Prof.ª Dr.ª Francisca Azevedo

– Artigo do historiador Fábio Ferreira sobre Carlota Joaquina e o Prata:
“A Presença Luso-brasileira na Região do Rio da Prata: 1808-1822”

– Lançamento do livro “Carlota Joaquina na corte do Brasil”

– Exposição sobre os 200 anos da chegada da corte ao Brasil: “Um Novo Mundo, Um Novo Império: A Corte Portuguesa no Brasil”

– Veja fotos do Palácio de Queluz, onde Carlota Joaquina passou parte de sua vida em Portugal.

– Paço Imperial: matéria sobre o centro político do Império português no período joanino

História de luto: faleceu, na tarde de hoje, o historiador Ciro Flamarion Cardoso

 

Niterói, 29 de junho de 2013

ciro

Na tarde deste sábado, 29 de junho, faleceu, aos 70 anos, um dos maiores historiadores brasileiros, o Prof. Dr. Ciro Flamarion Cardoso, Titular de História Antiga e Medieval do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Ciro nasceu em Goiânia, em 1942. Graduou-se em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1965, e doutorou-se na mesma área na Université de Paris X, Nanterre, em 1971. Realizou seu Pós-Doutorado na New York University, em 1984.

Além disto, ao longo de sua trajetória, acumulou prêmios, publicou/organizou mais de 40 livros, formou doutores e foi professor da UFRJ, da PUC-Rio e de instituições na França e no México. À trajetória de Ciro agrega-se o desenvolvimento de pesquisas concernentes à Metodologia de Pesquisa Científica, à ocupação joanina da Guiana Francesa, à escravidão na América e ao Egito Antigo, tema ao qual dedicava-se nos últimos anos.

O velório de Ciro será no domingo, 30 de junho, das 10 às 14h na capela 1 do Parque da Colina, em Pendotiba, Niterói.

Perde-se Jacob Gorender

Niterói, 12 de junho de 2013

Gorender

Faleceu, nesta terça, 11 de junho, o historiador Jacob Gorender, em função de um quadro infeccioso que o levou, à internação, há um mês. O intelectual marxista, nascido em Salvador, em 1923, era filho de imigrantes judeus ucranianos e contribuiu com a historiografia brasileira com diversos trabalhos, dos quais se destacam “O Escravismo Colonial”, de 1978, “A burguesia brasileira”, de 1981 e o “Combate nas Trevas”, de 1987.

Na década de 1940, Gorender era universitário em Salvador, interrompendo seus estudos para lutar na Segunda Guerra Mundial, integrando as forças da FEB. Na década seguinte, mudou-se, primeiramente, para o Rio de Janeiro, onde atuou em jornais de esquerda e, depois, para São Paulo. Integrou o PCB e, em 1967, foi um dos fundadores do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR).

Durante o regime militar esteve preso e foi torturado e, nestas circunstâncias conheceu Dilma Rousseff. “Nós nos conhecemos presos no Dops, em São Paulo. Ele estava convalescente de torturas e foi conselheiro importante em um momento crucial na minha vida” declarou a presidente.

O velório do intelectual será realizado a partir das 8h no Cemitério Israelita do Butantã, onde ocorrerá, às 10h, o sepultamento.

Leia entrevista que o historiador concedeu ao Portal Imprensa em abril de 2006:
http://portalimprensa.uol.com.br/imagens_site/chamadas/20130611_jacobgorender.pdf

Leia a nota de pesar da presidente Dilma Rousseff:
http://www2.planalto.gov.br/imprensa/notas-oficiais/nota-de-pesar-da-presidenta-dilma-rousseff-pelo-falecimento-de-jacob-gorender

 

O juiz William Douglas torna-se membro da Academia Niteroiense de Letras

Niterói, 24 de abril de 2013

Tomou posse hoje, 24 de abril de 2013, na Academia Niteroiense de Letras, o Juiz Federal,

William Douglas: cadeira nº 40 da Academia Niteroiense de Letras

William Douglas: cadeira nº 40 da Academia Niteroiense de Letras

Professor Universitário e escritor, o Dr. WILLIAM DOUGLAS. O intelectual fluminense passou a ocupar a cadeira nº 40, que tem como patrono o advogado, jornalista e político paulista Alfredo Gustavo Pujol. O evento ocorreu no final da tarde no auditório nobre da OAB/Niterói.
Ex-aluno da UFF (Universidade Federal Fluminense), resumidamente, pode-se colocar que William Douglas foi o 1° colocado nos concursos para Juiz, Defensor Público e Delegado de Polícia/RJ, autor de diversos livros de sucesso e da tese “Manutenção do Valor Real do Benefício Previdenciário”.
Indicamos, ainda, o blog do Dr. William Douglas, onde é possível realizar download de material: http://www.blogwilliamdouglas.blogspot.com.br/
Abaixo, parte do discurso de William Douglas.
A Academia tem por fim, segundo os seus estatutos, a “cultura da língua nacional”, sendo composta por membros efetivos e perpétuos, conhecidos como “imortais”, À semelhança da Academia francesa, o cargo de “imortal” é vitalício, o que é expresso pelo lema “Ad immortalitem”, e a sucessão dá-se apenas pela morte do ocupante da cadeira. Como diz texto da ALCEAR Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas “a Academia pretende resguardar e manter o brilho das Letras, que jamais se poderá apagar; a verdade das Ciências, que identifica soluções para as indagações e angústias da Humanidade; e a beleza das Artes, eternizada desde o momento da Criação, quando Deus ordenou: Faça-se a Luz! É nessa tríade universal que a inteligência, a criatividade e o conhecimento do Homem se fazem imortais.”

Prof. Dr. Manolo Garcia Florentino é nomeado presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB)

Niterói, 27 de fevereiro de 2013

O historiador Manolo Florentino, novo presidente da FCRB.

O historiador Manolo Florentino, novo presidente da FCRB.

Manolo Garcia Florentino, docente e pesquisador do Instituto de História (IH) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Programa de Pós-Graduação em História Social (PPGHIS) desta instituição, teve publicada ontem, no “Diário Oficial da União”, sua nomeação para a presidência da FCRB. Manolo assume o cargo em substituição a Helio Portocarrero, que o ocupava interinamente, desde que o Prof. Dr. Wanderley Guilherme dos Santos, cientista político, pediu sua exoneração, no dia 30 do mês passado.

A partir de agora, Manolo dirige a Fundação ligada ao Ministério da Cultura. A FCRB é polo de referência nacional no campo da preservação da memória e da produção do conhecimento, além de ser lócus de reflexão e debate da cultura brasileira.

O novo presidente da FCRB é dono de um currículo notório. Dentre suas diversas realizações no campo da História, Manolo é autor de clássicos da historiografia brasileira, como, por exemplo, “Em Costas Negras: Uma História do Tráfico entre A África e o Rio de 

Casa de Rui Barbosa: casarão histórico situado no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro.

Casa de Rui Barbosa: casarão histórico situado no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro.

