Revista Tema Livre

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A Revista Tema Livre informa:




Niterói, terça-feira, 03 de março de 2015.

"Plenário aprova proposta que regulamenta profissão de historiador
Os deputados aprovaram o substitutivo da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público para o Projeto de Lei 4699/12, do Senado, que regulamenta a profissão de historiador e estabelece os requisitos para seu exercício. Devido às mudanças, a matéria retorna ao Senado."
Extraído de: Agência Câmara Notícias/http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/POLITICA/482614-PLENARIO-APROVA-PROPOSTA-QUE-REGULAMENTA-PROFISSAO-DE-HISTORIADOR.html

Assim, no último dia 03 de março foi dado importante passo para a regulamentação da profissão de historiador. Ainda falta a aprovação do Senado e a sanção presidencial.

Niterói, segunda-feira, 02 de março de 2015.

Projeto referente à regulamentação da profissão de historiador entra na pauta de votação da Câmara

Via ANPUH:

"PREZADOS(AS) ASSOCIADOS(AS) E AMIGOS(AS) DA ANPUH

O PROJETO DE LEI PARA REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO DE HISTORIADOR - O PL 4699/2012 - FOI INCLUÍDO NA PAUTA DE VOTAÇÕES DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PARA A PRÓXIMA SEMANA. AS SESSÕES DEVEM OCORRER NOS DIAS 3, 4 E 5 DE MARÇO. É UM GRANDE PASSO NA DIREÇÃO DA CONQUISTA DO NOSSO OBJETIVO E RESULTADO DOS NOSSOS ESFORÇOS DE NEGOCIAÇÃO E MOBILIZAÇÃO. NO ANO PASSADO CONSEGUIMOS A APROVAÇÃO DO PROJETO EM DUAS COMISSÕES DA CÂMARA, AGORA, FALTA O PLENÁRIO. NO ENTANTO, NÃO CANTAMOS VITÓRIA ANTES DA HORA. É PRECISO GARANTIR QUE O PROJETO SEJA EFETIVAMENTE VOTADO, E QUE O RESULTADO FINAL SEJA A APROVAÇÃO. É HORA DE NOS MOBILIZARMOS PARA MOSTRAR AOS DEPUTADOS A IMPORTÂNCIA DO PL PARA OS HISTORIADORES. SOLICITAMOS ASSIM, MAIS UMA VEZ, A SUA PARTICIPAÇÃO E O SEU EMPENHO. ENVIEM MENSAGENS PARA OS DEPUTADOS MANIFESTANDO APOIO À APROVAÇÃO DO PL4699/2012 - REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO DE HISTORIADOR."

LISTA COM OS ENDEREÇOS ELETRÔNICOS DOS DEPUTADOS NO SÍTIO DA ANPUH: http://site.anpuh.org/index.php/component/k2/item/2665-urgente-o-pl-4699-entrou-na-pauta-de-votacoes-da-camara




Niterói, quarta-feira, 28 de janeiro de 2015.

Historiador José Murilo de Carvalho recebe título de Doutor Honoris Causa na Universidade de Coimbra.

Da Redação


O historiador José Murilo de Carvalho recebeu, hoje, 28 de janeiro de 2015, o título de doutor honoris causa em Letras na Universidade de Coimbra (UC). A cerimónia ocorreu na Sala dos Capelos, a partir das 10:00h (horário local). O novo doutor teve como apresentante o Prof. Dr. Carlos Reis (UC) e os elogios feitos pelos Prof. Dr. Fernando Catroga (UC/elogio do doutorando) e Prof. Dr. José Augusto Bernardes (UC/elogio do apresentante). Destaca-se que o evento marca a abertura da comemoração dos 725 anos da UC e, ainda, que amanhã, 29 de janeiro, José Murilo de Carvalho vai realizar na instituição lusa a conferência "a Universidade de Coimbra e a História do Brasil".


Um dos poucos intelectuais brasileiros que concilia cadeiras na Academia Brasileira de Letras e na Academia Brasileira de Ciências, José Murilo de Carvalho é, segundo o reitor da UC, provavelmente, o maior historiador brasileiro vivo, uma das razões para o pesquisador brasileiro ser laureado pela universidade portuguesa. Outro motivo é o vínculo da obra intitulada "A construção da ordem - teatro da sombra" com a UC. Neste trabalho, José Murilo de Carvalho apontou que os responsáveis pela independência do Brasil, bem como aqueles que seguiram na administração imperial, eram, na sua maioria, formados na UC, permitindo que os segmentos dominantes do Brasil tivessem um projeto semelhante para a nação que estava a formar-se. Evitava-se, então, que o Brasil se fragmentasse, como ocorria, concomitantemente, com os domínios de Madrid nas Américas.


José Murilo de Carvalho
Conhecido publicamente nos meios intelectuais brasileiros e estrangeiros, José Murilo de Carvalho foi, desde 1997, professor do Instituto de História (IH) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sendo hoje professor emérito da referida autarquia. O historiador obteve seu mestrado e seu doutorado, respectivamente, em 1968 e 1975, em Standford, EUA. Também nesta instituição norte-americana, José Murilo de Carvalho realizou o seu primeiro pós-doutorado (1976-77). O segundo foi na Universidade de Londres (1977). Além disto, como professor visitante, o pesquisador passou por diversas universidades, como as de Leiden (Holanda), Oxford (Inglaterra), Irvine (California, EUA) e pela Ecole des Hautes Études en Sciences Sociales (França).


Dentre os livros que escreveu individualmente, somados aos que organizou e participou com capítulos, vários deles tiveram edições no exterior ou reedições no Brasi, a totalizar, assim, esta soma, mais de 100 livros editados. Pode-se encontrar, portanto, ao menos parte da obra de José Murilo de Carvalho em outros idiomas que não sejam o português, como, por exemplo, o inglês, o francês e o espanhol.


Dentre os vários prêmios e títulos recebidos, o historiador ganhou, duas vezes, o Jabuti (1991 e 2008), principal prêmio literário do Brasil e, uma vez, o Casa de las Américas, em Cuba (2004), em virtude do livro "Cidadania no Brasil: o longo caminho". Recebeu, ainda, o título de pesquisador emérito do CNPq (2008) e foi classificado pelos jornais "O Globo" (2006) e "Jornal do Brasil" (1989), respectivamente, como um dos "100 brasileiros geniais" e "Homem de Idéias". Ao seu vasto currículo, José Murilo de Carvalho agrega duas comendas: medalha de Oficial e Comendador da Ordem de Rio Branco, do Itamarati (1989), e a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico, dado pela presidência da República (1998).


Acervo Tema Livre

Para reler entrevista do Prof. Dr. José Murilo de Carvalho concedida à Revista Tema Livre:




Para rever a posse do historiador José Murilo de Carvalho na ABL:






Na TV
José Murilo de Carvalho no Jô Soares (Rede Globo):



José Murilo de Carvalho no Roda Viva (TV Cultura):


José Murilo de Carvalho no Programa Caminhos da Reportagem (TV Brasil):

José Murilo de Carvalho recebe o título de professor emérito (TV UFRJ):




Niterói, quinta-feira, 08 de janeiro de 2015.

EDUFF tem novo diretor, o historiador Aníbal Bragança.


Bacharel em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), mestre e doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), Aníbal Bragança foi nomeado, no último dia 7, pelo reitor Sidney Mello, novo diretor da Eduff.
Professor Associado da UFF até o julho de 2014, quando aposentou-se, Aníbal Bragança exerceu a docência e a pesquisa na instituição fluminense durante 29 anos, desenvolvendo investigações no campo do livro e da leitura. O historiador é autor de obras como "Livraria Ideal, do cordel à bibliofilia" (EdUSP, 2009) e co-organizador, dentre outros, do livro "Impresso no Brasil, dois séculos de ?livros? brasileiros" (Edunesp, 2010), que recebeu o Prêmio Jabuti de melhor livro do ano na área de Comunicação.
A aproveitar o ensejo, convidamos os amigos a relerem a entrevista concedida pelo Prof. Dr. Aníbal Bragança à Revista Tema Livre:
www.revistatemalivre.com/anibal12.html







Niterói, 13 de agosto de 2014. Morre o historiador Nicolau Sevcenko
Descendente de ucranianos que chegaram ao Brasil fugidos da Revolução Russa, Nicolau Sevcenko nasceu,em 1952, em São Vicente, no Estado de São Paulo. Ao longo de sua trajetória, o historiador passou instituições nacionais e internacionais, como Havard, nos EUA, e o King's College da Universidade de Londres, no Reino unido, por exemplo.
Ao longo de sua trajetória acadêmica, o pesquisador introduziu no Brasil estudos concernentes à História Cultural e dedicou pesquisas a grandes metrópoles, como Rio de Janeiro e São Paulo.
No final da noite de hoje foi confirmado o falecimento do Prof. Dr. Nicolau Sevcenko, em São Paulo, aos 61 anos. Provavelmente, o pesquisador foi vítima de um infarto. Casado, o historiador não deixa filhos.
Veja o historiador em programa da TV Cultura:



https://www.youtube.com/watch?v=CxFaHUusv5g



Mais sobre Sevcenko
Livre-docência (1992)
Universidade de São Paulo, USP, Brasil.
Título: orfeu extático na Metrópole: São Paulo nos frementes anos 20.

Pós-Doutorado (1986 - 1990)
University of London.

Professor/pesquisador da USP desde 1985.

Doutorado em História Social: USP (1976 - 1981)
Título da tese: Literatura como Missão: tensões sociais e criação cultural na Primeira República

Graduação em História: USP (1972 - 1975)

Principais obras:

A Revolta da Vacina: mentes insanas em corpos rebeldes. São Paulo: CosacNaify, 2010.
Literatura como Missão: tensões sociais e criação cultural na Primeira República. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
A corrida para o século XXI: no loop da montanha-russa. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
Pindorama revisitada: cultura e sociedade em tempos de virada. São Paulo: Editora Fundação Peirópolis, 2000.
História da Vida Privada no Brasil: da Belle èpoque à era do rádio. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
Arte Moderna: os desencontros de dois continentes. São Paulo: Memorial da América Latina, 1995.
Orfeu Extático na Metrópole: São Paulo nos frementes anos 20. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
Primeira Pagina - Folha de Sao Paulo, 1925-1985.. São Paulo: Folha de São Paulo, 1985.




