História Contemporânea

Entende-se como o período contemporâneo o posterior a 1789 (Revolução Francesa). Desde acontecimentos históricos recentes, como o 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, até os desdobramentos, na França, da mencionada revolução, com o estabelecimento da República e as execuções de Luís XVI e Maria Antonieta, em 1793, fazem parte do período em questão.
Um importante ponto a destacar-se é a ascensão do militar Napoleão Bonaparte, ainda na década de 1790, que resultou na sua transformação em Imperador dos Franceses. Posteriormente, Bonaparte inicia uma política de expansão territorial, com ações em pontos distintos, como Egito, Rússia e Portugal (inclusive, por esse fator, a família real portuguesa emigrou para o Brasil).
Após a queda de Napoleão Bonaparte, em 1815, no Congresso de Viena, busca-se discutir o futuro europeu, a englobar questões como acordos de paz, delimitação de fronteiras, que foram embaralhadas pelas conquistas de Napoleão, e quem assumiria o comando de países que apoiaram o antigo Imperador. Participaram do Congresso Inglaterra, Rússia, Prússia, Áustria, Suécia, Espanha e Portugal, mas, os grandes condutores das reuniões foram os quatro reinos citados. Apesar de Napoleão, a França atuou em Viena, pois voltou a reinar em Paris a casa de Bourbon – deposta pela Revolução francesa.
Também dentro da variedade de discussões do Congresso, havia a abolição do tráfico de escravos, campanha encabeçada pela Inglaterra. Porém, o fim do desumano comércio não interessava a diversos reinos europeus, como, por exemplo, os ibéricos. Se adotada, a extinção total do tráfico afetaria áreas como o Brasil e Angola, localidades que suas respectivas economias estavam intimamente vinculadas à infame mercantilização de pessoas. Após entendimentos políticos, houve a proibição do tráfico acima da linha do Equador, porém, os grandes portos do Brasil podiam continuar a receber cativos e grande parte da África lusa a exportá-los.
Outro importante fato histórico que abalou a Europa do primeiro quarto do século XIX e refletiu significativamente no Brasil foram os movimentos liberais, que eclodiram em áreas como a Grécia, a Espanha, a Península Itálica e Portugal, com a designada Revolução Liberal do Porto. Em linhas gerais, os revoltosos reivindicavam um parlamento e a elaboração de uma Constituição.
No âmbito econômico, não se pode deixar de mencionar a projeção, em escala global, da Inglaterra.

 

A República, no Brasil, foi instalada a partir de um golpe de Estado, que ocorreu no dia 15 de novembro de 1889, a partir de proclamação do marechal Deodoro da Fonseca no Campo de Santana (atual Praça da República), no centro do Rio de Janeiro. Grosso modo, desejavam o fim do Império vários setores sociais, em especial o exército, partes da classe média e grandes proprietários rurais.

Após o golpe, Pedro II e sua família tiveram que abandonar o país, tendo que exilar-se na Europa. Como primeiro presidente o Brasil teve Deodoro da Fonseca. Sob a sua presidência houve a primeira carta magna republicana, a Constituição de 1891.

No âmbito econômico, Rui Barbosa foi o ministro da Fazenda de Deodoro, sendo grande marca dessa gestão o chamado encilhamento, que, buscando estimular a criação de industrias no Brasil, acabou por gerar um grande movimento especulatório. A ampla emissão de crédito imobiliário aumentou a inflação. Várias organizações foram criadas para a obtenção de dinheiro público e, muitas das que faliram, continuaram a ter suas ações vendidas na bolsa de valores, gerando uma grande crise econômica. 

Em um contexto conturbado, Deodoro não encerrou o seu mandato, tendo sido substituído por Floriano Peixoto. Há autores que designam o período dos dois primeiros presidentes, ambos militares, como República da Espada (1889 – 1894).

No tocante a periodizações  e suas respectivas designações, há nomenclaturas como República Velha, República Oligarca ou Primeira República para o período de 1889 a 1930. Dentre uma multiplicidade de acontecimentos do período, pode-se mencionar, por exemplo, a importação de costumes franceses para o Brasil, que influenciou a moda, o vocabulário e a arquitetura nacionais, tendo como grande exemplo a remodelação do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, bem como a intervenção no espaço público de outras cidades, como Porto Alegre, Recife e Manaus, na chamada Belle Époque brasileira.

Além do exposto, sobre a Primeira República, mencionam-se as greves operárias que ocorreram no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, sendo as mais destacadas pela historiografias as do final da década de 1910. Nesse contexto surge o seguro obrigatório de acidentes de trabalho (Decreto nº 3.724 de 15 de janeiro de 1919) e a Lei Elói Chaves, de 1923, que cria as Caixas de Aposentadoria e Pensões (CAPs).

Sucintamente, sobre a década de 1920, essa década foi palco das Revoltas Tenentistas; da criação do PCB, da quebra da bolsa de Nova Iorque, em 1929, que teve conseqüências na economia mundial, inclusive na brasileira, da cisão entre as oligarquias estaduais, a colocar de um lado Minas, Rio Grande do Sul e Paraíba, e do outro, São Paulo, e que possibilitou a ascenção de Getúlio Vargas ao poder.

 

Era Vargas (1930 – 1945)

Os quinze anos que o presidente gaúcho comandou o executivo federal podem ser divididos da seguine forma:

 

Governo Provisório (1930–1934)

 

 

Governo Constitucional (1934–1937)

 

 

Estado Novo (1937–1945)

 

 

República Nova, República de 46 ou Quarta República Brasileira  (1946 – 1964)

 

 

Regime Militar (1964 – 1985)

 

 

Nova República (a partir de 1985)

 

 

 

 