Janeiro, Séculos XVII e XIX”e “O Arcaismo Como Projeto”, sendo que, neste último, Manolo divide a autoria com o Prof. Dr. João Fragoso, também do IH/UFRJ. Em 2009, Manolo recebeu da Presidência da República (Ministério da Ciência e Tecnologia) a Comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico. À função de pesquisador, Manolo também acumula experiência administrativa, pois foi, de 2006 a 2010, coordenador do PPGHIS.

Aprovado projeto que regulamenta profissão de historiador

Brasília, 07 de novembro de 2012

Por Patrícia Oliveira

Joaquim Nabuco: dentre várias atividades intelectuais, o pernambucano exerceu a de historiador. No dia do seu nascimento, 19 de agosto, comemora-se o Dia do Historiador.

Joaquim Nabuco: dentre várias atividades intelectuais, o pernambucano exerceu a de historiador. No dia do seu nascimento, 19 de agosto, comemora-se o Dia do Historiador.

O Senado aprovou nesta quarta-feira (7) projeto que regulamenta a profissão de historiador. O PLS 368/09, do senador Paulo Paim (PT-RS), estabelece que o exercício é privativo dos diplomados em cursos de graduação, mestrado ou doutorado em História. Os historiadores poderão atuar como professores de História nos ensinos básico e superior; em planejamento, organização, implantação e direção de serviços de pesquisa histórica; e no assessoramento voltado à avaliação e seleção de documentos para fins de preservação.

Aprovado nas comissões de Assuntos Sociais (CAS); de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ); e de Educação, Cultura e Esporte (CE), o projeto recebeu emenda, em Plenário, do senador Alvaro Dias (PSDB-PR) que retirou do texto original a referência aos locais onde o trabalho do historiador poderia ser desempenhado.

Discussão Assim como Pedro Taques (PDT-MT), o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) votou contra o projeto. Ele considerou “um profundo equívoco” dar exclusividade em atividades de ensino e pesquisa, seja em graduação ou pós-graduação, apenas para quem tem formação em História. Na opinião do parlamentar, a situação cria “absurdos” como impedir que economistas, sociólogos, diplomatas ou outros profissionais qualificados ministrem a disciplina, havendo o risco de “engessar” o ensino da História.

“[A História] É a investigação sobre a evolução das sociedades humanas que tem que ser vista sob os mais diferentes prismas. História é política. História é vida. História é pluralismo. Não pode ser objeto de um carimbo profissional ” argumentou. Aloysio Nunes ainda condenou o que chamou de “reserva de mercado” dos profissionais com curso superior em História e a formação de uma “República Corporativa do Brasil”, onde cada profissão exige “seu nicho de atividade exclusiva em prejuízo da universalidade do conhecimento”.

Capacitação Já a senadora Ana Amélia (PP-RS) defendeu o projeto ao ler relatório do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), aprovado na CCJ, em que este declara que “a omissão do legislador pode permitir que pessoas inabilitadas no exercício profissional coloque em risco valores, objetos ou pessoas.”

O texto ressalta ainda a relevância do papel do historiador na sociedade, com “impactos culturais e educativos” capazes de ensejar “a presença de normas regulamentadoras” da profissão. E conclui que não pode permitir que o campo de atividade desses profissionais seja ocupado por pessoas de outras áreas, muitas delas regulamentadas, mas sem a capacitação necessária para exercer o trabalho.

A matéria segue agora para votação na Câmara dos Deputados.

Fonte: Agência Senado

Extraído de: http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2012/11/07/aprovado-projeto-que-regulamenta-profissao-de-historiador

Historiadora vira nome de rua no Rio de Janeiro

Niterói, 14 de julho de 2011

Eulália Maria Lahmeyer Lobo (Rio de Janeiro, 1924 - Rio de Janeiro, 31 de maio de 2011): primeira mulher a doutorar-se em História no país foi professora da UFF e da UFRJ.

Eulália Maria Lahmeyer Lobo (Rio de Janeiro, 1924 – Rio de Janeiro, 31 de maio de 2011).

Por decreto da prefeitura do Rio de Janeiro, sancionado no último dia 11, a historiadora Eulália Lahmeyer Lobo tornou-se nome de rua na cidade maravilhosa. A homenagem à historiadora carioca, que faleceu no último dia 01 de junho no Rio, recaiu na antiga Rua 63 no bairro de Pedra de Guaratiba, na Zona Oeste.

Pioneirismo e perseguição política

Eulália Lahmeyer Lobo foi a primeira mulher a defender uma Tese de Doutorado em História do Brasil. Além disto, no período do regime militar, a historiadora foi aposentada compulsoriamente, sendo, assim, desligada do IFCS [à época, unidade da UFRJ referente aos cursos de História, Filosofia e Ciências Sociais] e até mesmo presa por um curto período.

Com a Anistia, Eulália Lahmeyer Lobo foi trabalhar na UFF, alcançando, posteriormente, nesta instituição e na UFRJ, a condição de professora emérita.

Niterói, 23 de abril de 2011

Hoje, 23 de abril, “Dia Mundial do Livro”, a Revista Tema Livre completa 9 anos no ar.
Da Redação

Ao longo desta jornada, a Revista Tema Livre publicou artigos de historiadores e realizou entrevistas com vários dos consagrados profissionais brasileiros e estrangeiros; realizou matérias e entrevistas no Brasil e no exterior; noticiou em primeira mão acontecimentos relacionados à regulamentação da profissão do historiador; contribuiu para a divulgação da História, bem como para a difusão cultural e artística. Assim, Tema Livre completa 9 dos seus muitos anos que tem pela frente.
Revista Tema Livre – publico qualificado, qualidade em primeiro lugar.
www.revistatemalivre.com
Niterói, 28 de março de 2011

Profissão Historiador: A caminho da regulamentação

Da Redação

Após terem o seu dia estabelecido no ano passado – 19 de agosto -, conforme noticiado pela Revista Tema Livre, hoje, 2 de março, os historiadores obtiveram importante vitória: A CCJ (Comissão de Constituição Justiça e Cidadania) aprovou o projeto de regulamentação da profissão, de autoria do senador Paulo Paim, do PT gaúcho.

Entretanto, a aprovação de hoje não significa que a profissão já esteja regulamentada. Ainda falta passar por duas comissões, em que ocorrerão novas votações: a Comissão de Educação (CE) e, depois, a de Assuntos Sociais (CAS). Depois, o projeto irá para a Câmara.

É esperar para ver, inclusive se tal aprovação virá ou não a ocorrer neste ano. Quem sabe a boa notícia não virá durante as comemorações dos 50 anos da Associação de Historiadores. Provavelmente, melhor presente não haveria para a classe!

Bachelet, que governou o Chile de 2006 a 2010
Dilma
Após este breve apanhado, retoma-se o personagem principal da matéria, a presidente eleita Dilma Vana Rousseff. Sobre Dilma, ela nasceu em uma família de classe média alta de Belo Horizonte, em 14 de dezembro de 1947, e é filha de um imigrante búlgaro naturalizado brasileiro, Pedro Rousseff (Pétar Russév), que, na Europa, fora membro do Partido Comunista da Bulgária, e de Dilma Jane Silva, professora de Nova Friburgo.

