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Marieta de Moraes Ferreira é a vencedora do Prêmio Michel Marie Le Ven de Reconhecimento em História Oral

Niterói, 9 de junho de 2022.

Na última sexta (03/06), a Associação Brasileira de História Oral (ABHO) divulgou em suas redes sociais que a Prof.ª Dr.ª Marieta de Moraes Ferreira (UFRJ/FGV) foi a vencedora da 1ª edição do Prêmio Michel Marie Le Ven de Reconhecimento em História Oral, premiação concedido pela referida organização.
Ao longo de sua trajetória acadêmica, a historiadora fluminense tem contribuído para o desenvolvimento da historiografia brasileira, incluindo aí pesquisas referentes à História Oral. Seu livro “Usos e Abusos da História Oral”, escrito em parceria com Janaína Amado e cuja primeira edição data de 1996 (atualmente, está na 8ª, algo raro para livros acadêmicos), é leitura obrigatória para qualquer pesquisador que queira trabalhar com entrevistas. Além disso, a pesquisadora teve participação ativa na criação da ABHO, tendo sido, no período de 1994 a 1996, sua presidente. 
A entrega da honraria será durante o “XVI Encontro Nacional de História Oral”, que ocorrerá, no próximo mês, no Rio de Janeiro.

 

Acervo: leia entrevista concedida pela Prof.ª Dr.ª Marieta de Moraes Ferreira à revistatemalivre.com clicando aqui.

 

Podcast: ouça o podcast revistatemalivre.com intitulado "A História e o ofício do historiador", que teve como convidada a Prof.ª Dr.ª Marieta de Moraes Ferreira, clicando aqui.

 


Abaixo, a nota que a diretoria da ABHO divulgou em sua página do Facebook sobre o prêmio concedido a Marieta de Moraes Ferreira:

(Extraído de https://www.facebook.com/associacaobrasileiradehistoriaoral/photos/a.582463001812658/5332265203499057/)

 

 

“PRÊMIO MICHEL MARIE LE VEN DE RECONHECIMENTO EM HISTÓRIA ORAL
A Associação Brasileira de História Oral (ABHO) tem enorme prazer em comunicar todos os seus associados e a comunidade acadêmica o nome da vencedora do Prêmio Michel Marie Le Ven de Reconhecimento em História Oral, instituído em 2022 e outorgado pela primeira vez. A partir do presente ano, a honraria concedida bianualmente e oferecida em cerimônia a ser realizada durante os encontros nacionais de história oral promovidos pela ABHO.
O prêmio integra-se às demais condecorações oferecidas pela ABHO e tem como objetivo valorizar e homenagear indivíduos que tenham oferecido contribuições significativas para o desenvolvimento da prática de história oral no Brasil, sua reflexão e difusão, celebrando a trajetória de profissionais indispensáveis para a constituição e consolidação da área de estudos.
O prêmio recebe o nome de Michel Marie Le Ven (1931-2021), pioneiro na prática de história oral no Brasil, filiado à ABHO, diretor para a região Sudeste (1998-2000), membro do conselho fiscal (1996-1998), membro do conselho editorial da revista História Oral (2000-2002), e participante ativo da comunidade brasileira de história oral, como tributo ao seu importante papel na divulgação da metodologia e à solidez e coerência manifestada ao longo de sua trajetória, no trato ético e responsável com os depoimentos pessoais.
O prêmio tem caráter não competitivo e seus recipientes são escolhidos a partir de consulta à Diretoria ampliada da ABHO, composta pela Diretoria Nacional, Diretorias Regionais, Conselho Científico, Conselho Fiscal e Comitê Editorial. Em conformidade com a portaria de instituição do prêmio, a Diretoria ampliada foi consultada e uma das indicadas recebeu número superior à metade das indicações recebidas, sendo automaticamente considerada a recipiente do prêmio.
* * *
AGRACIADA NO ANO DE 2022
MARIETA DE MORAES FERREIRA
Professora, pesquisadora, historiadora, escritora, editora e primeira presidente da Associação Brasileira de História Oral (ABHO), Marieta de Moraes Ferreira é uma referência intelectual e profissional incontornável para todos os praticantes de história oral no Brasil.
Enquanto professora do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Centro de Pesquisa e Documentação em História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC/FGV), Ferreira envidou desde os anos 1990 esforços pessoais e coletivos em favor do amadurecimento dos debates sobre história oral, no âmbito da história do tempo presente, bem como de seu estabelecimento e afirmação institucional como uma área interdisciplinar.
Participou das primeiras discussões que levaram à fundação da ABHO, da qual foi presidente de 1994 a 1996 e vice-presidente de 2006 a 2008, além de membro de diferentes comitês ao longo das gestões. Teve papel indispensável na articulação da história oral feita no Brasil com a comunidade internacional, participando de várias conferências nacionais e internacionais, inclusive da conferência de Gotemburgo, em 1996, na qual foi criada a International Oral History Association, da qual foi vice-presidente por duas gestões e presidente de 2000 a 2002.
Não menos impressionante é a produção intelectual consistente e incessante de Ferreira, que inclui artigos e ensaios que contribuíram enormemente para o processo de legitimação do trabalho com fontes orais em diferentes disciplinas, e que persistem amparando teórica e conceitualmente a prática da história oral. Coube a Ferreira, ainda, a co-organização de uma das publicações mais influentes no país, o volume Usos e abusos da história oral, apenas um dos diversos livros por ela assinados.
A atual gestão da Associação Brasileira de História Oral tem o prazer de contar com a participação de Ferreira no comitê editorial da revista História Oral e no grupo de trabalho Memória da ABHO, o que atesta seu compromisso duradouro com a área e com a associação.
Por essas razões, temos o enorme prazer de convidar a professora Marieta de Moraes Ferreira a receber o Prêmio Michel Marie Le Ven de Reconhecimento em História Oral durante o “XVI Encontro Nacional de História Oral: Pandemia e Futuros Possíveis”, que acontecerá de 25 a 28 de julho de 2022, incidentalmente sediada em suas duas instituições de vínculo, a UFRJ e a FGV.
Diretoria Nacional
Associação Brasileira de História Oral”