Niterói, 19 de setembro de 2013.

Uma outra Carlota

Evento realizado na Biblioteca Nacional apresenta novo perfil de Carlota Joaquina, fruto de recentes pesquisas desenvolvidas no âmbito das universidades brasileiras.


A Biblioteca Nacional teve como convidados, na última terça-feira (17) , para o ciclo de debates "Biblioteca Fazendo História", os historiadores Francisca Azevedo (UFRJ) e Fábio Ferreira (UFF). O evento ocorreu no auditório Machado de Assis e teve como tema "Carlota Joaquina e as conspirações na corte". O debate, mediado por Marcello Scarrone, durou quase duas horas e foi transmitido, ao vivo, através do Instituto Embratel.


À esquerda, a Prof.ª Dr.ª Francisca Azevedo (UFRJ). À direita, o Prof. Dr. Fábio Ferreira (UFF). Ao centro, Marcello Scarrone, mediador do debate.



Na ocasião, a Prof.ª Dr.ª Francisca Azevedo mostrou ao público o porquê do tratamento caricaturarizado de Carlota Joaquina. A historiadora apontou que este perfil deve-se, basicamente, a dois fatores. O primeiro, a questões de gênero, pois os contemporâneos da princesa do Brasil e da Rainha de Portugal realizaram relatos depreciativos pelo fato da personagem não enquadrar-se no papel que esperava-se de uma mulher da época. Carlota intervinha em situações e arranjos políticos reservados aos homens. Era decidida e afrontava-os. "Um dos relatos é o de madame Junot, extremamente preconceituoso em relação às sociedades ibéricas e, assim, ela foi implacável com Dona Carlota. Ela queria que Carlota fosse tal qual uma aristocrata francesa" contou Francisca Azevedo aos participantes do debate e complementou "Oliveira Lima, um dos maiores escritores sobre o período joanino, absorveu as ideias de madame Junot para reconstituir a imagem de Carlota Joaquina."


Outra razão mencionada por Francisca Azevedo foi a historiografia liberal e a republicana. Inicialmente, Carlota Joaquina tinha a simpatia dos liberais de Portugal, pois sempre desejou abandonar o Brasil e retornar à península ibérica. No entanto, uma vez de volta à Europa, frente ao controle que os liberais tinham de Portugal, a Rainha consorte indispôs-se com este grupo político. Rejeitou assinar a carta constitucional, bem como, posteriormente, apoiou as pretensões absolutistas de D. Miguel. Além de não emoldurar-se no papel social dado às mulheres da época, Carlota Joaquina mostrava-se favorável ao absolutismo. Quando intelectuais liberais debruçaram-se para escrever suas versões da História de Portugal e do Brasil trataram Carlota Joaquina depreciativamente.


No evento, Francisca Azevedo analisou o cartaz do filme "Carlota Joaquina, Princesa do Brasil" (Brasil, 1995), de Carla Camurati.
Segundo a historiadora, a imagem reflete o imaginário popular sobre a personagem: luxuria e arrogância.




Em sua fala, o Prof. Dr. Fábio Ferreira apontou as pretensões de Carlota Joaquina de assumir a regência da Espanha, uma vez que seus familiares estavam aprisionados na França por Napoleão Bonaparte. Narrou que Carlota Joaquina articulou com importantes lideranças políticas da Península e das Américas, a mencionar o portenho Manuel Belgrano como um dos exemplos. Fabio Ferreira mostrou que frente aos benefícios que o Rio de Janeiro recebeu com a presença de D. João, cidades como a do México e Buenos Aires tentaram levar Carlota Joaquina para comandar o Império espanhol a partir dos seus respectivos territórios. O historiador mostrou o perfil de articuladora política da esposa de D. João, bem como dados empíricos que mostram que Carlota destoava das mulheres de então.


O pesquisador ainda levou ao público que, por diversos momentos, Carlota Joaquina quase alcançou o poder político. Primeiramente, pelos diversos abortos de sua mãe, que não dava descendência varonil à casa de Bourbon havia a expectativa de Carlota Joaquina ser, futuramente, a rainha da Espanha. Porém, quando Carlota tinha praticamente 10 anos, nasceu o primeiro varão dos Bourbon, o futuro Fernando VII, malogrando a possibilidade da então infanta espanhola de vir a chegar ao trono. Prosseguindo, o historiador Fábio Ferreira contou que, por pouco, na conspiração do Alfeite (1806), Carlota Joaquina não tornou-se regente de Portugal, no lugar de D. João. Também, por um triz, na ocasião do aprisionamento de sua família de origem, Carlota Joaquina não foi regente da Espanha. Por fim, por bem pouco, o projeto carlotista não vingou no Prata. Em tom de brincadeira, Fábio verbalizou que "Me dá a impressão que Carlota era azarada! Inúmeras vezes ela flerta com o poder político, quase o alcança, mas, por diversas circunstâncias, ela nunca o alcança."


"A Espanha revogou a lei sálica (que impedia que mulheres chegassem ao tronol) em função de Carlota Joaquina,
para que existisse a possibilidade dela vir a torna-se, futuramente, rainha espanhola. Mas, com o nascimento de
seu irmão Fernando (1784), anulava-se, ao menos neste momento, a possibilidade de
Carlota Joaquina governar a Espanha." disse o historiador Fábio Ferreira.



Uma questão levantada pelo público presente foi relativa à possibilidade de Carlota Joaquina ter tido vários amantes. "Se a D. Carlota teve ou não teve, não posso dizer! Pesquisei em arquivos do Brasil, da Argentina e da Espanha e não encontrei documentos que comprovem. Se ela tinha, ela fez tudo muito bem feito, de maneira que não deixasse provas!" disse Francisca Azevedo. Por outro lado, o historiador Fábio Ferreira expôs que "Praticamente ninguém se lembra que D. João chegou a ter uma filha com uma de suas amantes".


Em tom de um leve bate-papo e em função de recentes pesquisas científicas desenvolvidas no âmbito das universidades brasileiras, o evento trouxe ao público uma Carlota Joaquina diferente da representada por séculos, seja por boa parte da historiografia em língua portuguesa, seja por parte de produções que alcançaram a TV e o cinema brasileiros, que acabaram por enveredar pela abordagem do personagem histórico pelo viés caricatural e depreciativo. Os historiadores Fábio Ferreira e Francisca Azevedo foram categóricos ao afirmar que a Carlota Joaquina que emerge das pesquisas acadêmicas é muito mais interessante e complexa do que a caricatura que é conhecida pela maioria da população.







Representações de Carlota Joaquina nas telas da TV e do cinema nos últimos 30 anos.



A Marquesa de Santos (Rede Manchete, 1984)


Personagem forte para uma grande atriz:
Bibi Ferreira interpreta Carlota Joaquina na minissérie baseada no livro de
Paulo Setúbal e adaptada por Carlos Heitor Cony e Wilson Aguiar Filho.






Dona Beija (Rede Manchete, 1986)


Carlota Joaquina (Xuxa Lopes): austera e sensual na trama baseada no romance do mineiro
Agripa Vasconcelos e adaptada para a TV por Wilson Aguiar Filho com direção de Herval Rossano e David Grinberg.







Carlota Joaquina, princesa do Brasil (Brasil, 1995)


Na sátira cinematográfica de Carla Camurati é a vez de Marieta Severo interpretar Carlota Joaquina.






O Quinto dos Infernos (Rede Globo, 2002)



Carlota Joaquina volta às telas em mais uma comédia com tons caricaturais. Desta vez, Betty Lago é quem dá vida à princesa do Brasil.
A minissérie foi escrita por escrita por Carlos Lombardi, Margareth Boury e Tiago Santiago, com direção geral de Wolf Maya.






Para saber mais sobre Carlota Joaquina no acervo da Revista Tema Livre:


- Entrevista com a Prof.ª Dr.ª Francisca Azevedo

- Artigo do historiador Fábio Ferreira sobre Carlota Joaquina e o Prata:
"A Presença Luso-brasileira na Região do Rio da Prata: 1808-1822"

- Lançamento do livro "Carlota Joaquina na corte do Brasil"

- Exposição sobre os 200 anos da chegada da corte ao Brasil: "Um Novo Mundo, Um Novo Império: A Corte Portuguesa no Brasil"

- Veja fotos do Palácio de Queluz, onde Carlota Joaquina passou parte de sua vida em Portugal.

- Paço Imperial: matéria sobre o centro político do Império português no período joanino




Niterói, 29 de junho de 2013

História de Luto: faleceu, na tarde de hoje, o historiador Ciro Flamarion Cardoso




Na tarde deste sábado, 29 de junho, faleceu, aos 70 anos, um dos maiores historiadores brasileiros, o Prof. Dr. Ciro Flamarion Cardoso, Titular de História Antiga e Medieval do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Ciro nasceu em Goiânia, em 1942. Graduou-se em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1965, e doutorou-se na mesma área na Université de Paris X, Nanterre, em 1971. Realizou seu Pós-Doutorado na New York University, em 1984.

Além disto, ao longo de sua trajetória, acumulou prêmios, publicou/organizou mais de 40 livros, formou doutores e foi professor da UFRJ, da PUC-Rio e de instituições na França e no México. À trajetória de Ciro agrega-se o desenvolvimento de pesquisas concernentes à Metodologia de Pesquisa Científica, à ocupação joanina da Guiana Francesa, à escravidão na América e ao Egito Antigo, tema ao qual dedicava-se nos últimos anos.

O velório de Ciro será no domingo, 30 de junho, das 10 às 14h na capela 1 do Parque da Colina, em Pendotiba, Niterói.