Dilma, com os pais e irmão, na infância
Na juventude, paralelamente ao regime militar brasileiro, Dilma vinculou-se à organizações clandestinas de esquerda e ingressou no COLINA, sigla para Comando de Libertação Nacional, que visava implementar no país, através das armas, um regime de inspiração soviética. A partir de 1968, Dilma passou a viver na ilegalidade, usando vários nomes falsos.

Devido à perseguição do regime na capital mineira, a liderança da organização enviou, em 1969, Dilma, então estudante de economia da UFGM, e seu marido, Claudio Galeano de Magalhães Linhares, com quem casara-se em 1967, para o Rio de Janeiro. Posteriormente, seu cônjuge foi enviado para Porto Alegre, separando-se, assim, o casal.

Dilma na juventude
Dilma permaneceu no Rio, onde conheceu o advogado gaúcho Carlos Franklin Paixão de Araújo, chefe de dissidência do Partido Comunista Brasileiro. Os dois acabaram por unirem-se maritalmente e, em 1976, o casal veio a ter a única filha da presidente eleita, Paula.

Em 1970, na cidade de São Paulo, Dilma foi presa e torturada pelas forças de repressão do regime militar, e, em seguida, Araújo, um dos líderes da VAR-Palmares, foi quem enfrentou o cárcere. Dilma foi condenada a seis anos de prisão, no entanto, o Superior Tribunal Militar (STM) reduziu sua pena para dois anos e um mês, sendo que Dilma já havia cumprido três.

Uma vez retornando à liberdade, dez quilos mais magra, com problema na tireóide, e expulsa da UFMG, por crime de subversão, Dilma foi morar na casa dos pais de Araújo, em Porto Alegre. Ela o reencontrou em 1974, quando ele saiu da prisão. Na capital gaúcha, Dilma prestou vestibular para economia na UFRGS e, ainda, sobre sua carreira acadêmica, ela chegou a cursar o mestrado e o doutorado em Economia na UNICAMP, no entanto, por suas atividades profissionais no campo governamental, não concluiu os respectivos trabalhos finais.

Dilma e Brizola: A presidente eleita ajudou a fundar o PDT gaúcho
Com o processo de redemocratização do país, Dilma e Araújo tiveram significativa atuação na fundação do PDT gaúcho, partido político do então ex-governador do Rio Grande do Sul e exilado político Leonel de Moura Brizola, que, nos anos seguintes, por dois mandatos, governa o Estado do Rio de Janeiro e candidata-se à presidência da República em 1989, obtendo 11.168.228 de votos.

Nas décadas de 1980 e 1990, Dilma trabalhou em diversos cargos da administração pública no Rio Grande do Sul e, em 2000, rompeu com Leonel Brizola. Neste mesmo ano, Dilma separou-se definitivamente de Araújo. Em 2001, Dilma ingressou no PT e, no ano seguinte, com a vitória de Lula à presidência da República, participou da equipe de transição do governo de FHC para o do então presidente eleito. Pelo seu destaque profissional, a técnica discreta, porém aplicada, vinda do PT gaúcho, acabou por ser escolhida ministra de Minas e Energia.

Em 2005, ainda no primeiro mandato de Lula, com o escândalo do “mensalão” e conseqüente queda do então chefe da Casa Civil, José Dirceu, o presidente decidiu apostar em Dilma Rousseff para ocupar o cargo do ministro.

Após especulações de mudanças na legislação eleitoral para que Lula pudesse se candidatar para um terceiro mandato, em 2007 o nome de Dilma começou a ser apontado pelo presidente como o de sua possível sucessora. A partir daí, pouco a pouco, com a ajuda de Lula, sua exposição pública cresceu. Habilmente, Lula a vinculou ao petróleo descoberto na área do pré-sal, que, por seu turno, colocou o Brasil entre os quatro maiores produtores mundiais de petróleo. Além disto, o presidente associou a figura de Dilma ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), dando-lhe o título de “mãe do PAC”, em cerimônia no Rio de Janeiro.

Lula e Dilma em plataforma da Petrobras
Após descobrir um câncer linfático em exames de rotina, em 2009, e submeter-se ao tratamento, que incluía sessões de quimioterapia, o meio político especulou sobre as reais possibilidades de Dilma vir a competir nas eleições do ano seguinte. No entanto, ela superou esta adversidade e tornou-se a candidata da chapa PT-PMDB à presidência da República em 2010.
Eleições 2010

2010: Ano de eleição presidencial no Brasil
Inicialmente, nas pesquisas de intenção de votos, Dilma não aparecia como a grande favorita. O líder era José Serra, do PSDB. Além disto, Dilma não foi a única mulher a concorrer ao cargo máximo da República: Havia a acreana Marina Silva, do PV, ex-ministra do Meio Ambiente de Lula, e ex-membro do PT.

Dilma, Serra e Marina
Com o decorrer da campanha, a então candidata Dilma, que pleiteava um cargo eletivo pela primeira vez em sua vida, crescia nas intenções de voto, havendo, inclusive, várias pesquisas que indicavam a possibilidade dela vencer o escrutínio no primeiro turno. Entretanto, não foi isto que ocorreu.

O resultado do 1º turno deu a Dilma 46,9% dos votos válidos, ou seja, 47,6 milhões. José Serra foi o segundo colocado, com 32,6%, ou seja, 33,1 milhões de votos. Por fim, Marina Silva obteve 19,33% dos votos, equivalendo a 19.636.359 votos.

Dilma e Serra: Candidatos se encontram no 2º turno
Atribui-se ao fato de Dilma não ter vencido no 1º turno a uma série de questões. A primeira fase do pleito foi envolto de polêmicas, como escândalos de corrupção nos Correios e na Casa Civil, quebras de sigilo de pessoas próximas ao candidato Serra, e multas para o PT e para o PSDB por desrespeito à legislação eleitoral, além do súbito crescimento de Marina Silva. Um outro fator a ser apontado é a questão do apoio da então candidata Dilma e do seu partido à liberação do aborto, apesar dela declarar-se católica.

Dilma no batismo de seu neto, fato ocorrido poucos dias antes da votação do 1º turno
A despeito da polêmica do aborto, já nos primeiros dias da segunda etapa do pleito, Dilma posicionou-se veementemente contra este ato, reafirmando suas declarações de que é católica e, pressionada por lideranças evangélicas e buscando votos deste segmento, assinou carta aberta contra a liberação do aborto. A polêmica chegou ao Vaticano, recebendo inclusive às atenções do papa Bento XVI, que chegou a redigir carta aos fiéis brasileiros para analisarem cuidadosamente o seu voto nas eleições presidenciais.

Dilma em igreja evangélica
Apesar de uma série de questões que poderiam tirar votos de Dilma, fatos como o apoio de Lula, que obtém mais de 80% de aprovação dos brasileiros nas pesquisas de opinião e o peso do PMDB, maior partido do país, que possuí figuras de grande peso político, como José Sarney, Renan Calheiros e o próprio vice da presidente eleita, Michel Temer, levaram Dilma a vencer, no dia 31 de outubro, as eleições de 2010.

Em função do sistema de voto eletrônico, que surgiu no Brasil ainda na década de 1990, às 20 horas e 04 minutos foi possível detectar que Dilma será a primeira mulher a governar a República. O resultado de sua vitória foi de 56,05% dos votos válidos, ou seja, 55.745.867 de pessoas. Serra teve 43,95%, ou seja, 43.707.472 votos. Por fim, os votos nulos corresponderam a 4,40%, ou 4.688.672, e os que se abstiveram do dever de votar foram 21,50% dos eleitores.