 

 

 

 

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Homenagem a António Manuel Hespanha

Niterói, 02 de julho de 2019.

Da redação.


Foto do Prof. Dr. António Manuel Hespanha/Fonte: Flickr UFPR.

Foto do Prof. Dr. António Manuel Hespanha/Fonte: Flickr UFPR.

 

Faleceu no último dia 01 de julho de 2019, em Lisboa, o historiador António Manuel Hespanha, aos 74 anos. O pesquisador veio a óbito em virtude de um câncer. Em razão do triste fato, a Revista Tema Livre relembra nas linhas que se seguem e de forma sucinta a trajetória do intelectual português, que marcou a historiografia lusófona.

 

Hespanha nasceu em Coimbra, em 1945, nos tempos do Estado Novo português. Em 1967, na prestigiosa universidade da cidade que o viu nascer, graduou-se em Direito e, logo em seguida, em 1971, obteve o título de mestre em Ciências Histórico-Jurídicas pela mesma instituição. Doutorou-se, em 1986, em História pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (UNL) com a tese “As Vésperas do Leviathan. Instituições e Poder Político em Portugal no século XVIII”, que versou sobre o sistema de poderes das monarquias tradicionais europeias. A obra tornou-se marco da historiografia lusófona, sendo importante contributo para a compreensão das sociedades portuguesa e brasileira do período.

 

Ainda sobre o resultado de pesquisas de Hespanha, o português publicou cerca de duas dezenas de livros e quase duzentos artigos acadêmicos em Portugal e no exterior. Entre suas realizações mais recentes, publicou o livro "Filhos da Terra, Identidades Mestiças nos Confins da Expansão", no qual retoma temas da história colonial. O Centro de Investigação e Desenvolvimento sobre Direito e Sociedade (CEDIS) da Universidade Nova de Lisboa o definiu como "o historiador português mais citado internacionalmente" e "um dos nomes mais importantes no estudo da história institucional e política dos países ibéricos".

 

Também como pesquisador pertenceu a diversos grupos e instituições de pesquisa em Portugal e em outros países. Como exemplo, no Brasil, era membro do Antigo Regime nos Trópicos (ART), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também ao longo de sua trajetória esteve vinculado ao Instituto de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa (1989-2003), onde, concomitantemente, desempenhava a docência universitária. 