Niterói, 12 de junho de 2013

Perde-se Jacob Gorender



Faleceu, nesta terça, 11 de junho, o historiador Jacob Gorender, em função de um quadro infeccioso que o levou, à internação, há um mês. O intelectual marxista, nascido em Salvador, em 1923, era filho de imigrantes judeus ucranianos e contribuiu com a historiografia brasileira com diversos trabalhos, dos quais se destacam "O Escravismo Colonial", de 1978, "A burguesia brasileira", de 1981 e o "Combate nas Trevas", de 1987.

Na década de 1940, Gorender era universitário em Salvador, interrompendo seus estudos para lutar na Segunda Guerra Mundial, integrando as forças da FEB. Na década seguinte, mudou-se, primeiramente, para o Rio de Janeiro, onde atuou em jornais de esquerda e, depois, para São Paulo. Integrou o PCB e, em 1967, foi um dos fundadores do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR).

Durante o regime militar esteve preso e foi torturado e, nestas circunstâncias conheceu Dilma Rousseff. "Nós nos conhecemos presos no Dops, em São Paulo. Ele estava convalescente de torturas e foi conselheiro importante em um momento crucial na minha vida" declarou a presidente.

O velório do intelectual será realizado a partir das 8h no Cemitério Israelita do Butantã, onde ocorrerá, às 10h, o sepultamento.

Leia entrevista que o historiador concedeu ao Portal Imprensa em abril de 2006:
http://portalimprensa.uol.com.br/imagens_site/chamadas/20130611_jacobgorender.pdf

Leia a nota de pesar da presidente Dilma Rousseff:
http://www2.planalto.gov.br/imprensa/notas-oficiais/nota-de-pesar-da-presidenta-dilma-rousseff-pelo-falecimento-de-jacob-gorender





Hoje, dia 18 de maio, Dia Internacional dos Museus: homenagem à Quinta da Boa Vista.

Museu Nacional da Quinta da Boa Vista: lócus da História do Brasil

Na foto, Museu Nacional da Quinta da Boa Vista/UFRJ, no bairro imperial de São Cristóvão, Rio de Janeiro.

O prédio histórico que atualmente abriga o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, no bairro de São Cristóvão, na zona central do Rio de Janeiro, foi utilizado, ao longo do século XIX, como residência das famílias real portuguesa e imperial brasileira.

Nos séculos XVI e XVII, a área onde atualmente se localiza a Quinta, integrava uma fazenda dos Jesuítas nos arredores do que era a cidade do Rio da época. Com a expulsão da ordem religiosa do Império português por determinação de Pombal, décadas depois, quando o príncipe regente português D. João chegou à cidade (março de 1808), ele recebeu o prédio como presente do comerciante Elias António Lopes (natural do Porto, Lopes exerceu várias funções. Foi traficante de escravos, deputado da Real Junta do Comércio/RJ, corretor e provedor da Casa de Seguros da Corte, dentre outras atividades acumuladas).

Com a Independência do Brasil em 1822, o Palácio de São Cristóvão - designação utilizada em vários documentos da época - foi o local de residência de D. Pedro I. Além disto, neste prédio, nasceram D. Pedro II (1825, ano em que eclodiu a Guerra da Cisplatina), a futura rainha de Portugal, Dona Maria II (1819), e a princesa imperial Isabel (1846). Ao longo do século XIX o então Palácio de São Cristóvão sofreu reformas para a sua ampliação.

Com o advento da República (1889), o prédio sediou os trabalhos dos deputados que elaboraram a primeira constituição republicana (1891). Além disto, com o novo regime, o palácio foi desprovido de suas características internas originais, sendo estas destruídas ou vendidas após a Proclamação da República.

Atualmente, a Quinta da Boa Vista funciona como um parque, abrigando o Jardim Zoológico do Rio de Janeiro (com o Museu da Fauna) e, no antigo Palácio, o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, administrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Conheça o sítio da web do Museu Nacional: http://www.museunacional.ufrj.br
Porém, não restrinja-se à web! Vale a pena conhecer ou realizar nova visita à Quinta da Boa Vista!


Para saber mais/material referente ao período joanino/século XIX:
Tema Livre Especial: O Rio de Janeiro e D. João VI, Rei de Portugal, Brasil e Algarves. Exposição Internacional "Um Novo Mundo, Um Novo Império: A Corte Portuguesa no Brasil"
Paço Imperial - sede do poder político do Brasil e do Império português (século XIX)
Entrevista com a Profª. Drª. Francisca Lúcia Nogueira de Azevedo (PPGHIS/UFRJ) sobre Carlota Joaquina.
Artigo "Moeda e Crédito no Brasil: breves reflexões sobre o primeiro Banco do Brasil (1808-1829)" dos Profs. Drs. Elisa Müller e Fernando Carlos Cerqueira Lima, do Instituto de Economia da UFRJ.
Artigos do historiador Fábio Ferreira:
"As incursões franco-espanholas ao território português: 1801 - 1810"
(O texto apresenta, além dos fatos precurssores à saída de D. João de Portugal, em 1807, o que estava a acontecer neste reino enquanto o príncipe regente estava no Brasil)
"A Presença Luso-brasileira na Região do Rio da Prata: 1808-1822" e "A política externa joanina e a anexação de Caiena: 1809-1817" (Os textos abordam questões relativas à política externa portuguesa durante o período joanino)



Niterói, 13 de maio de 2013




"Hoje na História - 13 de maio: Lei Áurea"

Fim da escravidão: na foto, documento da "Lei Áurea".

1888 - Domingo: A princesa imperial Isabel de Bragança partia de Petrópolis em direção ao Rio de Janeiro para sancionar (com pena de ouro especialmente confeccionada para a ocasião), no Paço Imperial, a Lei Áurea, que estava a ser votada pelo parlamento. Pela ação de Isabel, o jornalista fluminense José do Patrocínio atribui-lhe o título de "Redentora".

Observa-se que, nesta altura, a escravidão já estava em declínio. Havia práticas de resistências por parte dos escravizados ao sistema opressor, como, por exemplo, a fuga. Abolicionistas compravam escravos para libertar aqueles que até então eram cativos. O Ceará, em 1884, já havia promovido o fim da escravidão - primeira província brasileira a fazê-lo.

Com o fim da escravidão, em 13 de maio de 1888, Isabel ganhou a oposição dos cafeicultores, importante segmento político-econômico da época. O barão de Cotegipe - do partido conservador, único Senador a votar contra a aprovação da Lei Áurea - declarou a Isabel: "Vossa Alteza libertou uma raça, mas perdeu o trono", que retrucou: "Mil tronos eu tivesse, mil tronos eu daria para libertar os escravos do Brasil"

Documentos recentemente descobertos revelam que a princesa estudou indenizar os ex-escravos. Por outro lado, da forma que Isabel realizou a abolição, os proprietários não receberiam nenhuma indenização, apesar de que estes esperavam o ressarcimento por parte do Estado. Com a medida de Isabel, o Império, que sofria crises de outras naturezas, perdia importante base de apoio político. Em 1889 era proclamada a República.

Observa-se que os escravos eram segurados, ou seja, seus proprietários faziam o seguro de suas "mercadorias". Havia a possibilidade dos prejuízos dos proprietários recaírem sobre as seguradoras de então.

No governo de Deodoro, Ruy Barbosa tornou-se Ministro da Fazenda. Proprietários esperavam receber suas respectivas indenizações por parte do Estado brasileiro. Uma vez no poder, Ruy Barbosa mandou queimar os Livros de Matrículas de escravos existentes nos cartórios das comarcas e registros de posse e movimentação patrimonial envolvendo todos os escravos. A razão alegada para o gesto seria apagar "a mancha" da escravidão do passado brasileiro. Entretanto, é possível que a atitude de Ruy Barbosa deve-se que, com a medida, inviabilizava-se o cálculo de eventuais indenizações que vinham sendo pleiteadas pelos antigos proprietários de escravos. Além disto, Ruy Barbosa era ligado a seguradoras inglesas, sendo diretor de empresa desta nacionalidade.

Por fim, em 13 de maio, findava-se a escravidão no Brasil. Os escravos de então não foram indenizados pelos anos de serviço compulsório. Isabel e Ruy Barbosa tomaram caminhos políticos que inviabilizavam o ressarcimento dos proprietários de escravos. Verifica-se, então, que a Lei Áurea teve relevantes impactos nos âmbitos político, econômico e social do Brasil.

Para saber mais:

BARMAN, Roderick J. Princesa Isabel do Brasil: Gênero e poder no século XIX. UNESP, 2005.


CARVALHO, José Murilo. D. Pedro II. Companhia das Letras, 2007.


CAVICHINI, Alexis. História dos Seguros no Brasil. COP Editora, 2008.


http://www.brasil.gov.br/secoes/mulher/elas-fazem-a-diferenca/princesa-isabel-1846-1921




Niterói, 04 de março de 2013



"Hoje na História - 04 de março de 1974: Inauguração oficial da Ponte Rio-Niterói"




Com mais de 13km de extensão e 70m de altura em seu vão central, a Ponte Rio-Niteroi, oficialmente designada Presidente Costa e Silva, foi inaugurada há 39 anos, durante o governo Médice. A obra da via iniciou-se em 1969. O contexto de sua construção deu-se quando a estrutura de transporte existente (barcas e estrada) já não comportava mais o fluxo entre as duas margens da baía de Guanabara.


Construção da Ponte Rio-Niterói.


Após uma série de adversidades para a sua construção, como o trânsito marítimo e aéreo na baía e vidas de operários ceifadas durante as obras, a solenidade de inauguração da maior ponte do hemisfério sul contou com a presença do então preside Médice, do governador do Estado da Guanabara, Chagas Freitas, e do ministro dos Transportes, Mario Andreazza.


Emílio Garrastazu Médice na inauguração da nova via.