Militantes celebrando a vitória de Dilma
Mesmo vencendo as eleições, analisando o resultado estado por estado, vê-se o país dividido. Dilma venceu no Rio de Janeiro, no Distrito Federal, em Minas Gerais, em Tocantins, no Pará, no Amapá, no Amazonas e em todos os estados do Nordeste, que são nove no total. Dilma venceu em 16 das 27 unidades da federação. Serra venceu no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Rondônia, Acre e Roraima, logo, em 11 estados.

Dilma e o peemedebista Sérgio Cabral, reeleito governador do Rio de Janeiro.
No centro, a prefeita de São Gonçalo, município do Grande Rio, Aparecida Panisset, do PDT.

A Vitória: A Primeira Mulher na Presidência da República
Com a vitória de Dilma, o fato de ser a primeira mulher a ocupar a presidência no Brasil não é o único ineditismo que a cerca. Os outros são o de Dilma ser divorciada duas vezes, bem como o fato de ser ex-guerrilheira. Nunca o Brasil possuiu um presidente com este perfil. Observa-se que outro país ibero-americano que tem um ex-guerrilheiro a ocupar o posto máximo da República é o Uruguai, com José Mujica, que atuou no Tupamaros.

Não pode-se esquecer que, apesar da vitória de Dilma e do ineditismo de uma mulher chegar à presidência da República, o Brasil, se comparado, por exemplo, com a Argentina e com o Chile, ainda deixa a desejar no quesito participação feminina na política nacional. Os dois países hispânicos têm mais de 30% de mulheres nos seus respectivos congressos nacionais, sendo que o Brasil possuí menos de 10%, uma diferença extremamente significativa.

Além disto, no que toca os ineditismos que circundam Dilma, considerando que ela complete o seu mandato em 2015, o PT será o partido que governou o país por mais tempo depois da redemocratização, totalizando 12 anos, contra 8 do PSDB, referente aos dois mandatos de FHC.

Dilma foi eleita pela Forbes a 16ª pessoa mais influente do mundo
A Revista Forbes divulgou, em 3 de novembro de 2010, que Dilma é a 16ª pessoa mais influente do mundo, ultrapassando figuras como o presidente francês Nicolás Sarkozy, que está em 19°, e a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, em 20º. Na lista da Forbes, na frente de Dilma, pode-se apontar duas outras mulheres. A chanceler alemã Angela Merkel, que está em 6º, e Sonia Gandhi, presidente do Partido do Congresso da Índia, em 9º.

Dilma e Marcelo Crivella (PRB-RJ):
Engenheiro e bispo da Igreja Universal, o senador reeleito faz parte da base de apoio da presidente eleita
Outro fator a apontar-se é que Dilma contava, já no momento do resultado das eleições, com o apoio de 16 dos 27 governadores. A presidente eleita tem ampla maioria no Congresso Nacional: Dos 503 deputados, Dilma já é apoiada pelos 311 que tomarão posse em 1º de janeiro de 2011, sendo que este número pode chegar a 402, maior número desde a redemocratização do país. No Senado, das 81 cadeiras, ela possuí apoio que varia entre 52 e 60 senadores.

Dilma e Tarso Genro, também do PT, governador eleito do Rio Grande do Sul
Existem especulações de que o mandato de Dilma seria “tampão”, pois já que o presidente Lula não podia ser candidato pela terceira vez consecutiva em 2010, ele teria a colocado visando retornar nas eleições de 2014. Recentemente, na Argentina, o presidente Lula afirmou que atuará politicamente por toda a América Latina.

Dilma promete erradicar a miséria em seu futuro governo. No entanto, além da miséria, outros desafios seguem para a presidente eleita, como os da área de educação, saúde, infra-estrutura e segurança, bem como o enfrentamento à corrupção nos diversos níveis da sociedade brasileira.

Lula e Dilma: Presidente termina o mandato com mais de 80% de aprovação, além de ter feito sucessora
Vídeos

Primeiro Programa Eleitoral de Dilma Rousseff
Programa Eleitoral de José Serra
Programa Eleitoral de Marina Silva
Leia mais sobre a participação feminina na política:
Entrevista

Profª Drª Francisca L. Nogueira de Azevedo
(Entrevista com a professora aposentada da UFRJ sobre Carlota Joaquina e sua ação política)
Artigo

A Presença Luso-brasileira na Região do Rio da Prata: 1808-1822
(Artigo do historiador Fábio Ferreira – Doutorando UFF)
(Para o tópico concernente à atuação feminina, ver tópico 3)

A DESTRUIÇÃO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO: UM PROBLEMA QUE ACONTECE EM CADA CIDADE DO PAÍS

Niterói, 22 de novembro de 2010

Da Redação
O Clube IPC na década de 1950
Foto extraída de http://fotolog.terra.com.br/lembrancas_de_niteroi:93
Hoje, 22 de novembro, é feriado em Niterói, cidade onde a Revista Tema Livre foi criada em 2002 e tem sua sede. Esta data é entendida como a da fundação deste município do Grande Rio. Poder-se-ia, como os demais veículos de comunicação fazem repetitivamente todo ano, contar a história da cidade ou mostrar suas inúmeras maravilhas. Belezas da antiga capital fluminense – não todas – já foram mostradas nas primeiras edições de Tema Livre, no início da década de 2000 (Para os que desejarem rever, seguem os links: www.revistatemalivre.com/crep1p.html e www.revistatemalivre.com/crep2p.html.)
Foto da Praia de Icaraí e do bairro de mesmo nome em 1951.
Extraído de http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/cinema-icarai-niteroi-rj/
Mais do que as repetidas homenagens, a cidade merece que se chame a atenção para a destruição do seu patrimônio histórico, problema enfrentado por outras cidades do país, adversidade que empobrece a história e o turismo dos municípios, bem como priva as gerações futuras de conhecerem o patrimônio material da cidade onde virão a viver. Tudo em nome da especulação imobiliária, que acaba por trazer uma série de problemas, promovendo o caos urbano.
Foto de Icaraí, bairro mais populoso de Niterói e com maior densidade demográfica da cidade, tem área de aproximadamente 2km².
Extraído de http://pt.wikipedia.org/wiki/Icara%C3%AD
Neste 437º aniversário, em que concomitantemente às celebrações da cidade de quase 500.000 habitantes, de área de 129,375km², e com o melhor IDH do estado e terceiro do Brasil, é relevante lembrar, dentre os muitos já destruídos, de dois marcos históricos e arquitetônicos da cidade que sofrem com os tempos de grande especulação imobiliária nas grandes áreas urbanas brasileiras: O impasse do cinema Icaraí, na praia de mesmo nome, logo situado em um dos pontos mais valorizados da cidade, e que está fechado desde 2005, a deteriorar-se, sendo que especulou-se, inclusive, sua destruição para a construção de um espigão.
Foto do Cinema Icaraí em 1946.
Extraído de http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/cinema-icarai-niteroi-rj/
O imóvel foi “destombado” parcialmente em 2006 pela Câmara dos Vereadores, mesmo não havendo unanimidade na questão. Em suma: Planejava-se manter a fachada e construía-se um prédio de 14 andares. Ignorava-se, então, que o cinema era um dos últimos em estilo Art Déco em Niterói. Outro prédio é o da Reitoria da UFF, antigo Cassino Icaraí, a uma quadra do antigo cinema. Porém, pela pressão popular, o cinema não foi destruído, mas ainda seria propriedade de uma construtora que espera o desfecho da questão.
Foto do já inexistente Clube IPC, marco da arquitetura moderna em Niterói.
Acervo Tema Livre
O outro caso é o do clube IPC (Icaraí Praia Clube), construção que dista poucos metros do antigo cinema, logo também situado em área nobre e, igualmente, está de frente para o mar. Em função do alto número de sócios inadimplentes e da crise financeira da agremiação, esta encerrou suas atividades em 2009. Seu prédio foi passado para uma grande construtora em um negócio que ultrapassou os R$ 35 milhões, porém, sem o alarde do cinema Icaraí. Posicionaram-se contra 60 sócios e uma inquilina, que dava aulas de balé no clube há 54 anos, e que chegara a investir financeiramente em seu espaço dentro do IPC. O caso foi parar na justiça, mas isto não impediu que no local venha a ser construído um prédio de alto luxo, com 52 unidades, de três e quatro quartos, que chegam a ter 4 vagas de garagem, e que tem a alcunha de ser “o mais exclusivo da Praia de Icaraí”. As raras unidades que ainda restam para venda estão entre aproximadamente R$ 1.200.000,00 e R$ 1.500.000,00. Uma das coberturas tem mais de 500m².
Marco arquitetônico moderno em fase prévia à sua destruição.
Acervo Tema Livre
Para dar lugar a tamanho luxo e beleza, neste fim de semana prolongado para os niteroienses e de comemorações na cidade, ignora-se completamente a demolição do tradicional IPC, sendo que este era um significativo exemplar da arquitetura moderna em Niterói, com suas curvas e pilastras, basicamente sem ornamentos, como tal estilo arquitetônico pede.
Detalhe que mostra os traços do modernismo na construção niteroiense.
Acervo Tema Livre