Tradicionalmente, estabelece-se a História do Brasil após o ano de 1500 da era Cristã. No entanto, seria essa a data correta? Em que momento há o Brasil? A nação iniciou-se aquando da chegada de Cabral? A resposta é não. Talvez alguns especulem que o nascimento do Brasil tenha sido anterior à chegada do navegador português, outros, depois. Aos que ficaram com a segunda opção, acertaram. É consenso entre os pesquisadores que dedicam-se à História do Brasil que a criação do Estado-Nacional brasileiro deu-se após 1822, ou seja, começou a ser construído ao menos 322 anos depois das naus de Cabral atracarem em Porto Seguro, quando, o que muitos atribuem ser o Brasil, sequer chamava-se Brasil. 
Então, se não havia o Brasil, o que há de fazer-se com os séculos precursores à construção do Estado Nacional brasileiro? Agir como se eles não tivessem ocorrido? Estudar a História do Brasil a partir de 1822? Como não havia o Brasil, ignorar-se-á, portanto, o período antes de Cabral e o que vai desse personagem ao estabelecimento do Império brasileiro? É claro que não, porém, conhecer alguns aspectos históricos contribuirá para a minimização de alguns possíveis equívocos e afirmações rotundas de que o país já tem quinhentos e vinte e poucos anos.
Pois bem, antes de tudo, pontua-se que, para o sucesso da comunicação entre os indivíduos, faz-se necessária a utilização de palavras, signos e nomenclaturas. Utilizar-se-á, portanto, no presente texto, designações frequentemente associadas ao período pós-Cabral, como América portuguesa, Brasil Colônia ou Colonial para o período entre 1500 e 1822, mas sem perder do horizonte de análise alguns fatores que serão analisados nos próximos parágrafos, que, a seu turno, sustentam a afirmação de que não havia o Brasil como nação, monolítico, nos séculos antes do Império que começou a ser criado nos tempos monárquicos.
Em primeiro lugar, o território que, hoje, forma o Estado Nacional brasileiro passou por cerca de duzentos anos dividido entre Estado do Brasil (aproximadamente do Rio Grande do Sul ao Ceará, tendo sua capital, primeiro, em Salvador e, depois, no Rio de Janeiro) e o Estado do Grão-Pará e Maranhão (com capital, inicialmente, em São Luís e, no século XVIII, em Belém, sendo importante lembrar a vastidão territorial da sua circunscrição, que englobava os atuais estados do Amazonas, Pará, Amapá, Roraima, dentre outros e que, na década de 1770, o marquês de Pombal dividiu-o em dois novos estados, o do Grão-Pará e Rio Negro, com sede em Belém, e o do Maranhão e Piauí, baseado em São Luís). Na primeira metade do século XIX, mesmo que por um período exíguo, durante a Confederação do Equador e a Revolução Farroupilha, mais de um país existiu no que hoje são terras do Brasil.
Verifica-se, então, que ao olhar, em pleno século XXI, para o território da atual República Federativa do Brasil, encontram-se, ao longo da História, várias unidades político-administrativas distintas nos supostos 500 anos do país, podendo, inclusive, pontuar, que ao longo desse vasto período, essas regiões poderiam ter tido destinos antagônicos, que culminariam em uma nação que não abrangeria as terras do Oiapoque ao Chuí. Além disso, por séculos e sem contato com a civilização ocidental, várias tribos indígenas sequer souberam que estavam no Brasil.
Navegando nos mares contra factuais, se D. João não tivesse vindo para o Brasil em 1808, é provável que os domínios portugueses no Novo Mundo tomassem caminhos próprios, como ocorreu na América Espanhola. Se a ocupação francesa da região da Guanabara tivesse vingado, a França Antártica teria tido vida mais longa e não haveria a fundação da cidade do Rio de Janeiro pelos portugueses em 1 de março de 1565. Se os habitantes dessa cidade, no século seguinte, não pegassem em armas contra a ocupação holandesa no Nordeste, quiçá o Recife fosse, atualmente, a capital de um vasto território holandês cravado no Atlântico Sul – talvez independente como o Suriname, talvez ainda vinculado à Europa, como o é a Guiana Francesa. Se, em 1825, para Portugal reconhecer a separação do Brasil, D. Pedro I declinou da possibilidade de aceitar Angola sob o seu cetro, hoje, a nação brasileira poderia ocupar mais de um continente (o americano e o africano), particularidade reservada a poucos países, como a Rússia, o Egito e a Turquia. Igualmente, se no mesmo ano de 1825, não tivesse eclodido a Guerra da Cisplatina, provavelmente o Uruguai não seria uma República Independente e, quem sabe, fosse, hoje, um estado brasileiro, com a fronteira nacional indo até o rio da Prata. Ainda nos anos posteriores a 1822, se a Guerra dos Farrapos ou a Confederação do Equador tivessem vingado, qual seria a configuração do Brasil do século XXI?
Mesmo frente a múltiplas possibilidades completamente distintas entre si e que resultariam, possivelmente, em muitas outras nações, em tantas outras unidades político-administrativas, menos na República Federativa do Brasil, fato é que os caminhos desenhados pelos atores sociais dos últimos quinhentos anos culminou na nação que conhecemos na atualidade.  
Além disso, ao longo do período colonial, inúmeras regiões do Brasil (mesmo que queira-se entendê-lo do Oiapoque ao Chuí) não tinham comunicação entre si. Negociavam e recebiam ordens diretamente de Lisboa e não das capitais estabelecidas na América lusa. Determinadas áreas tinham muito mais vínculos políticos, econômicos e culturais com Luanda ou Benguela do que com outras cidades-porto da América portuguesa. Também existiam partes que estavam mais vinculadas à América Espanhola do que com os centros de poder estabelecidos nos territórios de Portugal no Novo Mundo, como o Rio, Salvador, São Luís ou Belém. De semelhante modo, várias partes que vieram, futuramente, a compor o Estado Nacional brasileiro tinham rivalidades político-econômicas entre si, bem como os seus habitantes não entendiam-se como brasileiros (designação pouco usual para os que viviam na América Lusa. Brasílico ou brasiliense seriam mais acertados para algumas fases do período colonial, apesar dos indivíduos entenderem-se, no âmbito das identidades, por sua região de nascimento, sendo, assim, mais plausível os súditos do rei de Portugal no Novo Mundo terem entendido-se por um bom tempo mais como portugueses fluminenses, portugueses baianos, portugueses pernambucanos, do que como brasileiros do Rio, da Bahia ou de Pernambuco). 
Frente ao já exposto, os processos produtivos da América Lusa eram distintos, com áreas cuja produção estava vinculada à economia internacional, mas, também, com regiões que produziam para abastecimento próprio ou para o comércio entre distintos pontos dos vastos domínios portugueses no território que culminou, posteriormente, no Estado Nacional brasileiro. Se a plantation foi a característica de determinadas regiões e exaustivamente explorada por autores e falas sobre a História do Brasil, não o foi de todas, bem como a escravização de pessoas vindas da África também não deu-se de igual maneira na América Portuguesa. Em vários pontos preponderou a exploração de mão-de-obra africana. Já em outros, não. 
Assim, a partir dessas brevíssimas reflexões e desse grande e complexo mosaico pode-se começar a debater e a buscar entender o Brasil Colonial e o Imperial, sendo importante pontuar que nessa última fase iniciou-se a construção do Estado Nacional brasileiro, bem como o sentimento de uma identidade brasileira junto aos indivíduos que povoavam o Império brasileiro. Frente à necessidade de afirmar-se a nação que estava a construir-se no século XIX, iniciou-se, então, a ideia de que no período colonial estava o embrião do Brasil. Mas, não estava, mesmo que, posteriormente à chegada de Cabral, com a vinda de europeus e africanos, com suas interações sociais entre si e entre os indígenas que por aqui estavam antes de 1500, foi-se construindo ao longo do sul do continente americano uma gama de sociedades, que, a partir de uma multiplicidade de fatores históricos, culminou no Estado Nacional brasileiro que hoje vivemos.

 