A partir de então, a via federal foi aberta ao público, recebendo, em seu primeiro dia, 50 mil veículos. Desde então, a ponte tem importante papel na ligação entre o Rio de Janeiro e cidades como Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, dentre outras. Uma série de trabalhadores, estudantes, empresários, profissionais liberais a atravessam diariamente para a realização de suas tarefas. Mercadorias que atravessam o Brasil de Norte a Sul através de caminhões também passam pela Rio-Niterói. E, por fim, a situação atual do transporte na região da Guanabara não difere muito da de 1969: a estrutura para a travessia, que engloba barcas, catamarãs e a ponte não comporta o crescimento populacional e econômico que o Brasil teve desde 1974. Hoje, a ponte é lócus de grandes engarrafamentos.


Antes da ponte, travessia Rio-Niterói: veículos transportados por via marítima.


Resta a esperança da travessia por baixo da baía de Guanabara, a chegada do metrô do outro lado da baía, a Niterói e municípios vizinhos. Entretanto, o projeto de travessia subterrânea tem deixado cariocas e fluminenses em uma espera que perdura mais que qualquer um dos mega-engarrafamentos sofridos pela população na ponte. O projeto está aí desde o século XIX. Como diz o ditado popular, "Agora é ver pra crer".



Foto dos constumeiros engarrafamentos na ponte.





PROF. DR. MANOLO GARCIA FLORENTINO É NOMEADO PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO CASA DE RUI BARBOSA (FCRB)

Niterói, 27 de fevereiro de 2013





Manolo Garcia Florentino, docente e pesquisador do Instituto de História (IH) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Programa de Pós-Graduação em História Social (PPGHIS) desta instituição, teve publicada ontem, no "Diário Oficial da União", sua nomeação para a presidência da FCRB. Manolo assume o cargo em substituição a Helio Portocarrero, que o ocupava interinamente, desde que o Prof. Dr. Wanderley Guilherme dos Santos, cientista político, pediu sua exoneração, no dia 30 do mês passado.



A partir de agora, Manolo dirige a Fundação ligada ao Ministério da Cultura. A FCRB é polo de referência nacional no campo da preservação da memória e da produção do conhecimento, além de ser lócus de reflexão e debate da cultura brasileira.



O novo presidente da FCRB é dono de um currículo notório. Dentre suas diversas realizações no campo da História, Manolo é autor de clássicos da historiografia brasileira, como, por exemplo, "Em Costas Negras: Uma História do Tráfico entre A África e o Rio de Janeiro, Séculos XVII e XIX" e "O Arcaismo Como Projeto", sendo que, neste último, Manolo divide a autoria com o Prof. Dr. João Fragoso, também do IH/UFRJ. Em 2009, Manolo recebeu da Presidência da República (Ministério da Ciência e Tecnologia) a Comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico. À função de pesquisador, Manolo também acumula experiência administrativa, pois foi, de 2006 a 2010, coordenador do PPGHIS.

Casa de Rui Barbosa.


Fundação Casa de Rui Barbosa
Rua São Clemente 134, Botafogo, Rio de Janeiro
Telefone 55.21.3289-4600



EFEMÉRIDE



Hoje, 01 de dezembro, completa-se 190 anos da coroação de D. Pedro como o primeiro Imperador do Brasil. O ato reproduziu rituais das monarquias europeias nas quais o Brasil se inspirou. A partir de 1822 iniciava-se o processo de construção da nação brasileira.

Aquarela da coroação de D. Pedro como Imperador do Brasil. Sobre a pintura, Debret escreveu em sua "Viagem Pitoresca do Brasil": "À direita do quadro, D Pedro, em grande uniforme imperial, com a coroa à cabeça e o cetro na mão, acha-se sentado no trono, recebendo o juramento de fidelidade prestado em nome do povo pelo Presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Lúcio Soares Teixeira de Gouveia. À esquerda do quadro vê-se, de pé a Imperatriz Leopoldina com sua filha Da. Maria da Glória".




A aquarela da coroação de D. Pedro, na antiga Igreja de Nossa Senhora do Carmo - localizada na atual Praça XV, no centro do Rio de Janeiro - então Capela Real, foi realizada pelo artista francês Jean Baptiste Debret.

Foto da igreja onde ocorreu a coroação.
Atualmente, o templo situado na rua 1º de março é denominado "Antiga Sé"




D. Pedro

D. Pedro I do Brasil / D. Pedro IV de Portugal




Sobre os diversos aspectos concernentes ao personagem histórico, impossíveis de abordar-se em poucas linhas, D. Pedro - cujo nome completo é Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon -, ele é filho de D. João de Bragança - D. João VI -, de Portugal, e de Dona Carlota Joaquina de Bourbon, da Espanha. Nasce em 1798, no Palácio de Queluz, Portugal, mesma localidade onde falece, em 1834. Contrai matrimônio, em 1817, no Rio de Janeiro, com a Arquiduquesa Dona Leopoldina Josefa de Habsburgo-Lorena (em alemão: Caroline Josepha Leopoldine Franziska Ferdinanda von Habsburg-Lothringen), filha do Imperador Francisco I da Áustria, e de sua segunda esposa, Maria Teresa de Bourbon, princesa das Duas Sicílias, de um ramo dos Bourbons franceses - Leopoldina era sobrinha-neta da rainha Maria Antonieta e irmã da segunda imperatriz dos franceses, Maria Luísa da Áustria. Após a morte da imperatriz Leopoldina, em 1826, D. Pedro I busca uma nova esposa na Europa. Casa-se novamente em 1829 com Amélia de Leuchtenberg (Amélie Auguste Eugénie Napoléone de Beauharnais), que, pelo lado materno, era de uma linhagem secundária e, do paterno, seu genitor, o príncipe Eugênio, era enteado de Napoleão Bonaparte, figura que mesmo após ter sido derrotada continuava a gerar polêmicas. Porém, estas questões não impediram que Dona Amélia se tornasse a segunda imperatriz do Brasil.

Desembarque de D. Maria Leopoldina, que, a partir de 1822 será a primeira Imperatriz do Brasil, pintado por Debret.




Em Portugal, D. Pedro é conhecido como D. Pedro IV. Ele deu uma constituição ao Brasil e a Portugal, sendo que em ambos reinos a carta magna perdura até a proclamação das respectivas Repúblicas (no Brasil, em 1889/em Portugal, em 1910). Agrega-se que D. Pedro compôs o Hino Nacional do Brasil (hoje Hino da Independência) e, além das coroas do Brasil e de Portugal, por pouco não assume as de Espanha e Grécia. No entanto, acaba por abdicar das Coroas portuguesa para sua filha D. Maria da Glória - nascida no Rio de Janeiro, mas que vem a ser, futuramente, a Rainha D. Maria I de Portugal - e a do Brasil a seu filho, também chamado Pedro - o futuro Imperador D. Pedro II.

Bandeira do Brasil Império (1822-1889)




Assim, D. Pedro I governou o Brasil como Imperador de 1822 a 1831. Após a abdicação retorna a Portugal, onde luta contra o absolutismo e pela implementação do liberalismo no reino ibérico.



Saiba mais:
Sobre emancipação do Brasil do Reino Unido português e as possibilidades de fragmentação dos domínios dos Bragança na América, a Revista Tema Livre sugere a leitura da tese do Prof. Dr. Fábio Ferreira, que analisa os fatos expostos a partir da Cisplatina (atual República do Uruguai, mas, à época, parte do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves): "O general Lecor, os voluntários reais e os conflitos pela Independência do Brasil na Cisplatina (1822-1824)".
Basta acessar:
http://www.historia.uff.br/stricto/td/1408.pdf


"Embarquement des troupes a Prahia Grande pour I'Expedition contra Monte Video"
Na Praia Grande - atual cidade de Niterói -, o embarque das tropas, em 1816, registrado por Debret (A região na pintura é, aproximadamente, a da entrada do Campus do Gragoatá da UFF). À esquerda, D. João, D. Pedro e D. Miguel. Sentadas, Carlota Joaquina e as demais princersas. Ainda ao lado das infantas, Beresford e seu ajudante-de-ordens. No centro, Lecor e seu lugar-tenente.







APROVADO PROJETO QUE REGULAMENTA PROFISSÃO DE HISTORIADOR

Brasília, 07 de novembro de 2012

Na foto, Joaquim Nabuco, que, dentre várias atividades, exerceu a de historiador. No dia do seu nascimento, 19 de agosto, comemora-se o Dia do Historiador


Por Patrícia Oliveira

O Senado aprovou nesta quarta-feira (7) projeto que regulamenta a profissão de historiador. O PLS 368/09, do senador Paulo Paim (PT-RS), estabelece que o exercício é privativo dos diplomados em cursos de graduação, mestrado ou doutorado em História. Os historiadores poderão atuar como professores de História nos ensinos básico e superior; em planejamento, organização, implantação e direção de serviços de pesquisa histórica; e no assessoramento voltado à avaliação e seleção de documentos para fins de preservação.

Aprovado nas comissões de Assuntos Sociais (CAS); de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ); e de Educação, Cultura e Esporte (CE), o projeto recebeu emenda, em Plenário, do senador Alvaro Dias (PSDB-PR) que retirou do texto original a referência aos locais onde o trabalho do historiador poderia ser desempenhado.

Discussão Assim como Pedro Taques (PDT-MT), o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) votou contra o projeto. Ele considerou "um profundo equívoco" dar exclusividade em atividades de ensino e pesquisa, seja em graduação ou pós-graduação, apenas para quem tem formação em História. Na opinião do parlamentar, a situação cria "absurdos" como impedir que economistas, sociólogos, diplomatas ou outros profissionais qualificados ministrem a disciplina, havendo o risco de "engessar" o ensino da História.

" [A História] É a investigação sobre a evolução das sociedades humanas que tem que ser vista sob os mais diferentes prismas. História é política. História é vida. História é pluralismo. Não pode ser objeto de um carimbo profissional " argumentou. Aloysio Nunes ainda condenou o que chamou de "reserva de mercado" dos profissionais com curso superior em História e a formação de uma "República Corporativa do Brasil", onde cada profissão exige "seu nicho de atividade exclusiva em prejuízo da universalidade do conhecimento".