Tentativa de cerceamento do registro histórico e da memória afetiva: Problema que atinge a população em geral e o ofício de historiadores, jornalistas, fotógrafos e tantos outros profissionais
O mais curioso no caso IPC, ao menos em relação à Revista Tema Livre, foi que durante sua destruição, fotógrafo da publicação foi fazer registro histórico do fim deste marco moderno da cidade e gerou profundo incomodo em indivíduo que aparentava ser responsável pela obra (Não pode-se afirmar, pois o mesmo não encontrava-se sequer devidamente identificado, com crachá), mas vestia calça jeans e camisa social parda. Talvez fosse um engenheiro? Talvez um corretor? Enfim, o que importa é que mesmo o fotógrafo estando na calçada, em via pública e em pleno vigor democrático, mirando sua lente para o imóvel semi-destruído, o supracitado senhor acabou por convocar alguns trabalhadores da construção civil, que, pouco a pouco, abandonavam o seu caráter cordial e seus postos e transformavam-se em uma espécie grotesca de leões de chácara, tentando, em um tom picaresco, porém, para eles, sério e verdadeiramente intimidador, forjar um cenário lamentavelmente ridículo e cerceador da liberdade de expressão e de imprensa.
Foto tirada a partir da calçada da edificação parcialmente destruída.
O registro histórico só foi possível pela agilidade do fotográfo.
Acervo Tema Livre
Provavelmente a reprovável e descompensada atitude nada tem a ver com a internacionalmente reconhecida e respeitável construtora, que sequer imagina que em uma de suas obras esteja a acontecer lamentável tentativa de coerção. Igualmente, pode-se especular que a atitude do senhor de camisa social deva-se, quem sabe, a alguma espécie de insegurança, quem sabe temia uma matéria de cunho investigativo? Porém, como já diz o velho ditado, “quem não deve, não teme!”. Enfim, não há como saber as razões deste senhor. Resta apenas lamentar e apontar sua atitude de coibir o direito do registro do que ainda existia naquele momento do nosso patrimônio histórico, que, provavelmente, até o fim desta semana, terá desaparecido.
Trabalhadores da construção civil e a torre do IPC parcialmente destruída.
Acervo Tema Livre
Mais do que o disparate promovido pelo citado senhor, é válido que a partir deste caso ocorrido em Niterói se deixe o registro que cada vez mais torna-se mais difícil fazer registros fotográficos, seja para acervos pessoais ou não, de lugares públicos, que compõem os cenários brasileiros ou os locais relativos à memória afetiva de cada cidadão. Surge, silenciosamente, uma espécie de ditadura, que usa funcionários e/ou seguranças de empresas para impedirem o trabalho de profissionais que necessitam fazer estes registros, e que o fazem mais do que por suas necessidades econômicas, mas por amor a sua profissão, à memória e à História.

FENÔMENO HISTÓRICO: REVOLUÇÃO FARROUPILHA LIDERA ÍNDICE MUNDIAL DE PALAVRAS POSTADAS NO TWITTER

Niterói, 20 de setembro de 2010.

A cada minuto uma gama de novos tweetts surgem na busca “Revolução Farroupilha” ou “20 de setembro”. É frenético, como o louco ritmo da web. É impossível ler todas as mensagens. Incontáveis internautas mandam mensagens relativas a este episódio. Hoje é feriado no Rio Grande do Sul, pois no dia 20 os farroupilhas tomaram Porto Alegre. Comemora-se, então, o Dia do Gaúcho e neste ano “Revolução Farroupilha” lidera, seja no âmbito brasileiro, seja no mundial, os Trending Topics do Twitter.

Chama-se a atenção que com o episódio histórico ocorrido há 175 anos em terras gaúchas, o Brasil coloca pela primeira vez uma data intrínseca à História em primeiro lugar nesta rede social. Curiosamente, datas nacionais e históricas, como a independência do Brasil (7 de setembro) ou a Abolição dos Escravos (13 de maio) não conseguiram este feito.

Do mesmo modo, feriados de estados mais populosos, criados a partir de questões históricas, como, por exemplo, o paulista que rememora a Revolução Constitucionalista de 1932 (9 de julho) não conseguiu a proesa gaúcha, sendo que o Rio Grande do Sul tem cerca de 11 milhões de habitantes, é a 5ª unidade da federação em quantidade populacional, ao passo que o estado de São Paulo possui aproximadamente 41 milhões, sendo a 1ª.

Após a repercussão internacional do “Cala a Boca Galvão”, por este ter sido Trending Topics do Twitter, qual será a explicação que os brasileiros darão a respeito da Farroupilha? Provavelmente, em virtude do grande “trote” envolvendo o narrador da Globo, o mundo irá verificar melhor os dados vindos de terras tupiniquins e, quem sabe, aprendam um pouco mais sobre a História do Brasil.

Guilherme Litran, Carga de cavalaria Farroupilha. Acervo do Museu Júlio de Castilhos.
Extraído de http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_dos_Farrapos

A seguir, algumas mensagens postadas por usuários do Twitter sobre o episódio histórico:

Viva Zapata!