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Designa-se por Idade Moderna o período que abarca os séculos XV e XVIII, e que assistiu a acontecimentos como o Renascimento, a concentração do poder político nas mãos dos monarcas, a chegada dos europeus às Américas, o questionamento do poder da Igreja Católica, a Reforma Protestante, dentre outros fatos.
A análise da modernidade permite afirmar que o período possuí fatores de continuidade da Idade Média, bem como de rupturas. Conforme pontuado no item referente ao Medievo, foi justamente nos tempos medievais que a sociedade europeia desenvolveu condições de transformações para que se gerasse a Modernidade. Considerado um dos primeiros humanistas, o poeta florentino Petrarca viveu na Florença medieval.
Sobre o termo moderno, de tempos em tempos ele surge no vocabulário ocidental para definir algum período ou momento histórico. O primeiro registro que se tem conhecimento da palavra está em latim, modernus, que, a seu turno, vem de documento eclesiástico do século V d.C., sendo que o seu emprego foi em oposição a determinada situação pretérita, que já havia ocorrido. 
Importante acontecimento dessa fase da História, o Humanismo, observa-se que o seu surgimento não deixa de estar vinculado ao desenvolvimento intelectual do final do medievo, principalmente às universidades criadas na Idade Média. Os humanistas começaram a estudar as línguas locais em detrimento do latim, assim como autores que, por séculos, foram pouco estudados, como Platão, dedicaram-se, também, à retórica, e os seus estudos refletiram na filosofia de então, nas ciências, nas artes, na arquitetura, dentre outros campos da sociedade europeia.
Quando trabalha-se com o Renascimento, comumente são apontadas como as suas características os fatores a seguir (porém, isso não significa que em outras épocas não existissem, muitas das vezes, em menor intensidade, os aspectos que serão apontados): antropocentrismo (o homem como centro, condutor do seu próprio destino e que enaltece o seu próprio destino), racionalismo (valorização do racional como atributo do ser humano, a busca de explicações lógicas a influir no campo científico), naturalismo (estudos sobre a natureza, inclusive a humana e a sua anatomia), o individualismo (várias pessoas buscavam demonstrar suas habilidades, obter o reconhecimento de terceiros, a influir, inclusive, nas artes, com a propagação de retratos), resgate da Antiguidade (busca de que a sociedade moderna fosse continuidade da antiga, bem como esse último período fosse a base para o desenvolvimento da modernidade).
Semelhantemente, quando o tópico de estudo é o Renascimento, aborda-se a Itália, pois foi na região norte dessa que o florescimento daquele foi mais intenso. Atribui-se a isto o alto grau de desenvolvimento do comércio da área, que permitia o intercâmbio com regiões que mantinham algum grau de conhecimento das culturas clássicas. Pode-se pensar, também, na figura do mecenas, em que a prosperidade econômica faz-se necessária para a sua atuação. Agrega-se que quando os turcos conquistam Constantinopla, vários estudiosos das sociedades clássicas fugiram para a região da península itálica, levando, consigo, conhecimento e fontes históricas referentes à cultura greco-romana.
Quando lança-se os olhos para o Renascimento, é comum trazer os nomes como o de Leonardo da Vinci (1452 – 1519), Michelângelo (1475 – 1564) e Maquiavel (1469 – 1527) associados às artes e à literatura, e os de Copérnico (1473 – 1543), Kepler (1571 – 1630) e Galileu (1564 – 1642) à astronomia. Porém, isto não significa que os homens do Renascimento estiveram restritos a um único campo. Da Vinci, por exemplo, com os seus estudos sobre a anatomia humana contribuiu para o conhecimento na área da medicina. Por mais que Maquiavel tenha contribuído, por questões estilísticas, à literatura, o conteúdo de “O Príncipe” foi importante para o pensamento político, gerando o termo maquiavélico, utilizado até o tempo presente.
Em razão do comércio, outras partes da Europa tiveram importante florescimento econômico, que, a seu turno, repercutiu em campos como o das artes e o intelectual. A região dos Países Baixos e Flandres é um exemplo. Ricos comerciantes patrocinaram artistas como Peter Bruegel (1525 – 1569) e Hieronymus Bosch (1450 – 1516).
A Península Ibérica viu florescer, na literatura e no teatro, obras como as de Cervantes (1547 – 1616) e as dos portugueses Gil Vicente (c.1465 – c.1536) e Camões (c.1524 – c.1579/80). Na pintura, o maior expoente foi El Greco (1541 – 1614). Contemporaneamente, na Inglaterra, há as obras literárias de William Shakespeare (1564 – 1616) e de Thomas More (1478 – 1535), que buscava reordenar a sociedade europeia de forma mais justa e cristã. Por fim, e ainda, sem desprender-se do universo religioso, houve o primeiro livro a ser impresso em toda a história por Johannes Gutenberg (c. 1398 – 1468), em Mainz (hoje, Alemanha), em 1456: a Bíblia.
Ainda no tocante à esfera religiosa da sociedade europeia de então, o principal movimento de questionamento ao Catolicismo foi o liderado por Martinho Lutero (1483 – 1546), fruto de divergências políticas e, também, teológicas – por exemplo, dentre várias contestações, criticava-se a venda de indulgências para a absolvição de pecados, ao passo que, biblicamente, o perdão do pecador encontra-se em Deus, através do sacrifício de Jesus, o Cristo, na Cruz. 
Sobre Lutero, no ano de 1517, o religioso católico afixou suas “95 teses”, com vários questionamentos a Roma, na porta da catedral de Wittbemberg. Como resposta, o papa Leão X declarou, em 1520, o posicionamento de Lutero como herético e que esse deveria retratar-se ou seria excomungado. O autor das 95 teses não seguiu a determinação papal, rompendo definitivamente com o Vaticano. Pelo elo de Carlos de Habsburgo (rei do Sacro Império Romano-Germânico e da Espanha) com o Santo Padre, Lutero exilou-se no castelo de Frederico da Saxônia, dedicando-se à tradução da Bíblia para o alemão.
A partir da ação de Lutero, pôs-se termo à unidade eclesiástica europeia ocidental e assim várias denominações surgiram. Como exemplo, há a do francês João Calvino (1509 – 1564), que converteu-se ao protestantismo e, perseguido por suas ideias, refugiou-se na Suíça. Os calvinistas foram designados, na França, como huguenotes (tendo atuado, inclusive, no Brasil, mais especificamente na região da Guanabara à época da invasão francesa da região). Na Escócia, liderados por John Knox (1505 – 1572), foram chamados de presbiterianos. Na Inglaterra, de puritanos. 
Pela repercussão do protestantismo, a Igreja Católica realizou a Contra-Reforma, em que a instituição realizou uma série de ajustes internos. Outra repercussão da reforma, que tirou o movimento do âmbito religioso e o levou para o político, foi a ação dos monarcas e nobres europeus de acordo com os seus interesses pessoais e dos seus respectivos grupos de apoio político. Muitos anelavam obter o espólio católico em seus domínios, como foi o caso de nobres alemães e do rei inglês Henrique VIII, que romperam com Roma. Outros, posicionaram-se como defensores da legitima fé católica, caso do rei de Espanha.

 

O Antigo Regime e o Absolutismo

A partir da Revolução Francesa (1789), o período anterior passou a ser designado como Antigo Regime. Em linhas gerais, uma das características do período é o absolutismo, quando reis governavam sem constituições e sem a divisão dos poderes em Executivo, Legislativo e Judiciário. Teoricamente, todo o poder estava concentrado nas mãos dos monarcas.
No entanto, pesquisas históricas recentes questionam o quanto que de fato o poder destes indivíduos era absoluto, pois as sociedades em que eles estavam inseridos era composta por vários atores sociais que também detinham força política, bem como disputavam ampliar o seu poder no campo social que atuavam. Como grupos políticos, que, a seu turno, nem sempre eram um bloco monolítico, compunham estas sociedades religiosos, nobres, grandes comerciantes, camponeses, trabalhadores urbanos, dentre outros.
Sociedade estamental é outro termo constantemente associado ao Antigo Regime, entendendo-se, portanto, que praticamente não havia mobilidade social no referido período. Mercantilismo é outra palavra atrelada a esta época, sendo entendida como uma gama de práticas econômicas comandadas pelo Estado. Sobre esse último, atribui-se que a sua forma moderna surgiu aí, entendendo-se, portanto, que a função de legislar, julgar, coletar impostos, administrar pessoas e instituições recaía no Estado.

 

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Grécia
A civilização grega surgiu ao sul da península balcânica, no Mediterrâneo. Em função do seu solo pobre, uma saída encontrada pelos gregos foi o comércio marítimo e a expansão para outros territórios, a estender-se, então, por diversas ilhas da região e por pontos litorâneos da Ásia Menor (atual Turquia). Semelhantemente a outras civilizações da antiguidade, o que comumente se chama de Grécia Antiga era composta, grosso modo, por várias cidades-estados, denominadas pólis (singular)/póleis (plural), que começaram a surgir em c.2000 a.C. Cada pólis tinha a sua própria autonomia política, econômica e administrativa. Em comum, tinham a religião, o idioma e a organização familiar e econômica.
Da Grécia Antiga, a sociedade ocidental herdou, no âmbito cultural, a filosofia, que buscava entender o mundo de forma racional, e teve em Sócrates, Platão e Aristóteles os seus principais filósofos. Além disso, destaca-se o teatro, que tinha a função educativa e repercutia fortemente entre a população. À época, os atores eram todos homens e interpretavam com máscaras. Os gêneros teatrais eram a comédia e a tragédia, sendo que várias peças chegaram à atualidade, como Édipo Rei e Antígona, de Sófocles, e Prometeu Acorrentado, de Ésquilo. 

 

A divisão usual da História da Grécia é a que segue-se:

 

 

Período Homérico (Séculos XII a.C. – VIII a.C)
Dá-se tal nome pelo fato das obras de Homero (Ilíada, que narra a guerra de Troia) e a Odisseia (dedicada ao retorno do herói Ulisses para Ítaca, sua ilha de origem) terem servido como importantes fontes históricas para a reconstituição de sua História.

 

 

Arcaico (entre os séculos VIII a.C. – VI a.C.)
Sucintamente, nessa fase houve o surgimento da pólis e a fundação de colônias em partes da atual Itália e Turquia. A aristocracia agrária comandava a política grega e as cidades-estados – chegaram a mais de uma centena, sendo as mais conhecidas as rivais Esparta (na península do Peloponeso e que tinha a especificidade da agricultura ser uma das principais fontes de sua economia. Além disso, era uma sociedade extremamente militarizada) e Atenas (na península balcânica e com economia voltada, também, ao comércio marítimo).

 

 

Clássico (séculos V a.C. – IV a.C.)
A este período costuma-se vincular o apogeu da democracia na Grécia Antiga, mais especificamente em Atenas. Os cidadãos gozavam de ampla liberdade e o voto era direto e universal para todos. Entretanto, é válido destacar quem os atenienses entendiam por cidadão. Esses eram os homens acima de 18 anos e filhos de pais atenienses e livres – a excluir, portanto, as mulheres e crianças, os escravos e estrangeiros, resultando que, em determinados momentos, em torno de 90% dos habitantes da pólis estavam alijados da participação política.
Concomitantemente, Atenas era o principal centro comercial e cultural grego, tendo, ainda, uma política expansionista, a interferir nos destinos das demais cidades-estados. É desse período a guerra do Peloponeso (431 – 404 a.C.), que foi protagonizada pelas duas principais cidades da Grécia Antiga, Atenas e Esparta. O conflito teve consequências negativas na civilização grega, como o seu enfraquecimento militar.