Capacitação Já a senadora Ana Amélia (PP-RS) defendeu o projeto ao ler relatório do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), aprovado na CCJ, em que este declara que "a omissão do legislador pode permitir que pessoas inabilitadas no exercício profissional coloque em risco valores, objetos ou pessoas."

O texto ressalta ainda a relevância do papel do historiador na sociedade, com "impactos culturais e educativos" capazes de ensejar "a presença de normas regulamentadoras" da profissão. E conclui que não pode permitir que o campo de atividade desses profissionais seja ocupado por pessoas de outras áreas, muitas delas regulamentadas, mas sem a capacitação necessária para exercer o trabalho.

A matéria segue agora para votação na Câmara dos Deputados.

Fonte: Agência Senado

Extraído de: http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2012/11/07/aprovado-projeto-que-regulamenta-profissao-de-historiador



Niterói, 14 de julho de 2011

Historiadora vira nome de rua no Rio de Janeiro

Da Redação

Por decreto da prefeitura do Rio de Janeiro, sancionado no último dia 11, a historiadora Eulália Lahmeyer Lobo tornou-se nome de rua na cidade maravilhosa. A homenagem à historiadora carioca, que faleceu no último dia 01 de junho no Rio, recaiu na antiga Rua 63 no bairro de Pedra de Guaratiba, na Zona Oeste.

Pioneirismo e perseguição política

Eulália Lahmeyer Lobo foi a primeira mulher a defender uma Tese de Doutorado em História do Brasil. Além disto, no período do regime militar, a historiadora foi aposentada compulsoriamente, sendo, assim, desligada do IFCS [à época, unidade da UFRJ referente aos cursos de História, Filosofia e Ciências Sociais] e até mesmo presa por um curto período.

Com a Anistia, Eulália Lahmeyer Lobo foi trabalhar na UFF, alcançando, posteriormente, nesta instituição e na UFRJ, a condição de professora emérita.


Niterói, 23 de abril de 2011

Hoje, 23 de abril, "Dia Mundial do Livro", a Revista Tema Livre completa 9 anos no ar.

Da Redação

Ao longo desta jornada, a Revista Tema Livre publicou artigos de historiadores e realizou entrevistas com vários dos consagrados profissionais brasileiros e estrangeiros; realizou matérias e entrevistas no Brasil e no exterior; noticiou em primeira mão acontecimentos relacionados à regulamentação da profissão do historiador; contribuiu para a divulgação da História, bem como para a difusão cultural e artística. Assim, Tema Livre completa 9 dos seus muitos anos que tem pela frente.
Revista Tema Livre - publico qualificado, qualidade em primeiro lugar.
www.revistatemalivre.com


Niterói, 28 de março de 2011

Incêndio no Palácio Universitário da UFRJ (Campus Praia Vermelha)

Da Redação

Parte do Palácio Universitário da UFRJ, prédio situado na Urca, zona sul do Rio e tombado pelo IPHAN em 1972, ardeu na tarde de hoje. O incêndio teria se iniciado, por volta das 14hs, na capela, que estava em restauração e foi totalmente perdida.

Para combater o incêndio, foram enviados bombeiros dos batalhões de Copacabana, Catete e Humaitá. Acredita-se que não existam vítimas.

Atualmente, neste campus, funcionam a Editora da UFRJ, o Fórum de Ciência e Cultura, além dos cursos de educação, comunicação social, economia, administração e ciências contábeis. Os espaços ocupados por comunicação e economia não foram atingidos.

Por fim, o prédio em estilo neoclássico é datado de meados do século XIX, tendo sido um hospício que levava o nome do então imperador, Pedro II. Aproximadamente cem anos depois, quando o hospício foi transferido para Jacarepaguá, o prédio foi reformado e doado à então Universidade do Brasil, mais tarde renomeada UFRJ.
Vídeos da tragédia de 28-03-2011

Vídeo 01




Vídeo 02




Niterói, 02 de março de 2011

Profissão Historiador: A caminho da regulamentação

Da Redação

Após terem o seu dia estabelecido no ano passado - 19 de agosto -, conforme noticiado pela Revista Tema Livre, hoje, 2 de março, os historiadores obtiveram importante vitória: A CCJ (Comissão de Constituição Justiça e Cidadania) aprovou o projeto de regulamentação da profissão, de autoria do senador Paulo Paim, do PT gaúcho.

Entretanto, a aprovação de hoje não significa que a profissão já esteja regulamentada. Ainda falta passar por duas comissões, em que ocorrerão novas votações: a Comissão de Educação (CE) e, depois, a de Assuntos Sociais (CAS). Depois, o projeto irá para a Câmara.

É esperar para ver, inclusive se tal aprovação virá ou não a ocorrer neste ano. Quem sabe a boa notícia não virá durante as comemorações dos 50 anos da Associação de Historiadores. Provavelmente, melhor presente não haveria para a classe!




BRASIL EMPOSSARÁ 1ª MULHER COMO PRESIDENTE DA REPÚBLICA EM 1º DE JANEIRO DE 2011


A História mostra que a participação feminina na política não é algo novo. Ao longo dos séculos, em várias partes do mundo e em vários regimes de governo, as mulheres atuaram e decidiram o destino de povos e nações.


Da Redação Niterói, RJ, 15 de dezembro de 2010.


Dilma: após 120 anos, ela é a primeira mulher a governar a República


Após o ineditismo de ter como presidente da República um ex-operário, Luís Inácio Lula da Silva, o Brasil elegeu no último dia 31 de outubro para o principal cargo político do país um outro personagem, que, igualmente, significa um fato novo na história brasileira: Dilma Vana Rousseff, a primeira mulher a presidir a República. Ela será a partir do próximo dia 1º a 40ª pessoa a ocupar a presidência.

Mesmo sendo a primeira presidente, ou presidenta, ambas as nomenclaturas estão corretas, Dilma, como é popularmente conhecida, não foi a primeira mulher a comandar o território que corresponde, grosso modo, ao atual Brasil.



Algumas mulheres na política ao longo da história: Reinos e Impérios


Nos tempos coloniais, a mãe de D. João VI, a Rainha D. Maria I, que faleceu no Rio de Janeiro, de Lisboa governava o Brasil. Após a formação do Estado Nacional Brasileiro, no século XIX, a princesa Isabel (trineta de D. Maria I) governou, por algumas vezes, na ausência de seu genitor, D. Pedro II, sendo que em uma destas ocasiões ela pôs fim à escravidão, assinando a Lei Áurea.



Aquarela de D.Maria I: mãe de D. João VI, governou o Brasil no século XVIII


Se não fosse o golpe que instaurou a República em 15 de novembro de 1889, é provável que, ainda no século XIX, o Estado Nacional Brasileiro fosse governado pela primeira vez por uma mulher, a princesa Isabel, que seria, então, aclamada como a Rainha Isabel I do Brasil. Porém, foram necessários 120 anos para que uma mulher chegasse à posição de mandatária do país.



Foto da princesa Isabel no final de sua vida, após a queda da monarquia


Ao longo da História, outros exemplos. Na Antiguidade, varias mulheres exerceram o controle de reinos e impérios. Pode-se pensar em Cleópatra ou na Rainha de Sabá. Através do relato bíblico, vê-se casos como o da Rainha da Pérsia, Ester, que, judia e antes da encarnação de Cristo, teve ações relevantes contra o extermínio do seu povo de origem (e, também, do seu esposo, o Rei da Pérsia), sendo que sua atuação é rememorada até a atualidade, com a comemoração do dia do Purim.

Na Idade Média, há o exemplo da Condessa Mumadona Dias, mulher mais poderosa do Noroeste da Península Ibérica, que governou o Condado Portucalense no século X. Igualmente, nessa porção da Europa, séculos depois, podemos pensar em Isabel I de Castela, que apoiou a expedição de Cristóvão Colombo ao Novo Mundo no século XV ou de D. Maria II (tia da supracitada Princesa Isabel), que, nascida no Rio de Janeiro e filha de D. Pedro I do Brasil (D. Pedro IV de Portugal), governou este reino europeu.



Dona Maria II: nascida no Rio de Janeiro e irmã de Pedro II, governou por décadas o Reino de Portugal


Concomitantemente, a Espanha também era governada por outra mulher, Isabel II, filha de Fernando VII, prima de D. Maria II e sobrinha da esposa de D. João VI, Carlota Joaquina, que intentou governar, várias vezes, ou Portugal e o Brasil, no lugar de seu marido, ou a Espanha e seu império a partir de Buenos Aires, quando seu irmão estivera preso por Napoleão Bonaparte. Entretanto, os malogrados planos de Carlota são uma outra história.



Isabel II de Espanha: sobrinha de Carlota Joaquina


A participação feminina na política nos séculos XX e XXI


Ainda sobre a atuação feminina em cargos políticos é mister mencionar Alzira Soriano, primeira prefeita do país e da América do Sul, que, eleita em 1928, assumiu a prefeitura de Lages, no Rio Grande do Norte, em 1929. Alzira foi eleita pelo fato da constituição de seu estado permitir que não houvesse, nos pleitos políticos, distinção entre os sexos. De igual maneira vem do Rio Grande do Norte a primeira eleitora brasileira e da América Latina, Celina Guimarães Viana, uma professora de Mossoró, que exerceu seu direito ao voto no mesmo ano em que Alzira foi eleita.



Alzira Soriano: o Rio Grande do Norte forneceu a primeira prefeita do Brasil e da América do Sul


Entretanto, foi em 1932, durante um regime ditatorial, o de Getúlio Vargas, que o direito de votar foi, nacionalmente, estendido às mulheres, sendo o Brasil o 4º país do mundo a conferir esta prerrogativa, ficando atrás apenas do Canadá (1º), EUA (2°) e Equador (3°). Diversas mulheres lançaram-se candidatas em 1934, sendo que deste pleito surgiu a primeira deputada federal brasileira, a médica e pedagoga paulistana Carlota Pereira de Queiroz, que ocupou o cargo até 1937, quando Vargas fechou o Congresso Nacional.