– “Melhor morrer de pé, do que viver de joelhos!”, Revolução Farroupilha! #20desetembro Parabéns Gaúchos! :))
O Professor de História que faz a diferença

– Revolução Farroupilha me lembra 1 professor maravilhoso de história que tive e ñ está + aqui, ainda tenho os cadernos c/os esquemas anotados
Viva Lecor!

– Se a Revolução Farroupilha tivesse dado certo, hoje teríamos dois Uruguais. Sinceramente, não sei do q os gaúchos se orgulham tanto.
Trauma da escola

– Revolução Farroupilha nos TT’s? Será que nem no twitter eu não posso esquecer da escola? Não posso esquecer da matéria de história? Quesaco!
A História se repete?

– Devemos eleger um bom senador, pois a situação de hoje (2010) não é muito diferente da situação da revolução farroupilha (1835)
Twitter é cultura…

– Twitter tambem é cultura gente, hoje comemora-se o aniversario da Revolução Farroupilha, por isso está nos TT’s, no sul hoje é feriado!
O Twitter é meu mundo

– Revolução Farroupilha é a frase mais falada no mundo… o dia inteiro 😀
O impactado

– cara, estou impressionado, revolução farroupilha o dia inteiro nos TT’s mundiais :O
“Nacionalistas”

– Revolução Farroupilha! Só quem é GAÚCHO e APAIXONADO por essa terra sabe o que é ter orgulho do seu lar, do seu povo, da sua história.

– Revolução Farroupilha: Orgulho gaúcho! #20deSetembro

– hoje 20 de setembro sinto-me mais feliz e honrado por ser Gaúcho do que no dia 7 de setembro por ser Brasileiro! viva Revolução Farroupilha!
“Nacionalistas” 2: Grêmio X Colorado

– Gremistas e colorados só se unem quando se trata da nossa pátria, a República Rio Grandense! Revolução Farroupilha #20desetembro
Fica!!!

– RS ainda é estado brasileiro. Revolução Farroupilha #fail , é apenas matéria de escola
Para o Brasil pensar…

– O Gaúcho é muito mais Gaúcho do que o Brasileiro é Brasileiro. Revolução Farroupilha #20desetembro – TT’s do Mundo no Twitter.
O questionador

– Brasileiro nao tem o que fazer mesmo neh?! Consegue por revolucao farroupilha nos trendings worldwide hauahuahua
O outro lado da mesma moeda

– Revolução Farroupilha nos TT’s até que enfim algo útil
“Sabinada”

– Alguém informado pode me responder pq revolução farroupilha tá nos TT’s?

– To me sentindo uma burra,nao lembro o que foi a revolucao farroupilha!

– Por que cargas d’água Revolução Farroupilha está no topo dos TTs mundiais?

– revolução farroupilha nos tt’s. sim, aquela que te ferrou no vestibular. rs.

– nossa revoluçao farroupilha nos tt’s,que cultural haha estudei isso ontem e ja confundi com as outras 2893 revoltas que tiveram no brasil
Lei de Gerson

– graças a Revolução Farroupilha hoje não tive aula (: TT’s
Farinha pouca, meu pirão primeiro

– Num sei o que é Revolução Farroupilha e nem quero saber não vai me ajudar a ganhar emprego
Esse é um país que vai pra frente…

– Gente, o povo brasileiro tá ficando “cult” … falando da Revolução Farroupilha…. eh assim que o país vai pra frente!!Parabens!!!! =)
Esse é um país que vai pra frente?

– Ser obrigado a ler no twitter que a pessoa não sabe oq é Revolução Farroupilha é no minimo preocupante….
Solidária

– Só pra contribuir com a gauchada no TTs: Revolução Farroupilha, “melhor morrer de pé do que viver de joelhos”.
Patinho Feio

– feliz revoluçao farroupilha pros gauchos! nessas horas eu sinto falta de morar la!
Pense em mim…

– Santa Catarina também estava na Revolução Farroupilha, mas isso ninguém lembra…
Vale Tudo

– Politicagem hoje..todos tentando ganhar voto em cima da revolução farroupilha!
Florentina

– por um momento a galera do brasil está com melhores assuntos “revolução farroupilha”, isso sim é assunto não tiririca e familia restart
Colhendo o que plantou

– 99% do Twitter não sabe o que é Revolução Farroupilha. Se vc faz parte do 1% que sabe, parabéns, vc é culto e não lê apenas Crepúsculo.
Pérola: Vestibulanda

– Tomara que a tal da Revolução Farroupilha caia na Prova da #UERJ ou da #UFRJ , porque eu até fui procurar saber depois que entrou nos TT’s.
História guetada

– Revolução Farroupilha nos TTs…? Gosh, já não chega de História na escola não?
Coisa de gaúcho

– Só os gaúchos mesmo pra colocar Revolução Farroupilha no topo dos TT’s mundiais!

– parabens gaúchos! Não é qualquer um que comemora uma guerra perdida – Revolução Farroupilha
Réplica

– Pra qm fala q celebramos 1 derrota, não a celebramos, mas sim a Gloria de ter lutado por nosso orgulho de ser Gaúcho! Revolução Farroupilha
Imaginação fértil

– em uma realidade alternativa, a Revolução Farroupilha foi bem sucedida.
Samba do gaúcho doido

– em vez de ler Revolução Farroupilha nos tt’s, eu li Revolução Francesa KKKKKK to estudando demais pra história, qn

PROF. DR. JOSÉ D’ENCARNAÇÃO É ELEITO ACADÊMICO DE MÉRITO DA ACADEMIA PORTUGUESA DE HISTÓRIA (APH)

Niterói, 28 de julho de 2010.

O Prof. Dr. José d’Encarnação, catedrático da Universidade de Coimbra desde 1991, foi eleito, por unanimidade, no último dia 16 de julho, como Acadêmico de Mérito da Academia Portuguesa de História, instituição sediada em Lisboa.

Deste modo, ao vasto currículo do historiador, arqueologista e epigrafista português, que inclui, dentre outras, a publicação de inúmeros trabalhos acadêmicos em Portugal e no exterior (mais de quatrocentos), a participação nas Reial Acadèmia de Bones Lletres (Barcelona) e Real Academia de la Historia (Madrid), além do título de doutor honoris causa pela Universidade de Poitiers (França), agrega-se, a partir de então, esta mais nova distinção, a de Acadêmico de Mérito da APH.

Para ler entrevista concedida pelo Prof. Dr. José d’Encarnação à Revista Tema Livre, clique aqui

IRREPARÁVEL PERDA INTELECTUAL: FALECEU HOJE NO RIO O HISTORIADOR MANOEL SALGADO

Niterói, 27 de abril de 2010

Com profundo pesar noticiamos que faleceu, na manhã de hoje (27/4), no Rio de Janeiro, em função de um câncer contra o qual lutava há alguns meses, o historiador Manoel Luiz Salgado Guimarães, professor dos departamentos de história da UFRJ e da UERJ.