 

 

Helênico (séculos III a.C. – II a.C.)
Desse período destaca-se a invasão da Macedônia e o enfraquecimento de diversas cidades-estados. É dessa fase a atuação político-militar do macedônico Alexandre, o Grande, que uniu o seu povo e os gregos contra o inimigo que ambos compartilhavam, a Pérsia, liderada por Dario III. Alexandre impôs uma série de derrotas ao seu rival, conquistando a Ásia Menor (libertando, então, os gregos que ali viviam da dominação persa), o Egito (fundando, ali, Alexandria, que, rapidamente, se tornou o principal centro comercial do Mediterrâneo) e, por fim, derrotou os persas na Mesopotâmia, em 331 a.C.
Alexandre, o Grande, foi educado pelo filósofo Aristóteles e, assim, a cultura grega era-lhe familiar, tendo sido importante em sua formação intelectual e forma de interpretar as sociedades do seu tempo. Como estratégia de dominação de áreas tão distantes e distintas entre si, que iam do Mediterrâneo às raias do Himalaia e do rio Indo, o macedônico realizava a fusão das culturas grega com as locais, criando, assim, uma nova manifestação cultural, o helenismo, predominantemente grego, mas com uma gama de aspectos orientais.
Com o falecimento de Alexandre em 323 a.C., o seu Império foi dividido, e a Grécia viu-se separada do Egito, da Mesopotâmia e da Ásia Menor. O grande Império que passou a destacar-se com o fim do da Macedônia foi o Romano.

 

 

Roma Antiga
Primeiramente, a cidade de Roma foi a sede do maior império da Antiguidade. Em sua extensão máxima, o Império Romano chegou a ter, aproximadamente, 6.500.000 km2 (comparando-se a territórios da atualidade, o brasileiro tem 8.515.767,049 Km² e o da União Europeia 4.324.782 Km²). Detecta-se, então, que áreas tão distantes entre si como a Península Ibérica e a Palestina estiveram sob o controle romano. Em termos populacionais, o Império Romano chegou a ter 88.000.000 de almas (comparativamente, o Vietnã, 14º país mais populoso do mundo tem, aproximadamente, 90.549.390 habitantes. A Alemanha, 15º, 81.471.834. O Brasil, em 5º lugar, já ultrapassou a marca de 200.000.000, sendo que a região Sudeste traz números próximos ao do referido Império em seu auge populacional: 81.565.983).
Dos romanos, a sociedade ocidental contemporânea recebeu uma série de influências, como no campo do direito, no universo religioso, com o cristianismo, no âmbito linguístico (além dos idiomas neolatinos, do qual o português faz parte, línguas como o inglês e o alemão receberam influência do latim falado, escrito e propagado por Roma) e na organização política (apesar das diferentes releituras que cada sociedade fez de instituições e termos romanos ao longo do tempo, como senado, república, ditadura, plebiscito, etc).
Ainda no campo das releituras, mesmo séculos após o fim de Roma, em vários períodos históricos, são buscadas referências à referida sociedade. Movimentos intelectuais, como o Renascimento, tiveram a Roma Antiga como importante referencial. O fascismo de Mussolini utilizou-se desta civilização do passado, tratando, equivocadamente, a Itália fascista como uma espécie de sucessora do Império Romano.
Uma vez tendo exposto nos parágrafos anteriores aspectos introdutórios referentes a Roma Antiga, as próximas linhas serão dedicadas à divisão mais usual da História política Romana.

 

A ocupação da península itálica
Primeiramente, a ocupação da região data de, aproximadamente, 2.000 a.C. Os primeiros habitantes eram os italiotas (latinos, sabinos, samnitas, dentre outros) e, depois, após processo migratório, foram para a península etruscos (Norte) e gregos (Sul). Roma teria nascido como ponto estratégico para a proteção de povoações dos latinos situados na parte central da península. 

 

Monarquia (753 – 509 a.C.)
Pouco se sabe deste período, porém, é dele que surge a lenda de Rômulo e Remo, os dois irmãos que, abandonados, ainda bebês, foram amamentados por uma loba e, em sua fase adulta, protagonizaram a mítica história de fundação da cidade.
Acredita-se que Rômulo foi o seu primeiro rei. Posteriormente, vieram seis reis, uns de origem latina, outros, etruscas e, ainda, teria havido aqueles que eram sabinos. O rei de Roma tinha seu poder dividido com o legislativo, composto pelo Senado, que, a seu turno, congregava os patrícios mais destacados. Havia, também, a Assembleia Curiata, ou Cúria, que deveria ratificar ou não as decisões do Senado, sendo formada, semelhantemente, por patrícios.
Após o exposto, é válido perguntar-se, quem foram os referidos patrícios? Qual sua posição na hierarquia social da monarquia romana? Além da política, a que mais dedicavam-se nesta sociedade do passado? Resumidamente, estes indivíduos eram membros da aristocracia rural e estavam no topo da pirâmide social. Além deste grupo, a sociedade romana era composta por plebeus, que se dedicavam ao comércio, à agricultura, ao artesanato, ao pastoreio, e eram o grupamento mais numeroso de então. Os clientes viviam debaixo das redes de proteção de um patrício e, em troca, ofereciam serviços como militares e administrativos. Por fim, na base da pirâmide social, estavam os escravos, provenientes de guerras ou de plebeus endividados.
Em 509 a.C., o rei de Roma era de origem etrusca, porém, em um contexto em que a península itálica assistia à decadência do Império Etrusco. Aproveitando-se de fatores internos e externos a Roma, os senadores conseguiram depor o monarca e, através de um golpe, estabeleceram a República. O poder político já não precisava ser compartilhado com o rei e os patrícios fortaleceram-se ainda mais. 

 

República (509 – 27 a.C.)
República, do latim, res publica, ou seja, coisa pública. O Senado era a sua principal instituição, legislando e decidindo os rumos internos e externos de Roma. As Assembleias votavam projetos, tratavam de assuntos religiosos e eram responsáveis pela nomeação de representantes de cargos públicos – como os magistrados (compostos, por exemplo, por cônsules, que estavam à frente do Senado e da Assembleia, pretores, vinculados à administração da justiça e censores, conectados ao censo, à contagem da população, e definidoras de critérios que mensuravam a renda dos romanos).
Neste período, o poder dos patrícios era significativamente forte e estes tinham importante participação nas instituições políticas de Roma. As desigualdades entre o mencionado grupamento social e os plebeus resultaram em convulsões político-sociais, que resultaram em benefícios de indivíduos pertencentes à plebe na sociedade romana. Como exemplo houve a participação no Senado, a possibilidade de realização de casamentos entre patrícios e plebeus (Lei Canuleia, 445 a.C.), o fim da escravidão por dívidas (Leis Licínias, 367 a.C.), entre outros.
Ao longo dos séculos que compuseram a República, a plebe logrou direitos na sociedade romana e algumas possibilidades de ascensão social. Agrega-se que, nesta fase, Roma conquistou toda a península itálica, a Ibérica, Grécia, partes do atual Oriente Médio e ocorreram as Guerras Púnicas (em função da expansão e consequentes conflitos com os cartagineses, de origem fenícia).
Sucintamente, a referida expansão implicou em uma série de mudanças na sociedade romana. O aumento do número de escravos levou ao desemprego em diversos setores. Habitantes de várias cidades migraram em direção ao interior. O comércio entre o centro do Império e as províncias fez surgir abastados negociantes interessados em participar da definição dos rumos políticos de Roma, o que não interessava aos patrícios. Estas transformações associadas à desigualdade social, ao crescimento desordenado das cidades e à ausência de terras para os cidadãos contribuíram enormemente para o aumento da tensão social e houve o consequente enfraquecimento da República. 
Concomitantemente, em razão das diversas conquistas de Roma, os militares ganharam destaque nessa sociedade. O prestígio desse segmento social levou-o a intervir mais fortemente na política e, na década de 80 a.C., o general Sila tornou-se Ditador. Após sua saída do poder, novas convulsões políticas, até que, em 60 a.C., uma junta militar composta por Júlio César, Pompeu e Crasso, conhecida como o Primeiro Triunvirato, passou a controlar a República. No entanto, a estabilidade não foi duradoura.
Crasso faleceu em 53 a.C. e, em seguida, Júlio César e Pompeu passaram a disputar o poder, até que César proclamou-se, em 46 a.C., Ditador Vitalício, no entanto, neste contexto de instabilidade, seu governo não foi duradouro. O Senado opunha-se à concentração de poder nas mãos do ditador e, então, houve a conspiração em que Brutus e Cássio assassinaram Júlio César nas escadarias da instituição.
Pensando, com o citado plano, que retomaria o controle da República, o assassinato elaborado pelo Senado teve efeito oposto. A morte de Júlio César causou comoção em Roma, o que levou os seus partidários ao poder, através da criação do Segundo Triunvirato. Seus membros eram Marco Antônio, Otávio e Lépido. Porém, um novo governo não significou estabilidade política.
Lépido foi afastado do poder. Marco Antônio tornou-se responsabilidade pela parte Oriental de Roma. Otávio, da Ocidental. Entretanto, a divisão não impediu conflitos entre os membros do Segundo Triunvirato. Marco Antônio, aliado de Cleópatra VII, rompeu com Otávio. O resultado foi favorável a este que acabou por receber, do Senado, os títulos de príncipe e de imperador. A partir daí, Otávio intitulou-se Augusto, o divino. Iniciava-se, assim, o Império Romano.  