A paulistana Carlota Pereira de Queiróz na Câmara dos Deputados, quando esta ainda funcionava no Palácio Tiradentes, no Rio de Janeiro.


A partir de então, para dados inéditos concernentes às mulheres na política brasileira, são necessárias algumas décadas. Novamente, durante um regime de exceção, uma mulher conseguiu uma posição até então inalcançada na República. Em 1979, durante o regime militar (1964-1985), Euníce Michiles tornou-se Senadora pelo partido governista, a ARENA (Aliança Renovadora Nacional). Euníce Michiles era suplente de João Bosco de Lima, eleito pelo Amazonas, que falecera poucos meses após assumir seu cargo como Senador. Diante deste fato, em 31 de maio, a primeira mulher brasileira tomou posse no Senado Federal.



A primeira senadora do Brasil veio do Amazonas, eleita em chapa da ARENA


Na mesma década, surge, no mundo, a primeira presidente de uma nação: María Estela Martínez, a Isabelita Perón, viúva de Perón, que governou a Argentina de 1974 a 1976, sendo deposta por uma Junta Militar. Ainda na década de 1970, a América Latina assiste a segunda mulher a assumir a presidência de um país da região, desta vez na Bolívia, com Lidia Gueiler Tejada, que governou entre 16 de novembro de 1979 e 17 de julho de 1980, sendo a única mulher que governou este país ao longo de sua história.



Isabelita: a viúva de Perón foi a primeira mulher a ocupar a presidência da República em todo o mundo


Retomando o caso brasileiro, foi durante o governo do último presidente militar, o general João Batista Figueiredo, que o Brasil teve Esther de Figueiredo Ferraz a ser a primeira mulher a ocupar um ministério, no caso, a pasta de Educação e Cultura. Ainda nos anos 80, na eleição de 1989, surgiu a primeira mulher a candidatar-se à presidência da República, Lívia Maria Pio de Abreu, do PN (Partido Nacional). A única mulher do pleito após a redemocratização do país ficou com apenas 0,25% dos votos, ou seja, cerca de 180.000 votos.



Ester de Figueiredo Ferraz ocupou a pasta da Educação e Cultura nos anos 80.


Em 1995, o Maranhão foi a primeira unidade da federação a ter uma governadora, a socióloga Roseana Sarney, filha do ex-presidente da República e atual presidente do Senado, José Sarney. Roseana foi reeleita, no 1º turno, em 1998. A partir daí, outras governadoras foram eleitas.



O ex-presidente José Sarney e sua filha Roseana


Em 2002, o governador do Rio, Anthony Garotinho, abriu mão do seu cargo para candidatar-se à presidência da República. Assumiu, então, por 8 meses, o controle do Rio de Janeiro, a petista Benedita da Silva, que foi a primeira mulher negra a governar um estado brasileiro. Garotinho foi derrotado na eleição federal, mas, no Estado do Rio, o ex-governador lançou sua esposa como candidata ao governo estadual e Rosinha Garotinho foi vitoriosa, governando o Estado até 2007.



À esquerda, Benedita da Silva, a primeira governadora negra do país.
Junto com ela, seu marido, o ator Antônio Pitanga, e sua enteada, a atriz Camila Pitanga


Curiosamente, nesta eleição no Rio de Janeiro, dos quatro principais candidatos, três foram mulheres: a ex-primeira dama do Estado, Rosinha Garotinho, a então governadora Benedita da Silva, que tentava reeleger-se, e a então deputada estadual Solange Amaral. Dentre os quatro principais candidatos, a única figura masculina foi Jorge Roberto Silveira, que, atualmente, está no seu quarto mandato como prefeito de Niterói (cidade que foi capital do antigo Estado do Rio de Janeiro).



Anthony e Rosinha Garotinho: Governadores do Estado do Rio (1999-2007)


No mesmo ano, o Rio Grande do Norte, estado que na década de 1920 deu a primeira prefeita e eleitora brasileiras, tem sua primeira governadora, a professora universitária formada em Letras pela UFRN, Wilma de Faria. Esta fora, anteriormente, nos anos de 1980, 90 e 2000 prefeita da capital potiguar, Natal.



Wilma de Faria, a primeira governadora potiguar


Também em 2002, Maria Abadia foi, no Distrito Federal, vitoriosa na chapa de Joaquim Roriz como vice-governadora e passou ao cargo de governadora a partir de 2006, sendo que ela fora, em 1988, tanto deputada constituinte, quanto membro fundadora do PSDB.



Yeda Crusius: Primeira governadora do Rio Grande do Sul


Nas eleições seguintes, em 2006, para a legislatura que iniciou-se em 2007, novas mulheres chegaram ao governo de outros estados: Yeda Crusius, no Rio Grande do Sul, Ana Júlia, no Pará e, desde 2009, novamente Roseana Sarney, no Maranhão, que foi reeleita em 2010 para mandato que irá iniciar-se em 2011. Curiosamente, no ano em que a primeira mulher foi eleita presidente do Brasil, apenas Roseana foi escolhida governadora. A exceção do Maranhão, nenhuma outra unidade da federação elegeu uma mulher.



A presidente Cristina Kirchner.
Brasil e Argentina serão governados, concomitantemente, por mulheres


Concomitante à ascensão de várias das governadoras supracitadas e à eleição de Dilma, outras mulheres lideram outras nações no âmbito americano. Pode-se citar a argentina Cristina Fernández de Kirchner, que, semelhantemente a Dilma, foi opositora ao regime militar de seu país, a costarriquenha Laura Chinchilla Miranda, e Kamla Persad-Bissessar, primeira ministra de Trinidad y Tobago. Além disto, recentemente, o Chile foi governado por Verónica Michelle Bachelet Jeria, que, como Dilma e Cristina, se opôs ao governo militar de seu país.




Bachelet, que governou o Chile de 2006 a 2010


Dilma


Após este breve apanhado, retoma-se o personagem principal da matéria, a presidente eleita Dilma Vana Rousseff. Sobre Dilma, ela nasceu em uma família de classe média alta de Belo Horizonte, em 14 de dezembro de 1947, e é filha de um imigrante búlgaro naturalizado brasileiro, Pedro Rousseff (Pétar Russév), que, na Europa, fora membro do Partido Comunista da Bulgária, e de Dilma Jane Silva, professora de Nova Friburgo.



Dilma, com os pais e irmão, na infância


Na juventude, paralelamente ao regime militar brasileiro, Dilma vinculou-se à organizações clandestinas de esquerda e ingressou no COLINA, sigla para Comando de Libertação Nacional, que visava implementar no país, através das armas, um regime de inspiração soviética. A partir de 1968, Dilma passou a viver na ilegalidade, usando vários nomes falsos.

Devido à perseguição do regime na capital mineira, a liderança da organização enviou, em 1969, Dilma, então estudante de economia da UFGM, e seu marido, Claudio Galeano de Magalhães Linhares, com quem casara-se em 1967, para o Rio de Janeiro. Posteriormente, seu cônjuge foi enviado para Porto Alegre, separando-se, assim, o casal.



Dilma na juventude


Dilma permaneceu no Rio, onde conheceu o advogado gaúcho Carlos Franklin Paixão de Araújo, chefe de dissidência do Partido Comunista Brasileiro. Os dois acabaram por unirem-se maritalmente e, em 1976, o casal veio a ter a única filha da presidente eleita, Paula.

Em 1970, na cidade de São Paulo, Dilma foi presa e torturada pelas forças de repressão do regime militar, e, em seguida, Araújo, um dos líderes da VAR-Palmares, foi quem enfrentou o cárcere. Dilma foi condenada a seis anos de prisão, no entanto, o Superior Tribunal Militar (STM) reduziu sua pena para dois anos e um mês, sendo que Dilma já havia cumprido três.

Uma vez retornando à liberdade, dez quilos mais magra, com problema na tireóide, e expulsa da UFMG, por crime de subversão, Dilma foi morar na casa dos pais de Araújo, em Porto Alegre. Ela o reencontrou em 1974, quando ele saiu da prisão. Na capital gaúcha, Dilma prestou vestibular para economia na UFRGS e, ainda, sobre sua carreira acadêmica, ela chegou a cursar o mestrado e o doutorado em Economia na UNICAMP, no entanto, por suas atividades profissionais no campo governamental, não concluiu os respectivos trabalhos finais.



Dilma e Brizola: A presidente eleita ajudou a fundar o PDT gaúcho


Com o processo de redemocratização do país, Dilma e Araújo tiveram significativa atuação na fundação do PDT gaúcho, partido político do então ex-governador do Rio Grande do Sul e exilado político Leonel de Moura Brizola, que, nos anos seguintes, por dois mandatos, governa o Estado do Rio de Janeiro e candidata-se à presidência da República em 1989, obtendo 11.168.228 de votos.

Nas décadas de 1980 e 1990, Dilma trabalhou em diversos cargos da administração pública no Rio Grande do Sul e, em 2000, rompeu com Leonel Brizola. Neste mesmo ano, Dilma separou-se definitivamente de Araújo. Em 2001, Dilma ingressou no PT e, no ano seguinte, com a vitória de Lula à presidência da República, participou da equipe de transição do governo de FHC para o do então presidente eleito. Pelo seu destaque profissional, a técnica discreta, porém aplicada, vinda do PT gaúcho, acabou por ser escolhida ministra de Minas e Energia.

Em 2005, ainda no primeiro mandato de Lula, com o escândalo do "mensalão" e conseqüente queda do então chefe da Casa Civil, José Dirceu, o presidente decidiu apostar em Dilma Rousseff para ocupar o cargo do ministro.

Após especulações de mudanças na legislação eleitoral para que Lula pudesse se candidatar para um terceiro mandato, em 2007 o nome de Dilma começou a ser apontado pelo presidente como o de sua possível sucessora. A partir daí, pouco a pouco, com a ajuda de Lula, sua exposição pública cresceu. Habilmente, Lula a vinculou ao petróleo descoberto na área do pré-sal, que, por seu turno, colocou o Brasil entre os quatro maiores produtores mundiais de petróleo. Além disto, o presidente associou a figura de Dilma ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), dando-lhe o título de "mãe do PAC", em cerimônia no Rio de Janeiro.