 

Como professor visitante passou pela Ecole des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), Yale, University of California/Berkeley, Universidad Autónoma de Madrid (UAM), University of Macau, Universidade Agostinho Neto (UAN) e o Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique (ISCTEM), dentre outras. Na América Latina, foi visitante da Universidad Nacional de Quilmes, na Argentina, da Escuela Libre de Derecho, no México, e do Instituto de Estudos Brasileiros, da Universidade de São Paulo.

 

Fundou e compôs os quadros das revistas acadêmicas Penélope, em Portugal, e Themis, em Porto Alegre, e fez parte do corpo editorial de muitos outros periódicos, como a Tempo (Universidade Federal Fluminense), Almanack Braziliense (Universidade de São Paulo) e E-journal for Portuguese Studies (Brown University). Entre 1995 e 1998, dirigiu a Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses.

 

A receber o título de Doutor Honoris Causa na UFPR/fonte: Flickr UFPR.

A receber o título de Doutor Honoris Causa na UFPR/fonte: Flickr UFPR.

O reconhecimento de sua atuação o fez receber vários prêmios e títulos, como dois doutoramentos Honoris Causa. O primeiro, na Universidade de Lucerna (Suiça), e o segundo, na Universidade Federal do Paraná. Também era membro correspondente estrangeiro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHBG), situado no Rio de Janeiro, e do Instituto de Investigaciones de Historia del Derecho, em Buenos Aires. Era Grande Oficial da Ordem de Cristo, título dado pela Presidência da 

                                                 República Portuguesa.

 

 

Repercussão

O óbito de Hespanha repercutiu dos dois lados do Atlântico. Os principais jornais portugueses noticiaram a perda do pesquisador. João Cravinho, ministro da Defesa de Portugal, em sua conta no Twitter, postou que “A melhor homenagem possível é a leitura da sua obra. Estou a meio de ”Filhos da Terra”, recentemente publicado, que rasga horizontes novos para a historiografia de Portugal no mundo”. António Costa Pinto, professor e pesquisador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, postou em sua conta no Facebook que a produção acadêmica de Hespanha teve "grande impacto na Alemanha, Europa do Sul e América Latina." Na mesma rede social, o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa afirmou que "estamos de luto com a partida do Prof. António Manuel Hespanha (1945-2019)".

 

No Brasil, o grupo de pesquisa Antigo Regime nos Trópicos emitiu a seguinte nota, em que afirma que “lamenta profundamente o falecimento do Professor António Manuel de Hespanha, um dos maiores modernistas dos últimos anos e uma das principais referências para estudiosos dos mundos ibéricos da época moderna, inclusas as áreas de conquista da América lusa. Recentemente, finalizamos a organização de um seminário interno do ART, a se realizar entre os dias 28 e 30 de agosto de 2019. Em razão de seu falecimento e por sua vasta e marcante obra, o seminário será dedicado à sua memória. Igualmente, dividimos nosso pesar com colegas de trabalho no Brasil e de outras partes do mundo, sobretudos historiadores modernistas portugueses. Damos, igualmente, pêsames aos familiares de António Manuel de Hespanha”.

 

Releia entrevista que o professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa concedeu à Revista Tema Livre clicando aqui.

 

António Manuel Hespanha: conferencista no XXII Simpósio da Anpuh/Acervo Revista Tema Livre.

António Manuel Hespanha: conferencista no XXII Simpósio da Anpuh/Acervo Revista Tema Livre.

 

 

 

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UFF se destaca em avaliação da Capes com nove cursos de Pós-Graduação de nível internacional