 

Império (27 a.C. – 476 a.C.)
Este período é subdivido em Alto Império (século I a.C. – III d.C.) e Baixo Império (século III – V d.C.). Na primeira fase, a expansão territorial romana prosseguiu e houve o desenvolvimento econômico, o comércio prosperou com a construção/aperfeiçoamento de portos e estradas e houve importante desenvolvimento intelectual, que, como exemplo, podem ser citadas as obras do poeta Virgílio, do escritor Horácio e do historiador Tito Lívio.
Durante o governo de Otávio Augusto (27 a.C. – 14 d.C.), personagem tido como o primeiro imperador de Roma, houve, na Palestina, o nascimento de Jesus Cristo, personagem entendido pelos cristãos como o messias, a segunda pessoa da Trindade, o Deus que se fez homem para, na Cruz, expurgar os pecados da humanidade, salvando, então, aqueles que, pela fé, o reconhecerem como Senhor de suas vidas, e, ainda, o Cristo que, ao terceiro dia, ressuscitou e hoje (e para sempre) reina no topo de toda “hierarquia” espiritual e terrena. Afora aspectos doutrinários, ressalta-se a importância do credo – mesmo que, muitas das vezes, modificado ao longo dos séculos – para a formação da sociedade Ocidental.
Ainda no que refere-se ao cristianismo, no Alto Império houve o governo de Nero (54 d.C. – 68 d.C.), o último imperador da dinastia julio-claudiana, que, em torno de 64 d.C., iniciou implacável perseguição aos cristão pelo fato do grupo adorar somente a um único Deus (trino, formado pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo) e, assim, não aderir aos deuses romanos. Séculos depois, o cristianismo tornou-se a religião oficial do Império. 
Comumente, quando trata-se desse período, ainda aborda-se a importância da mão-de-obra escrava para a economia imperial, veicula-o à política do “pão e circo” e, também, à utilização do latim como língua oficial do Império, com o objetivo de unificar terras tão distintas e distantes entre si. A centralização político-administrativa é, igualmente, tida como uma das características desta fase.
Em relação à decadência do Império Romano, esse processo não deixa de estar associado a fatores como a sua própria expansão. Para a manutenção dos custos de efetivos militares em áreas tão vastas, eram necessários vultuosos recursos financeiros. Concomitantemente, houve a redução no número de pessoas escravizadas, diminuindo a sua oferta e havendo a elevação de seu preço. O trabalho livre tornou-se mais barato e, pouco a pouco, os mais pobres foram substituindo os cativos. Muitos destes homens mais desfavorecidos encontravam-se em áreas rurais e trabalhavam em troca de proteção e sobrevivência, não podendo abandonar as terras, sendo que essa dramática situação acabou por tornar-se hereditária.
A crise atingiu a produção de alimentos, com consequente aumento dos preços e inflação, queda do consumo, o abandono, por parte de significativos contingentes demográficos, das cidades em direção ao campo e, por fim, parte dos recursos financeiros restantes foram canalizados para a parte oriental do Império, onde eram obtidas mercadorias daquela região.
Se por um lado os romanos viam-se obrigados a enfrentarem sérias adversidades econômicas, por outro havia uma crise política, com conflitos entre os setores sociais que controlavam o Império, a saber-se, os senadores e os chefes militares. A movimentação de tropas levou que fronteiras ficassem desguarnecidas, contribuindo para que os povos classificados como bárbaros pelos romanos gerassem distúrbios nas raias do Império.
Além disso, buscando atender aos interesses de diversos atores políticos e amenizar a crise, o imperador Diocleciano (284 – 305) criou a Tetrarquia, dividindo o Império entre quatros generais, minimizando substancialmente o poder do Senado. O imperador ficou responsável pela administração da parte Oriental e Maximiano da Ocidental, sendo que cada um deles tinha o auxilio de um general, designado césar. O império passou a ter, então, dois augustos e dois césares.
Esta primeira divisão não foi duradoura. O imperador Constantino pôs termo à Tetrarquia, passando a reinar sozinho, anulou, em 313, a perseguição aos cristãos, permitindo-lhes a liberdade religiosa e, ainda, levou, em 330, a capital do Império para a região mais rica, o Oriente, com a criação de Constantinopla (atual Istambul).
Paralelamente, a parte ocidental esfacelava-se e os bárbaros adentravam territórios de Roma. Buscando conter o processo de decadência romana, o imperador Teodósio transformou o cristianismo na religião oficial do Império, em 391, bem como o dividiu novamente em duas partes. A ocidental com capital em Roma e a oriental em Constantinopla. O Império do Ocidente durou até 476, quando os bárbaros conquistaram a sua capital. O do Oriente teve vida mais duradoura, até o século XV, sob o nome de Império Bizantino.

Antiguidade Oriental
Como já apontado, nesse recorte estão inseridas uma série de sociedades. No entanto, pela vastidão e complexidade do tema, na presente seção serão apresentadas algumas delas, tendo como critério de seleção aquelas que são mais difundidas junto à sociedade contemporânea e, usualmente, são mais abordadas em livros, teses e dissertações.

 

Egito
Normalmente, o que é designado como Egito Antigo pode ser dividido em vários períodos, devido às características de cada uma de suas fases, dispensando, consequentemente, um entendimento monolítico de todas as fases da História desta sociedade do passado. A seguir, uma divisão da História do Egito Antigo proposta pelo egiptologista J. Martin Plumley, da Universidade de Cambridge:


Baixo Egito e Alto Egito
Unificação: 3.200 – 2.800 a.C.

Período Arcaico 
(c.3.100 – 2.700 a.C.)

Reino Antigo: Mênfins 
(c. 2.700 – 2.500 a.C.)

Reino Médio: Tebas
(c.2.134 – 1786 a.C.)

Reino Novo (c.1575 – 1087 a.C.)

Período Tardio (c.1087 – 332 a.C.)

Nova divisão
Alto e Baixo Império

Conquista pelo exército da Pérsia (525 a.C.)

Alexandre o Grande (332 a.C.)/Ptolomeu (322 a.C.)/Província Romana (30 a.C.)