Lula e Dilma em plataforma da Petrobras


Após descobrir um câncer linfático em exames de rotina, em 2009, e submeter-se ao tratamento, que incluía sessões de quimioterapia, o meio político especulou sobre as reais possibilidades de Dilma vir a competir nas eleições do ano seguinte. No entanto, ela superou esta adversidade e tornou-se a candidata da chapa PT-PMDB à presidência da República em 2010.


Eleições 2010




2010: Ano de eleição presidencial no Brasil


Inicialmente, nas pesquisas de intenção de votos, Dilma não aparecia como a grande favorita. O líder era José Serra, do PSDB. Além disto, Dilma não foi a única mulher a concorrer ao cargo máximo da República: Havia a acreana Marina Silva, do PV, ex-ministra do Meio Ambiente de Lula, e ex-membro do PT.



Dilma, Serra e Marina


Com o decorrer da campanha, a então candidata Dilma, que pleiteava um cargo eletivo pela primeira vez em sua vida, crescia nas intenções de voto, havendo, inclusive, várias pesquisas que indicavam a possibilidade dela vencer o escrutínio no primeiro turno. Entretanto, não foi isto que ocorreu.

O resultado do 1º turno deu a Dilma 46,9% dos votos válidos, ou seja, 47,6 milhões. José Serra foi o segundo colocado, com 32,6%, ou seja, 33,1 milhões de votos. Por fim, Marina Silva obteve 19,33% dos votos, equivalendo a 19.636.359 votos.



Dilma e Serra: Candidatos se encontram no 2º turno


Atribui-se ao fato de Dilma não ter vencido no 1º turno a uma série de questões. A primeira fase do pleito foi envolto de polêmicas, como escândalos de corrupção nos Correios e na Casa Civil, quebras de sigilo de pessoas próximas ao candidato Serra, e multas para o PT e para o PSDB por desrespeito à legislação eleitoral, além do súbito crescimento de Marina Silva. Um outro fator a ser apontado é a questão do apoio da então candidata Dilma e do seu partido à liberação do aborto, apesar dela declarar-se católica.



Dilma no batismo de seu neto, fato ocorrido poucos dias antes da votação do 1º turno


A despeito da polêmica do aborto, já nos primeiros dias da segunda etapa do pleito, Dilma posicionou-se veementemente contra este ato, reafirmando suas declarações de que é católica e, pressionada por lideranças evangélicas e buscando votos deste segmento, assinou carta aberta contra a liberação do aborto. A polêmica chegou ao Vaticano, recebendo inclusive às atenções do papa Bento XVI, que chegou a redigir carta aos fiéis brasileiros para analisarem cuidadosamente o seu voto nas eleições presidenciais.



Dilma em igreja evangélica


Apesar de uma série de questões que poderiam tirar votos de Dilma, fatos como o apoio de Lula, que obtém mais de 80% de aprovação dos brasileiros nas pesquisas de opinião e o peso do PMDB, maior partido do país, que possuí figuras de grande peso político, como José Sarney, Renan Calheiros e o próprio vice da presidente eleita, Michel Temer, levaram Dilma a vencer, no dia 31 de outubro, as eleições de 2010.

Em função do sistema de voto eletrônico, que surgiu no Brasil ainda na década de 1990, às 20 horas e 04 minutos foi possível detectar que Dilma será a primeira mulher a governar a República. O resultado de sua vitória foi de 56,05% dos votos válidos, ou seja, 55.745.867 de pessoas. Serra teve 43,95%, ou seja, 43.707.472 votos. Por fim, os votos nulos corresponderam a 4,40%, ou 4.688.672, e os que se abstiveram do dever de votar foram 21,50% dos eleitores.



Militantes celebrando a vitória de Dilma


Mesmo vencendo as eleições, analisando o resultado estado por estado, vê-se o país dividido. Dilma venceu no Rio de Janeiro, no Distrito Federal, em Minas Gerais, em Tocantins, no Pará, no Amapá, no Amazonas e em todos os estados do Nordeste, que são nove no total. Dilma venceu em 16 das 27 unidades da federação. Serra venceu no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Rondônia, Acre e Roraima, logo, em 11 estados.



Dilma e o peemedebista Sérgio Cabral, reeleito governador do Rio de Janeiro.
No centro, a prefeita de São Gonçalo, município do Grande Rio, Aparecida Panisset, do PDT.



A Vitória: A Primeira Mulher na Presidência da República


Com a vitória de Dilma, o fato de ser a primeira mulher a ocupar a presidência no Brasil não é o único ineditismo que a cerca. Os outros são o de Dilma ser divorciada duas vezes, bem como o fato de ser ex-guerrilheira. Nunca o Brasil possuiu um presidente com este perfil. Observa-se que outro país ibero-americano que tem um ex-guerrilheiro a ocupar o posto máximo da República é o Uruguai, com José Mujica, que atuou no Tupamaros.

Não pode-se esquecer que, apesar da vitória de Dilma e do ineditismo de uma mulher chegar à presidência da República, o Brasil, se comparado, por exemplo, com a Argentina e com o Chile, ainda deixa a desejar no quesito participação feminina na política nacional. Os dois países hispânicos têm mais de 30% de mulheres nos seus respectivos congressos nacionais, sendo que o Brasil possuí menos de 10%, uma diferença extremamente significativa.

Além disto, no que toca os ineditismos que circundam Dilma, considerando que ela complete o seu mandato em 2015, o PT será o partido que governou o país por mais tempo depois da redemocratização, totalizando 12 anos, contra 8 do PSDB, referente aos dois mandatos de FHC.



Dilma foi eleita pela Forbes a 16ª pessoa mais influente do mundo


A Revista Forbes divulgou, em 3 de novembro de 2010, que Dilma é a 16ª pessoa mais influente do mundo, ultrapassando figuras como o presidente francês Nicolás Sarkozy, que está em 19°, e a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, em 20º. Na lista da Forbes, na frente de Dilma, pode-se apontar duas outras mulheres. A chanceler alemã Angela Merkel, que está em 6º, e Sonia Gandhi, presidente do Partido do Congresso da Índia, em 9º.



Dilma e Marcelo Crivella (PRB-RJ):
Engenheiro e bispo da Igreja Universal, o senador reeleito faz parte da base de apoio da presidente eleita


Outro fator a apontar-se é que Dilma contava, já no momento do resultado das eleições, com o apoio de 16 dos 27 governadores. A presidente eleita tem ampla maioria no Congresso Nacional: Dos 503 deputados, Dilma já é apoiada pelos 311 que tomarão posse em 1º de janeiro de 2011, sendo que este número pode chegar a 402, maior número desde a redemocratização do país. No Senado, das 81 cadeiras, ela possuí apoio que varia entre 52 e 60 senadores.



Dilma e Tarso Genro, também do PT, governador eleito do Rio Grande do Sul


Existem especulações de que o mandato de Dilma seria "tampão", pois já que o presidente Lula não podia ser candidato pela terceira vez consecutiva em 2010, ele teria a colocado visando retornar nas eleições de 2014. Recentemente, na Argentina, o presidente Lula afirmou que atuará politicamente por toda a América Latina.

Dilma promete erradicar a miséria em seu futuro governo. No entanto, além da miséria, outros desafios seguem para a presidente eleita, como os da área de educação, saúde, infra-estrutura e segurança, bem como o enfrentamento à corrupção nos diversos níveis da sociedade brasileira.



Lula e Dilma: Presidente termina o mandato com mais de 80% de aprovação, além de ter feito sucessora


Vídeos

Primeiro Programa Eleitoral de Dilma Rousseff




Programa Eleitoral de José Serra




Programa Eleitoral de Marina Silva




Leia mais sobre a participação feminina na política:


Entrevista

Profª Drª Francisca L. Nogueira de Azevedo
(Entrevista com a professora aposentada da UFRJ sobre Carlota Joaquina e sua ação política)


Artigo

A Presença Luso-brasileira na Região do Rio da Prata: 1808-1822
(Artigo do historiador Fábio Ferreira - Doutorando UFF)
(Para o tópico concernente à atuação feminina, ver tópico 3)




A DESTRUIÇÃO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO: UM PROBLEMA QUE ACONTECE EM CADA CIDADE DO PAÍS


Niterói, 22 de novembro de 2010
Da Redação



O Clube IPC na década de 1950
Foto extraída de http://fotolog.terra.com.br/lembrancas_de_niteroi:93




Hoje, 22 de novembro, é feriado em Niterói, cidade onde a Revista Tema Livre foi criada em 2002 e tem sua sede. Esta data é entendida como a da fundação deste município do Grande Rio. Poder-se-ia, como os demais veículos de comunicação fazem repetitivamente todo ano, contar a história da cidade ou mostrar suas inúmeras maravilhas. Belezas da antiga capital fluminense - não todas - já foram mostradas nas primeiras edições de Tema Livre, no início da década de 2000 (Para os que desejarem rever, seguem os links: www.revistatemalivre.com/crep1p.html e www.revistatemalivre.com/crep2p.html.)


Foto da Praia de Icaraí e do bairro de mesmo nome em 1951.
Extraído de http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/cinema-icarai-niteroi-rj/


Mais do que as repetidas homenagens, a cidade merece que se chame a atenção para a destruição do seu patrimônio histórico, problema enfrentado por outras cidades do país, adversidade que empobrece a história e o turismo dos municípios, bem como priva as gerações futuras de conhecerem o patrimônio material da cidade onde virão a viver. Tudo em nome da especulação imobiliária, que acaba por trazer uma série de problemas, promovendo o caos urbano.