Niterói, 22 de outubro de 2017.
Criada em 11 de julho de 1951, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal Nacional de Nível Superior (Capes) tem como objetivo expandir e consolidar os programas de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) em todo o Brasil. A avaliação, realizada pela agência a cada quatro anos, é uma ferramenta para que a comunidade universitária mantenha um padrão de excelência acadêmica para os programas de pós-graduação e seu resultado serve como base para a formulação de políticas para a pós-graduação e para as ações de incentivo a bolsas de estudo, auxílios e apoio acadêmico.
Na escala de avaliação utilizada pela Capes, os cursos que recebem seis e sete – que contam com mestrado e doutorado – são considerados no mesmo nível de seus pares internacionais. Este ano, oito programas de pós-graduação da UFF receberam nota seis – Economia, Física, Geoquímica, Geografia, Computação, Comunicação, Estudos de Literatura e Química -, e o curso de História recebeu, mais uma vez, o conceito máximo, sete. Isso significa que a UFF conseguiu um desempenho superior à avaliação anterior, mesmo com o atual cenário brasileiro de austeridade, com cortes profundos no orçamento destinado à pesquisa e à pós-graduação.
Para o coordenador do Programa de Pós-graduação em Física (PPG-Física), Marcelo Sarandy, a pesquisa no país tem evoluído em seus aspectos quantitativos e qualitativos. Nesse contexto, é bastante relevante para os programas o destaque no cenário nacional, o que favorece a obtenção de recursos e o desenvolvimento contínuo da pesquisa na universidade. “Para o PPGF, esse conceito seis demonstra mais uma vez, a qualidade do nosso trabalho. Temos alto índice de produtividade em pesquisa, tanto de docentes quanto de discentes, espectro amplo de linhas de atuação e boa infraestrutura para as atividades acadêmicas”, afirma.
O diferencial do Programa de Pós-graduação em Geografia (PPGEO), segundo o seu coordenador, Marcio Piñon, é a produção intelectual qualificada, além de sua inserção internacional, em especial em países da América Latina e Europa, mas também da África, Sudeste Asiático e Austrália. Diversos docentes já participaram como professores visitantes em instituições estrangeiras e têm atuação em movimentos sociais em nível internacional. Além disso, já receberam estudantes de diversos países, especialmente latino-americanos. “Para o quadriênio em curso, esperamos adequar as nossas metas, otimizar os nossos esforços coletivamente e traçar estratégias, com o apoio da Proppi, para melhorar ainda mais os nossos resultados. Para isso, é fundamental que a Capes continue destinando recursos e bolsas em um nível satisfatório, capaz de atender à enorme demanda”, explica.
Segundo o coordenador do Programa de Pós-graduação em Estudo de Literatura (PPGEL), José Luis Jobim, a avaliação colocou o curso no patamar dos 13% melhores do país. No Estado do Rio de Janeiro, há apenas dois cursos com nota seis e nenhum com nota sete nas áreas de Linguística e Literatura. Para a ex-aluna do mestrado, Clarissa Marinho, o corpo docente é qualificado, engajado em atividades de extensão, colóquios, eventos e etc., e o programa é bastante organizado e articulado entre as linhas de pesquisa e projetos. “Concluí o mestrado em junho de 2016 e durante o período do curso executei minha pesquisa com uma orientação de excelência”, assegura.
Para a ex-coordenadora do Programa de Pós-graduação em História (PPGH), Ana Mauad, a nota sete na avaliação da Capes reafirma a excelência do PPGH como um coletivo de docentes, discentes e funcionários, e confirma a autonomia do programa na gestão dos recursos financeiros concedidos pela Capes. “A renovação da nota sete pela terceira vez sucessiva, nos projeta no cenário nacional e internacional com a certificação de excelência acadêmica. Atualmente, isso implica na confirmação das redes de pesquisa dentro e fora do país que, nos últimos anos, foram fomentadas, bem como na garantia aos nossos alunos e alunas do acesso a uma formação diferenciada na área de história”, conclui.
A ex-aluna do mestrado em história, Nathália Nicolau, afirma que o diferencial do PPGH é a sua ampla produção em diversos eixos da história, por trazer alunos de diversos lugares do país com temas de pesquisas variados, o que torna o intercâmbio de conhecimento mais rico. “Minha experiência com o programa foi impecável. Os professores foram solícitos em me ajudar, sanar dúvidas, dando suporte para minha pesquisa tomar forma. Consegui terminar no tempo planejado e tive ajuda financeira da Capes”, finaliza.
Texto adaptado de: http://www.uff.br/?q=noticias%2F10-10-2017%2Fuff-se-destaca-em-avaliacao-da-capes-com-nove-cursos-de-nivel-internacional