A princípio, mais do que datas, nomes e decorar as capitais de cada fase da História do Egito, o importante é entender, a partir desse caso, que cada fase vai guardar particularidades, mas, também, semelhanças uma entre as outras. Além disso, que as sociedades não são monolíticas e que, com o passar do tempo, mesmo com fatores de continuidade, existem os de ruptura, que caracterizam, assim, cada época.
Resumidamente, o Egito desenvolveu-se ao longo do Nilo, que servia como meio de transporte, lingando o Alto e o Baixo Egito, grosso modo, Norte e Sul, permitindo a extensão da fronteira sul até o atual Sudão – de onde os egípcios chegaram a extrair ouro. Em virtude do rio, os egípcios desenvolveram a irrigação para incrementar a agricultura, diques para conter suas cheias e reservatórios de água. No âmbito externo, tinham contato e transações comerciais com povos que habitavam a região do atual Oriente Médio.
Agrega-se que o Egito teve mais de trinta dinastias, faraós (reis com caráter divino, que recebiam a adoração dos seus súditos e, ao mesmo tempo, eram sumo sacerdotes), sendo este indivíduo considerado o próprio Estado, que, a seu turno, era teocrático. No topo da pirâmide social estavam, além dos faraós, os sacerdotes, a aristocracia guerreira e os escribas. Em uma economia agraria e pastoril, a base era formada por artífices, camponeses e escravos.
Por fim, sobre o Egito Antigo é correto afirmar que, neste período histórico, havia significativo conhecimento da medicina (comparativamente a outros povos da época) em virtude do processo de mumificação (que envolvia aspectos religiosos) e consequente contato com o corpo humano; foram construídas as conhecidas pirâmides de Gizé (que são templos funerários e pela necessidade de fazer obra de tão alto porte em curto período, a construção impactou negativamente a economia); o emprego da matemática para a construção das pirâmides; e até mesmo indícios de atividades de proteção/amparo que alguns autores fazem analogia com atividades securitárias da atualidade, pois pedreiros contribuíram para uma espécie de fundo coletivo, a fim de ajudá-los em casos de “acidentes de trabalho”, como os que recorrentemente ocorriam nas obras das pirâmides.

 

 

Mesopotâmia

Sobre a Mesopotâmia menciona-se, primeiramente, que o termo é proveniente do grego, significando, em português, entre rios. Neste caso, refere-se à área entre o Tigre e o Eufrates – os mesmos rios que estão presentes na narrativa bíblica (Genesis 2), sendo esta a região da localização do Jardim do Éden de acordo com o livro sagrado cristão. Na atualidade, a Mesopotâmia antiga confunde-se com parte do território do Iraque.
Grosso modo, a Mesopotâmia foi ocupada por vários povos. Os mais citados são os sumérios, acádios, amoritas, assírios e caldeus, que desenvolveram, por vários séculos, atividades mercantis, culturais (como a escrita e a literatura) e político-administrativas, como as diversas teocracias espalhadas pela região.
Em torno de 2.000 a.C., a cidade da Babilônia iniciou um significativo processo de desenvolvimento e, ainda, exerceu influência nas urbes em seu entorno. Porém, foi no período do reinado do amorita Hamurábi (c.1792 – 1750 a.C.), que o poderio babilônico expandiu-se ao longo da Mesopotâmia.
Sobre o referido rei, este é conhecido pelo Código do Hamurábi, encontrado em 1901, em Susa, no atual Irã, por arqueólogos franceses, sendo, hoje, parte do acervo do museu do Louvre, em Paris. Entendido como o principal legado mesopotâmico em termos de lei, com 282 artigos, que versavam sobre aspectos relativos à medicina de então, questões familiares, como o divórcio (podendo este ser, inclusive, demandado pela mulher), econômicas (com a previsão de que participantes de um empreendimento comercial, como mercadores, se associassem para ressarcir aquele que sofresse alguma avaria em suas viagens comerciais) e políticas, contendo as obrigações do líder máximo da Babilônia para com os seus súditos.
Ainda sobre o Código, com esse o rei agia no sentido de promover a unidade jurídica dos seus domínios, bem como este conjunto de leis tinha como princípio a leio de Talião (palavra derivada do latim talionis, que significa “como tal”, “idêntico”), ou seja, “Olho por olho, dentre por dente”. Assim, a punição baseava-se na reciprocidade do crime e da pena.
Também durante o seu reinado, Hamurábi teve como princípios políticos-administrativos a organização do Estado, a burocracia centralizada e o objetivo de recompor economicamente os seus domínios. Concomitantemente, o rei esteve envolvido em vários conflitos pelo controle da Mesopotâmia, sendo que, após a morte de Hamurábi, a Babilônia entrou em decadência.
Entre os séculos IX e VIII a.C. os assírios dominaram regiões da Babilônia, bem como da Síria, Palestina e Egito. Ao mesmo tempo associado por parte da historiografia relativa à Antiguidade à extrema violência de suas ações militares, o Império Assírio teve em Nínive uma grande biblioteca, cujo acervo estava escrito em tabletes de argila – fato, inclusive, que permitiu que parte de suas obras chegasse à atualidade.
Com o óbito do rei assírio Assurbanipal (690 – 627 a.C.), o caldeu Nabopolossar (625 – 605 a.C.) liderou, juntamente com outros povos da Mesopotâmia, levante contra o domínio dos assírios. Nínive foi destruída e Nabopolossar migrou para a Babilônia e transformou a cidade na capital do segundo Império da Babilônia, também designado como Neobabilônico. Nessa época houve, no período de 605 – 562 a.C., o reinado de Nabucodonosor II (c.634 – 532 a.C.) – personagem que também consta da narrativa bíblica – sendo uns dos agentes responsáveis pelo exílio do povo hebreu na Babilônia.
O Império Neobabilônico contribuiu para o conhecimento científico de então. Em virtude dos credos religiosos vinculados aos astros, na Babilônia de Nabucodonosor II desenvolveram-se estudos sobre os corpos celestes. Assim, a partir de questões vinculadas ao universo religioso, houve o desenvolvimento da astronomia e da matemática. Ampliou-se, igualmente, nestes tempos, os saberes relacionados à medicina e à farmacologia.
A cidade da Babilônia chegou a ter mais de 200.000 habitantes – aproximadamente o mesmo número de almas que municípios brasileiros como Cabo Frio (RJ), Passo Fundo (RS) e Chapecó (SC) abrigam e, na Europa, Cascais (Portugal), Bourdeaux (França) e Pádua (Itália) possuem. Apesar do alto número de habitantes para a época e do desenvolvimento intelectual que a Babilônia logrou, o segundo Império teve duração efêmera. Em 539 a.C. foi invadido pelos persas, liderados por Ciro e, a partir de 330 a.C., a região caiu sob o jugo grego. 

 

 

 