Manoel Salgado, como era conhecido o historiador no meio acadêmico, era Graduado em História pela UFF (1979), Mestre em Filosofia pela PUC-Rio (1982) e Doutor em História pela Freie Universität Berlin (1987), além de possuir Pós-Doutorado pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, EHESS (2000).

Ao longo de sua trajetória profissional, a produção intelectual de Manoel Salgado foi publicada no Brasil e no exterior, como foi o caso de seu livro “Geschichtsschreibung Und Nation In Brasilien 1838-1857” (Historiografia e Nação no Brasil: 1838-1857), editado, em 1987, na Alemanha. Os trabalhos acadêmicos de Manoel Salgado ainda compuseram anais de congressos e páginas de revistas especializadas. Os textos do historiador ainda ganharam espaço em veículos de comunicação dirigidos ao grande público.

À vasta atuação do historiador agrega-se que Manoel Salgado presidiu a ANPUH (Associação Nacional de História) no período de 2007 a 2009, bem como esteve à frente da seção Rio de Janeiro da citada associação entre os anos de 2002 e 2004. Atualmente, desenvolvia os projetos de pesquisa “Memória, escrita da história e culturas políticas no mundo luso-brasileiro” e “Tradição e inovação na cultura histórica oitocentista em Portugal e no Brasil”.

Manoel Salgado ainda foi responsável pela formação de vários historiadores, tendo orientado 93 trabalhos acadêmicos, estando entre eles teses de doutorado, dissertações de mestrado e monografias de graduação. Atualmente, o historiador orientava quatro trabalhos de Mestrado e seis de Doutorado, que o levaria ao número de mais de 100 orientações.

O corpo de Manoel Salgado será velado amanhã (28/4), a partir das 9h, e o sepultamento ocorrerá às 11h, no Memorial do Carmo (Caju, Rio de Janeiro).

Links para artigo e entrevista de Manoel Salgado:

Revista Topoi – UFRJ: http://www.ppghis.ifcs.ufrj.br/media/topoi5a7.pdf
Jornal O Povo – Fortaleza, CE: http://opovo.uol.com.br/conteudoextra/892766.html

SENADO APROVA A REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO DE HISTORIADOR

Niterói, 14 de março de 2010.

Na última quarta-feira foi aprovada pela CAS (Comissão de Assuntos Internos) do Senado a profissão de historiador. O projeto de lei PLS 368/09, do senador Paulo Paim (PT-RS) e que teve como relator o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), foi aprovado em decisão terminativa.

Esta aprovação não significa a proibição do exercício da atividade por aqueles que não possuem graduação ou mestrado ou doutorado em História, no entanto, garante, em concursos públicos, vagas aos indivíduos com formação na área. Vagas para o magistério estão incluídas nesta mudança, bem como estabelece-se a necessidade de participação do historiador na avaliação e seleção de documentos para preservação, na organização de informações para exposições, publicações e eventos, em serviços de pesquisa, e, ainda, a elaboração de pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre temas históricos.

Ao votar pela aprovação, Buarque destacou em seu discurso que, hoje, o campo de atuação do historiador não é mais restrito às salas de aulas, apontando, além de museus e centro culturais, a atuação do profissional em empresas do campo do turismo, da publicidade, do jornalismo, do cinema e da TV. Pela crescente importância deste ofício, o senador vê a regulamentação como meio legal de reconhecimento e valorização da profissão.

Apesar deste importante passo, isto não significa que a profissão de historiador esteja, ainda, regulamentada. O projeto continua a tramitar no Congresso Nacional. Resta, agora, acompanhar os próximos passos desta história.
Leia mais sobre a profissão do historiador na Revista Tema Livre:

– HISTORIADORES A UM PASSO DA REGULAMENTAÇÃO DE SUA PROFISSÃO (20 fev 2010)
– CONHEÇA, NA INTEGRA, O PROJETO QUE VISA REGULAMENTAR A PROFISSÃO DO HISTORIADOR
– HISTORIADOR É A 5ª MELHOR PROFISSÃO DOS EUA (01 fev 2010)
– É ESTABELECIDO O DIA NACIONAL DO HISTORIADOR (18 jan 2010)

OBITUÁRIO: FALECE GOVERNADOR DO ANTIGO ESTADO DO RIO.

Niterói, quarta-feira, 03 de março de 2010.

Foi enterrado no início da tarde de hoje no cemitério Parque da Paz, no Pacheco, São Gonçalo, Geremias de Matos Fontes, que, tendo iniciado sua trajetória política no movimento estudantil, foi prefeito de São Gonçalo (1959-1962), deputado federal (1962-1966) e penúltimo governador do antigo Estado do Rio de Janeiro (1967-1971), quando a capital deste situava-se na cidade de Niterói. Além disto, Geremias Fontes era advogado, formado pela Faculdade de Direito de Niterói (1954), e Pastor evangélico, sendo o presidente da Comunidade Cristã S8 (Com sede em Marambaia, São Gonçalo) e da Igreja Batista do Calvário (No bairro do Fonseca, Niterói).

Após seu mandato como governador, em um período em que as campanhas políticas tornavam-se cada vez mais caras e dependentes de empresários, Geremias Fontes abandonou definitivamente a vida política, para dedicar-se integralmente às suas atividades profissional, social e religiosa. Nesta época, Geremias Fontes acolheu em sua própria residência vários jovens que queriam abandonar as drogas e, dentre suas realizações, destaca-se a de ter participado, ainda na década de 1970, da criação da Comunidade Cristã S8, que ainda hoje atua, no Rio de Janeiro (Botafogo), Niterói (Icaraí e Gragoatá) e São Gonçalo (Marambaia), junto à recuperação de dependentes químicos.

Geremias Fontes vivia uma vida simples junto à sua esposa Nilda F. Fontes e, nos últimos meses, vinha sofrendo complicações do diabetes, tendo falecido na manhã do dia 02 de março, aos 79 anos. Geremias Fontes deixa viúva, oito filhos, 23 netos e dois bisnetos.

HISTORIADORES A UM PASSO DA REGULAMENTAÇÃO DE SUA PROFISSÃO

Niterói, sábado, 20 de fevereiro de 2010.

Está prestes a ser solucionada uma antiga reivindicação de muitos historiadores e da associação que os representa, a ANPUH: A regulamentação da profissão do historiador. O Projeto de Lei 368/2009, apresentado em agosto passado pelo Senador Paulo Paim (PT-RS), teve, no último dia 11, parecer favorável do relator do projeto, o Senador Cristóvam Buarque (PDT-DF). No entanto, a votação não ocorreu por falta de quórum e, conseqüentemente, houve o seu adiamento.

Neste momento, a condição para a aprovação do projeto é a questão relacionada ao quórum, pois uma vez sendo votada pela Comissão de Assuntos Sociais, presidida pela Senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN), a matéria não terá que passar por nenhuma instância do Congresso Nacional. Deste modo, caso a supracitada Comissão dê o seu parecer favorável, tornará a profissão de historiador regulamentada. Agora, é só esperar o quórum!
Você é favorável à regulamentação da profissão do historiador Para votar, clique aqui.