Hebreus

Também originários da região da Mesopotâmia, mais precisamente de Ur, na Caldeia, estão os hebreus. Não é a única, mas uma importante fonte (e de fácil acesso à sociedade ocidental contemporânea) para a reconstituição de parte da história deste povo é a Bíblia. Encontra-se, no Velho Testamento, mais especificamente no livro de Gênesis, o surgimento dos hebreus, com o patriarca Abraão (c. 1.800 a.C.) – sendo o personagem bíblico contemporâneo ao amorita Hamurábi, trabalhado anteriormente.
Abraão estava inserido em uma cultura politeísta e, conforme relatado em Gênesis, YHWH (Javé/Jeová/Em hebraico, יהוה‎) revelou-se ao patriarca como o único Deus, sendo, à altura, o monoteísmo algo extremamente novo e uma especificidade do povo que estava a ser formado a partir do caldeu. Na aparição, Deus prometeu a Abraão e à sua descendência as terras da Palestina, bem como criar, a partir deles, um povo numeroso, incontável como as estrelas do céu.
Uma vez na terra prometida, Abrãao e seus descendentes viviam da agricultura e do pastoreio, até que, em torno de 1.700 a.C., em um contexto de adversidades, estes emigraram para o Egito, onde terminaram sendo escravizados pelos faraós por aproximadamente 400 anos.
Por volta de 1.300 a.C., segundo a tradição judaico-cristã, Deus escolheu Moisés como libertador dos hebreus. Na fuga do Egito e da perseguição das tropas de Faraó, de acordo com o livro de Gênesis, Deus abriu o mar Vermelho para os hebreus fugirem do cativeiro egípcio. No deserto, deu-lhes os Dez Mandamentos. A partir deste código de conduta, os hebreus ganhavam regras religiosas, como cultuar, adorar e servir somente ao único e verdadeiro Deus, YHWH, que havia revelado-se séculos antes a Abraão, e, também, normas morais, como não matar, não furtar, não adulterar e não cobiçar o que é do próximo.
Após a morte de Moisés, seu sucessor, Josué, liderou os hebreus na missão em direção à Terra Prometida. O livro de Josué narra estes adventos, encontrando-se aí episódios como a destruição das muralhas de Jericó (tida como a mais antiga cidade da História, tendo surgido na Palestina em torno de 9.000 a.C.) e a conquista da terra que Deus prometera séculos antes ao patriarca Abraão.
Uma vez estabelecidos na Terra Prometida, os hebreus foram governados por Juízes (uma teocracia que durou aproximadamente 450 anos) e, posteriormente, pelos reis Saul (c.1020 a.C), Davi (1004 – 965 a.C.) e Salomão (965 – 930 a.C.). Esses reinados duraram cerca de 100 anos, perpassando os séculos XI e X a.C. Segundo a tradição bíblica, Salomão é o homem mais rico de toda a Terra até os dias de hoje. O reinado de Davi foi um período de apogeu dos hebreus – inclusive a bandeira do atual Estado de Israel faz menção ao referido monarca, com sua estrela gravada. Também foi nos tempos deste rei que Jerusalém tornou-se a capital do reino de Davi.
Segundo os relatos bíblicos, Davi errou inúmeras vezes, porém, o seu verdadeiro arrependimento e a sua intensa busca a YHWH acabaram por fazer-lhe um homem segundo o coração de Deus. Desse modo, surgiu a promessa divina de levantar da descendência de Davi o Messias (II Samuel 7:12), o redentor de Israel e da humanidade, o Cristo – para os cristãos, esse descendente é Jesus, o primogênito de José e Maria (ambos descendentes de Davi), o Deus que encarnou e nasceu da virgem para salvar o homem de suas misérias terrenas e espirituais, bem como para dar a salvação eterna a todo aquele que crer que Ele seja o Messias  (Mateus 1:1, Lucas 3:23-38, Atos 2:29-30, 2 Timóteo 2:8). O Jesus dos cristãos ainda foi definido por João Batista como “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”(João 1:29).
Retomando os tempos de Salomão, mais especificamente à questão da sucessão ao trono de Israel, pode-se afirmar que este foi um processo turbulento, que culminou na divisão do antigo reino de Davi em dois: o do norte, Israel, com capital em Samaria, tendo como rei Jeroboão, e o do sul, Judá, sendo Jerusalém a sua capital, e Roboão, filho de Salomão, o seu rei. As tramas envolvendo a cisão de Israel e os aspectos políticos e militares desse tema da História estão no Antigo Testamento, mais especificamente em I Reis.
Na década de 720 a.C., a expansão dos assírios levou-os a conquistar Israel, levando consigo vários dos seus habitantes para a Assíria. Em 586 a.C., durante o reinado de Nabucodonosor II, o Império Neobabilônico conquistou Judá, destruiu Jerusalém e levou para o exílio boa parte da população hebreia. Só permaneceram na região os mais pobres. Os mencionados acontecimentos estão em II Reis, bem como nos livros bíblicos de diversos profetas, que, segundo a tradição judaico-cristã, foram usados por YHWH para advertir aos hebreus que os seus maus caminhos, contrários aos padrões espirituais e morais divinos, culminariam na sua subjugação aos seus inimigos. Assim, Amós e Oseias profetizaram para Israel e Joel, Isaias, Miqueias, Naum, Habacuque, Sofonias e Jeremias trouxeram revelações divinas aos habitantes e lideres políticos de Judá.
No exílio babilônico surgiram conhecidos personagens da tradição judaico-cristã, como, por exemplo, o profeta Daniel, que por ser de família abastada de Jerusalém fez parte da corte de Nabucodonosor II; seu contemporâneo Ezequiel, que, no exílio, profetizou o retorno dos cativos à sua terra de origem; e Esdras e Neemias, que estiveram envolvidos no retorno dos exilados a Jerusalém – após decreto do rei da Pérsia, Ciro, de c. 538 a.C., que permitiu o retorno dos judeus à cidade santa.
A região da Palestina ainda passou pelos domínios persa (450 – 333 a.C.), macedônico (333 – 323 a.C.), egípcio (323 – 198 a.C.), sírio (198 – 166 a.C.) e romano (a partir de 63 a.C.).

 

 


Fenícios

Comumente, sobre os fenícios, esses estabeleceram-se, em aproximadamente 3.000 a.C., na área que abarca partes do que hoje é o Líbano e a Síria. Sua organização política dava-se através de cidades-estados, que, muitas das vezes, rivalizavam entre si. Economicamente, em função de ocuparem uma estreita faixa de terra do atual Oriente Médio e terem significativo território banhado pelo Mediterrâneo, a opção marítima foi adotada por este povo, que destacou-se pela atividade mercantil, estabelecendo uma série de colônias em áreas do norte da África e do sul da Europa.
Observa-se, então, que os fenícios chegaram a realizar intercâmbios comerciais com áreas tão distantes entre si como a Península Ibérica e o Reino de Israel. Além disto, entre os fenícios havia os trabalhos livre e escravo.
No que refere-se às principais cidades, podem ser mencionadas Biblos (2.500 a.C.), Sidon (1.500 – 1.300 a.C.) e Tiro (do século XII ao VI a.C.), que tiveram seu auge em função das atividades comerciais marítimas nos períodos apresentados. Por demandas da atividade mercantil, em substituição aos hieróglifos, os fenícios desenvolveram uma escrita própria, com 22 letras, que, posteriormente, foi adotado por gregos e romanos, resultando, em período bastante posterior, no alfabeto da língua portuguesa e, igualmente, de tantos outros idiomas do Ocidente.
A decadência de Tiro deu-se em função da concorrência de comerciantes gregos e de Cartago – fundada pelos fenícios no norte da África. Os cartagineses acabaram por conquistar diversas colônias fenícias em solos europeu e africano. Igualmente, a região ocupada pelos fenícios no atual Oriente Médio foi invadida por persas, macedônios e por Alexandre, o Grande.

 

 

Pérsia
De uma maneira geral, quando fala-se da Pérsia, faz-se analogia com o atual Irã, país que abriga parte importante dos vestígios da referida civilização antiga. No século VI a.C., tendo o imperador Ciro à frente, os persas estenderam-se em direção à Ásia Menor e à Babilônia. Cambises e Dario I, sucessores de Ciro e, respectivamente, seu filho e neto, expandiram a fronteira até o norte da África e alcançaram as margens do Danúbio, na Europa, e do Indo, na Ásia Central. Por outro lado, malograram no intento de conquistar a Grécia.
Resumidamente, a estratégia de dominação persa consistiu em negociações políticas com os elementos provenientes das áreas conquistadas, permitindo, assim, que diversos atores locais comandassem as regiões subjugadas e mantivessem suas tradições. Porém, não pode-se ignorar que os invasores estabeleciam exigências aos povos conquistados. Esses deveriam pagar tributos obrigatórios ao Imperador persa e, ainda, conviviam com a coerção militar.
Como os demais impérios e reinos tratados nos tópicos anteriores, o Persa também sucumbiu frente a uma nova força que surgia no mundo antigo: o Império Macedônico, em 330 a.C..

Vista geral do Castelo de Vila da Feira: construção medieval em Portugal.
Vista geral do Castelo de Vila da Feira: construção medieval em Portugal.

476 d.C. e 1453 d.C.. Estes anos são, usualmente, os mais aceitos como o início e o fim do período designado como Idade Média. O marco inicial deve-se à deposição do último imperador romano, Rômulo Augusto, aquando da invasão da cidade pelos povos comumente definidos como bárbaros. O corte temporal final, à queda de Constantinopla (atual Istambul).
Juntos, esses séculos ganharam a nomenclatura Idade Média no século XV, quando os indivíduos da Europa da Idade Moderna (1453 – 1789) passaram a tratar os últimos mil anos da História monoliticamente, como um longo período de atraso e de pífio desenvolvimento econômico, cultural e social. Observa-se, inclusive, que, ainda hoje, muitas das vezes, designar algo como Medieval significa dar-lhe conotação negativa e/ou pejorativa, bem como o termo Idade das Trevas acaba, equivocadamente, por ser definidor desse longo período histórico.
Identifica-se, então, que o referido entendimento para praticamente mil anos de História é simplista, ignorando as diversas dinâmicas sociais que ocorreram no período e as múltiplas realidades existentes no âmbito europeu – basta uma breve comparação entre a península Ibérica Islâmica, de cidades italianas como Gênova, Florença e Veneza e do Império Carolíngio. Observa-se, também, que o viés da Idade Moderna de interpretação do medievo ignora os elementos de continuidade da Antiguidade que permaneceram – ou ganharam ressignificação – na Idade Média. 
De igual modo, é-se esquecido que durante este período ocorreram invenções de novas técnicas para trabalhar a terra, como os Moinhos de vento, além do astrolábio árabe, importante para a navegação, ser outro invento medieval. Os primeiros estados nacionais surgiram neste período, como é o caso de Portugal. Além disso, em determinados períodos da Idade Média e em localidades da Europa houve significativo comércio e atividades financeiras – há até mesmo autores, como Gilberto Freyre, por exemplo, que afirmam que nesta época já existiam atividades securitárias. 
Por fim, a interpretação proposta pela Modernidade esquece-se de que foi justamente nesta era de suposto atraso e retrocesso que foram fornecidos aos indivíduos do século XV as condições intelectuais, econômicas e políticas para eles serem “modernos”.

 

Geralmente, o referido período é dividido em dois blocos: 
 

 

Alta Idade Média (séculos V ao X)
Com as invasões bárbaras e queda do Império Romano do Ocidente, houve, como uma das múltiplas consequências, a fragmentação dessa unidade político-administrativa. As diversas regiões que a compunham tiveram a redução drástica de contatos e comunicações entre si e com a península itálica. Inúmeros são os casos em que diversas regiões ou antigas províncias romanas passaram a caminhar por vias distintas, tendo destinos, por vezes, antagônicos. Como exemplo, no medievo, em 711, iniciou-se a dominação islâmica da península Ibérica, ao passo que outras partes do antigo Império, como o Reino Franco, era importante baluarte do catolicismo da Idade Média.
Em linhas gerais, ao período aqui estudado pode-se associar, também, a ruralização da Europa, o surgimento dos feudos, o decréscimo das atividades comerciais, a queda demográfica das áreas urbanas e o aumento do poderio da Igreja Católica. Ressalta-se, no entanto, que esta não foi a realidade de todo o período medieval ou da totalidade dos territórios que compunham o antigo Império Romano. Concomitantemente, desenvolviam-se as civilizações bizantina e mulçumana.

 

Baixa Idade Média (séculos XI ao XV)
Se ao período anterior pode-se vincular o desenvolvimento bizantino, por outro lado, a esse associa-se a decadência de Bizâncio. O marco mais aceito como o final da Baixa Idade Média – e da Idade Média em geral – é justamente a queda de Constantinopla, a capital do Império Bizantino, quando esta sucumbiu ao Império Otomano, liderado por Maomé II.
Na parcela que compunha a parte ocidental do Império Romano, houve a criação dos primeiros Estados Nacionais, a centralização monárquica, a organização das cruzadas, a expansão das atividades comerciais e as crises do feudalismo e da Igreja Católica.
Como exemplo de acontecimentos da Baixa Idade Média pontua-se a crescente atuação comercial de Veneza no Mediterrâneo, a controlar rotas e a acelerar as trocas entre ocidentais e orientais. Também salienta-se a Guerra dos Cem Anos (1337 – 1453) entre a França e a Inglaterra. Menciona-se, ainda, a peste negra, que impactou profundamente a demografia europeia de então, pois dizimou entre 25 e 35% de sua população, sendo os mais atingidos os habitantes das áreas urbanas, inclusive pelas cidades serem propensas à disseminação de doenças, por fatores como a ausência de saneamento básico.
No campo intelectual, destaca-se que foi neste período que houve o surgimento das universidades e, ainda, não podem-se ser esquecidos personagens como Tomás de Aquino (1225 – 1274), que colaborou para o desenvolvimento do saber nos campos teológico e filosófico e os poetas Boccaccio (1313-1375), cuja obra-prima é "Decameron", e Danti Alighieri (1265 – 1321), de Florença, que escreveu sua principal obra, a Divina Comédia, em sua língua local, a abandonar, portanto, o latim.

 

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Antiguidade

Em relação a esse período, normalmente, o seu corte temporal é do surgimento da escrita à queda de Roma, em 476, com a deposição de Rômulo Augusto, último imperador do Império Romano do Ocidente. A designação vem dos iluministas do século XVIII, inicialmente abarcando Grécia e Roma e, posteriormente, o Egito e o Oriente Médio. Atualmente, inclui-se nesta fase da História da humanidade, por exemplo, a África negra, os americanos Incas, Astecas e Maias, além da China e da Índia. Por fim, a temporalidade ora estudada pode ser dividida entre Antiguidade Oriental e Clássica.

a)   Oriental

      Egito
      Mesopotâmia
      Fenícia
      Israel


b)  Clássica
     Grécia
     Roma

 

 

 

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sala de aula história mapa américasInicialmente, para uma breve reflexão sobre a História, é fundamental entendê-la como um processo em que há a interação de diversos aspectos da sociedade, como a política, a economia e a cultura. Estudá-la e realizar pesquisa nessa área do saber deve estimular a reflexão, a análise do passado e, também, do tempo presente – assim, nunca a interpretar a referida área como mera curiosidade sobre fatos de outrora.
Com a História não volta-se no tempo, mas com as fontes que o passado deixou (como  periódicos, cartas, diários, balanços contábeis, relatórios de empresas, processos judiciais, leis, ofícios, aquarelas, fotografias, romances, poemas…), os fatos de outrora são reconstituídos minuciosamente como em filmes e seriados de investigação criminal. Analisam-se, assim, outros tempos, outras formas de sociedade, indivíduos, grupos sociais, organizações empresariais, dentre outros.
Evidentemente, como em tantos outros processos de pesquisa de distintas áreas do conhecimento, na História há de indagar-se sobre a legitimidade da(s) fonte(s). O pesquisador deve analisar a subjetividade do material utilizado, as intenções do seu autor ao produzi-lo e as eventuais distorções que as fontes podem vir a conter. Enfim, não se pode aceitar os dados contidos nas fontes de pesquisa passivamente como se esses fossem os únicos portadores de toda a verdade. Comumente, a História é dividida em diversos períodos e para cada corte temporal é-se estabelecido um marco:

 

1) Pré-História ou Idade da Pedra, subdivida em:

a) Paleolítico (do grego: palaiós + lithos) ou Idade da Pedra Lascada

2,5 milhões a.C. – 10.000 a.C.

Nesta altura os humanos eram nômades, viviam da pesca, da caça e da coleta. Neste período desenvolveram-se, por exemplo, a pintura em cavernas, esculturas para cultos religiosos, ferramentas para a caça, etc.

 

b) Neolítico ou Idade da Pedra Polida

10.000 a.C. – 3.000 a.C.

Nesta fase, houve a sedentarização do homem e o consequente plantio agrícola, comércio, mesmo que a envolver o escambo, e o mutualismo, em que um conjunto de pessoas constituía reserva econômica para dividir o risco de um acontecimento não previsto, geralmente a envolver as atividades comerciais.

É, também, desta temporalidade, o surgimento dos primeiros núcleos urbanos na região do atual Oriente Médio: Jericó (c.9.000 a.C.) e várias outras cidades na Mesopotâmia (4.500-3750 a.C.), que centralizavam atividades políticas, econômicas, administrativas e religiosas. 

Essa época também assistiu à produção do fogo por atrito, à fundição de metais e ao aumento populacional em função da mencionada sedentarização. 

Iniciou-se, então, nesse período, sociedades mais complexas, que permitiram aos humanos de então a desenvolverem novos tipos de comunicação, que levaram à escrita. 

 

 

2) Período Histórico 

Tablete de argila cozida em escrita cuneiforme suméria.
Tablete de argila cozida em escrita cuneiforme suméria.

A partir de c.3.500 a.C.: 

Esse período ganhou essa denominação em virtude dos historiadores do século XIX, quando esses indivíduos acreditavam que só haveria a possibilidade de narrar a História de uma época apenas a partir da existência da escrita. Antes dessa não haveria como redesenhar a História de um determinado tempo. É no “período histórico” que surgiu, na região da Mesopotâmia, a escrita, denominada cuneiforme (do latim, cuneus).

 

Também, usualmente, divide-se o referido “período histórico” da maneira a seguir:

 

• Antiguidade (Marco histórico/crepúsculo: queda do Império Romano, 476 d.C.)

• Idade Média (476 d.C. – 1453 d.C./Queda de Constantinopla)

• Idade Moderna (1453 – 1789/Revolução Francesa)

• Idade Contemporânea (1789 à atualidade)

 

 

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