Placar em 20 de fevereiro de 2010:
Sim – 83%
Não – 17%
Conheça, na integra, o projeto que visa regulamentar a profissão do historiador:

“SENADO FEDERAL
PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 368, DE 2009
Regula o exercício da profissão de Historiador e dá outras providências.
O CONGRESSO NACIONAL decreta:
Art. 1º Esta Lei regulamenta a profissão de Historiador, estabelece os requisitos para o exercício da atividade profissional e determina o registro em órgão competente.
Art. 2º É livre o exercício da atividade profissional de Historiador, desde que atendidas às qualificações e exigências estabelecidas nesta Lei.
Art. 3º O exercício da profissão de Historiador, em todo o território nacional, é privativa dos:
I – portadores de diploma de curso superior em História, expedido por instituições regulares de ensino;
II – portadores de diploma de curso superior em História, expedido por instituições estrangeiras e revalidado no Brasil, de acordo com a legislação;
III – portadores de diploma de mestrado, ou doutorado, em História, expedido por instituições regulares de ensino superior, ou por instituições estrangeiras e revalidado no Brasil, de acordo com a legislação.
Art. 4º São atribuições dos Historiadores:
I – magistério da disciplina de História nos estabelecimentos de ensino fundamental, médio e superior.
II – organização de informações para publicações, exposições e eventos em empresas, museus, editoras, produtoras de vídeo e de CD-ROM, ou emissoras de Televisão, sobre temas de História;
III – planejamento, organização, implantação e direção de serviços de pesquisa histórica;
IV – assessoramento, organização, implantação e direção de serviços de documentação e informação histórica;
V – assessoramento voltado à avaliação e seleção de documentos, para fins de preservação;
VI – elaboração de pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre temas históricos.
Art. 5º Para o provimento e exercício de cargos, funções ou empregos de Historiador, é obrigatória a apresentação de diploma nos termos do art. 3º desta Lei.
Art. 6º A entidades que prestam serviços em História manterão, em seu quadro de pessoal ou em regime de contrato para prestação de serviços, Historiadores legalmente habilitados.
Art. 7º O exercício da profissão de Historiador requer prévio registro na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do local onde o profissional irá atuar.
Art. 8º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
JUSTIFICAÇÃO
O campo de atuação do historiador não tem se restringido mais à sala de aula, tradicional reduto desse profissional. Sua presença é cada vez mais requisitada não só por entidades de apoio à cultura, para desenvolver atividades e cooperar, juntamente com profissionais de outras áreas, no resgate e na preservação do nosso patrimônio histórico, mas também por estabelecimentos industriais, comerciais, de serviço e de produção artística.
No âmbito industrial, o historiador vem trabalhando na área de consultoria sobre produtos que foram lançados no passado, para análise de sua trajetória e avaliação sobre a viabilidade de seu relançamento no mercado consumidor, ou ainda, para o estudo das causas de seu sucesso ou fracasso.
Pelas suas qualificações, o historiador é imprescindível para os estabelecimentos do setor de turismo, que contratam seus serviços para desenvolver roteiros turísticos para visitação de locais com apelo histórico e cultural.
Entidades públicas e privadas recorrem ao historiador para recolherem e organizarem informações para publicação, produção de vídeo e de CD-ROM, programas em emissoras de televisão, exposições, eventos sobre temas de história.
Não menos valiosa é a sua colaboração nas artes, onde o historiador faz pesquisa de época para os produtores de teatro, cinema e televisão, quer auxiliando na elaboração de roteiros, quer dando consultoria sobre os cenários e outros elementos da produção artística.
Num mundo onde a qualidade e a excelência de bens e serviços vêm se sofisticando cada vez mais, os historiadores devem ter sua profissão regulamentada, pois seu trabalho não mais comporta amadores ou aventureiros de primeira viagem.
Assim, julgamos ter chegado o momento de regulamentarmos o exercício da profissão de historiador que hoje congrega, em todo o país, milhares de profissionais que reivindicam, há muito, o reconhecimento e valorização de seu trabalho.
Por essas razões, esperamos contar com o apoio de nossos nobres pares para a aprovação deste projeto de lei.
Sala das Sessões,
Senador PAULO PAIM
(À Comissão de Assuntos Sociais.)
Publicado no DSF, 29/08/2009.
Secretaria Especial de Editoração e Publicações do Senado Federal – Brasília-DF
OS: 15781/2009”

Documentado extraído de: http://www.anpuh.org/

HISTORIADOR É A 5ª MELHOR PROFISSÃO DOS EUA

Niterói, segunda-feira, 01 de fevereiro de 2010.

De acordo com pesquisa realizada pelo sítio CareerCast.com e publicada no The Wall Street Journal (http://online.wsj.com/public/resources/documents/st_BESTJOBS2010_20100105.html) no último dia 05, o exercício profissional do historiador foi definido como a 5ª melhor profissão nos EUA no ano de 2009. A metodologia da pesquisa teve como critérios renda, demandas físicas, estresse, ambiente do trabalho e empregabilidade. (Para maiores detalhes acerca da metodologia, acessar: http://www.careercast.com/jobs/content/jobs-rated-methodology-2010)

Na lista, na frente dos historiadores estão, em primeiro lugar, os atuários, em segundo, os engenheiros de software, em terceiro, analista de sistema de computadores e, por fim, em quarto lugar, os biólogos.

A pesquisa ainda aponta que o salário inicial de um historiador está em 34.000 dólares anuais, cifras aproximadas a de outros profissionais, como filósofos (33.000), antropólogos (32.000), arqueólogos (também com 32.000), nutricionistas (31.000) e contadores (37.000). O valor mais alto que um historiador pode receber anualmente está em 111.000 doláres, próximo, portanto, de estatístico (117.000), químico (113.000), contador (102.000), e engenheiros civil (116.000), mecânico (115.000) e industrial (107.000).

Para acessar a lista completa das duzentas profissões analisadas, acesse: http://online.wsj.com/public/resources/documents/st_BESTJOBS2010_20100105.html

DIA NACIONAL DO HISTORIADOR

Niterói, segunda-feira, 18 de janeiro de 2010.

A partir deste ano, os historiadores passarão a ter o seu próprio dia: A homenagem recaiu sobre 19 de agosto, data que remete ao natalício do intelectual pernambucano Joaquim Nabuco (nascido no ano de 1849), que exerceu uma série de atividades, como, por exemplo, a de diplomata, político e historiador. Além disto, Nabuco foi grande opositor à escravidão e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras (ABL). A seguir, a publicação da lei no Diário Oficial da União (http://www.jusbrasil.com.br/diarios/1564077/dou-secao-1-18-12-2009-pg-1):

“LEI N 12.130, DE 17 DE DEZEMBRO DE 2009
Institui o Dia Nacional do Historiador, a ser celebrado anualmente no dia 19 de agosto.
O VICE-PRESIDENTE DA REPUBLICA , no exercicio do cargo de PRESIDENTE DA REPUBLICA
Faco saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1 E instituido o Dia Nacional do Historiador, a ser celebrado anualmente no dia 19 de agosto.
Art. 2 Esta Lei entra em vigor na data de sua publicacao.
Brasilia, 17 de dezembro de 2009; 188 da Independencia e 121 da Republica.
JOSE ALENCAR GOMES DA SILVA
Joao Luiz Silva Ferreira”

 

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