Foto de Icaraí, bairro mais populoso de Niterói e com maior densidade demográfica da cidade, tem área de aproximadamente 2km².
Extraído de http://pt.wikipedia.org/wiki/Icara%C3%AD


Neste 437º aniversário, em que concomitantemente às celebrações da cidade de quase 500.000 habitantes, de área de 129,375km², e com o melhor IDH do estado e terceiro do Brasil, é relevante lembrar, dentre os muitos já destruídos, de dois marcos históricos e arquitetônicos da cidade que sofrem com os tempos de grande especulação imobiliária nas grandes áreas urbanas brasileiras: O impasse do cinema Icaraí, na praia de mesmo nome, logo situado em um dos pontos mais valorizados da cidade, e que está fechado desde 2005, a deteriorar-se, sendo que especulou-se, inclusive, sua destruição para a construção de um espigão.


Foto do Cinema Icaraí em 1946.
Extraído de http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/cinema-icarai-niteroi-rj/


O imóvel foi "destombado" parcialmente em 2006 pela Câmara dos Vereadores, mesmo não havendo unanimidade na questão. Em suma: Planejava-se manter a fachada e construía-se um prédio de 14 andares. Ignorava-se, então, que o cinema era um dos últimos em estilo Art Déco em Niterói. Outro prédio é o da Reitoria da UFF, antigo Cassino Icaraí, a uma quadra do antigo cinema. Porém, pela pressão popular, o cinema não foi destruído, mas ainda seria propriedade de uma construtora que espera o desfecho da questão.


Foto do já inexistente Clube IPC, marco da arquitetura moderna em Niterói.
Acervo Tema Livre


O outro caso é o do clube IPC (Icaraí Praia Clube), construção que dista poucos metros do antigo cinema, logo também situado em área nobre e, igualmente, está de frente para o mar. Em função do alto número de sócios inadimplentes e da crise financeira da agremiação, esta encerrou suas atividades em 2009. Seu prédio foi passado para uma grande construtora em um negócio que ultrapassou os R$ 35 milhões, porém, sem o alarde do cinema Icaraí. Posicionaram-se contra 60 sócios e uma inquilina, que dava aulas de balé no clube há 54 anos, e que chegara a investir financeiramente em seu espaço dentro do IPC. O caso foi parar na justiça, mas isto não impediu que no local venha a ser construído um prédio de alto luxo, com 52 unidades, de três e quatro quartos, que chegam a ter 4 vagas de garagem, e que tem a alcunha de ser "o mais exclusivo da Praia de Icaraí". As raras unidades que ainda restam para venda estão entre aproximadamente R$ 1.200.000,00 e R$ 1.500.000,00. Uma das coberturas tem mais de 500m².


Marco arquitetônico moderno em fase prévia à sua destruição.
Acervo Tema Livre


Para dar lugar a tamanho luxo e beleza, neste fim de semana prolongado para os niteroienses e de comemorações na cidade, ignora-se completamente a demolição do tradicional IPC, sendo que este era um significativo exemplar da arquitetura moderna em Niterói, com suas curvas e pilastras, basicamente sem ornamentos, como tal estilo arquitetônico pede.


Detalhe que mostra os traços do modernismo na construção niteroiense.
Acervo Tema Livre



Tentativa de cerceamento do registro histórico e da memória afetiva: Problema que atinge a população em geral e o ofício de historiadores, jornalistas, fotógrafos e tantos outros profissionais


O mais curioso no caso IPC, ao menos em relação à Revista Tema Livre, foi que durante sua destruição, fotógrafo da publicação foi fazer registro histórico do fim deste marco moderno da cidade e gerou profundo incomodo em indivíduo que aparentava ser responsável pela obra (Não pode-se afirmar, pois o mesmo não encontrava-se sequer devidamente identificado, com crachá), mas vestia calça jeans e camisa social parda. Talvez fosse um engenheiro? Talvez um corretor? Enfim, o que importa é que mesmo o fotógrafo estando na calçada, em via pública e em pleno vigor democrático, mirando sua lente para o imóvel semi-destruído, o supracitado senhor acabou por convocar alguns trabalhadores da construção civil, que, pouco a pouco, abandonavam o seu caráter cordial e seus postos e transformavam-se em uma espécie grotesca de leões de chácara, tentando, em um tom picaresco, porém, para eles, sério e verdadeiramente intimidador, forjar um cenário lamentavelmente ridículo e cerceador da liberdade de expressão e de imprensa.


Foto tirada a partir da calçada da edificação parcialmente destruída.
O registro histórico só foi possível pela agilidade do fotográfo.
Acervo Tema Livre


Provavelmente a reprovável e descompensada atitude nada tem a ver com a internacionalmente reconhecida e respeitável construtora, que sequer imagina que em uma de suas obras esteja a acontecer lamentável tentativa de coerção. Igualmente, pode-se especular que a atitude do senhor de camisa social deva-se, quem sabe, a alguma espécie de insegurança, quem sabe temia uma matéria de cunho investigativo? Porém, como já diz o velho ditado, "quem não deve, não teme!". Enfim, não há como saber as razões deste senhor. Resta apenas lamentar e apontar sua atitude de coibir o direito do registro do que ainda existia naquele momento do nosso patrimônio histórico, que, provavelmente, até o fim desta semana, terá desaparecido.


Trabalhadores da construção civil e a torre do IPC parcialmente destruída.
Acervo Tema Livre


Mais do que o disparate promovido pelo citado senhor, é válido que a partir deste caso ocorrido em Niterói se deixe o registro que cada vez mais torna-se mais difícil fazer registros fotográficos, seja para acervos pessoais ou não, de lugares públicos, que compõem os cenários brasileiros ou os locais relativos à memória afetiva de cada cidadão. Surge, silenciosamente, uma espécie de ditadura, que usa funcionários e/ou seguranças de empresas para impedirem o trabalho de profissionais que necessitam fazer estes registros, e que o fazem mais do que por suas necessidades econômicas, mas por amor a sua profissão, à memória e à História.




FENÔMENO HISTÓRICO: REVOLUÇÃO FARROUPILHA LIDERA ÍNDICE MUNDIAL DE PALAVRAS POSTADAS NO TWITTER

Niterói, 20 de setembro de 2010.

A cada minuto uma gama de novos tweetts surgem na busca "Revolução Farroupilha" ou "20 de setembro". É frenético, como o louco ritmo da web. É impossível ler todas as mensagens. Incontáveis internautas mandam mensagens relativas a este episódio. Hoje é feriado no Rio Grande do Sul, pois no dia 20 os farroupilhas tomaram Porto Alegre. Comemora-se, então, o Dia do Gaúcho e neste ano "Revolução Farroupilha" lidera, seja no âmbito brasileiro, seja no mundial, os Trending Topics do Twitter.

Chama-se a atenção que com o episódio histórico ocorrido há 175 anos em terras gaúchas, o Brasil coloca pela primeira vez uma data intrínseca à História em primeiro lugar nesta rede social. Curiosamente, datas nacionais e históricas, como a independência do Brasil (7 de setembro) ou a Abolição dos Escravos (13 de maio) não conseguiram este feito.

Do mesmo modo, feriados de estados mais populosos, criados a partir de questões históricas, como, por exemplo, o paulista que rememora a Revolução Constitucionalista de 1932 (9 de julho) não conseguiu a proesa gaúcha, sendo que o Rio Grande do Sul tem cerca de 11 milhões de habitantes, é a 5ª unidade da federação em quantidade populacional, ao passo que o estado de São Paulo possui aproximadamente 41 milhões, sendo a 1ª.

Após a repercussão internacional do "Cala a Boca Galvão", por este ter sido Trending Topics do Twitter, qual será a explicação que os brasileiros darão a respeito da Farroupilha? Provavelmente, em virtude do grande "trote" envolvendo o narrador da Globo, o mundo irá verificar melhor os dados vindos de terras tupiniquins e, quem sabe, aprendam um pouco mais sobre a História do Brasil.



Guilherme Litran, Carga de cavalaria Farroupilha. Acervo do Museu Júlio de Castilhos.
Extraído de http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_dos_Farrapos



A seguir, algumas mensagens postadas por usuários do Twitter sobre o episódio histórico:



Viva Zapata!

- "Melhor morrer de pé, do que viver de joelhos!", Revolução Farroupilha! #20desetembro Parabéns Gaúchos! :))


O Professor de História que faz a diferença

- Revolução Farroupilha me lembra 1 professor maravilhoso de história que tive e ñ está + aqui, ainda tenho os cadernos c/os esquemas anotados


Viva Lecor!

- Se a Revolução Farroupilha tivesse dado certo, hoje teríamos dois Uruguais. Sinceramente, não sei do q os gaúchos se orgulham tanto.


Trauma da escola

- Revolução Farroupilha nos TT's? Será que nem no twitter eu não posso esquecer da escola? Não posso esquecer da matéria de história? Quesaco!


A História se repete?

- Devemos eleger um bom senador, pois a situação de hoje (2010) não é muito diferente da situação da revolução farroupilha (1835)


Twitter é cultura...

- Twitter tambem é cultura gente, hoje comemora-se o aniversario da Revolução Farroupilha, por isso está nos TT's, no sul hoje é feriado!


O Twitter é meu mundo

- Revolução Farroupilha é a frase mais falada no mundo... o dia inteiro :D


O impactado

- cara, estou impressionado, revolução farroupilha o dia inteiro nos TT's mundiais :O


"Nacionalistas"

- Revolução Farroupilha! Só quem é GAÚCHO e APAIXONADO por essa terra sabe o que é ter orgulho do seu lar, do seu povo, da sua história.

- Revolução Farroupilha: Orgulho gaúcho! #20deSetembro

- hoje 20 de setembro sinto-me mais feliz e honrado por ser Gaúcho do que no dia 7 de setembro por ser Brasileiro! viva Revolução Farroupilha!


"Nacionalistas" 2: Grêmio X Colorado

- Gremistas e colorados só se unem quando se trata da nossa pátria, a República Rio Grandense! Revolução Farroupilha #20desetembro


Fica!!!

- RS ainda é estado brasileiro. Revolução Farroupilha #fail , é apenas matéria de escola


Para o Brasil pensar...

- O Gaúcho é muito mais Gaúcho do que o Brasileiro é Brasileiro. Revolução Farroupilha #20desetembro - TT's do Mundo no Twitter.


O questionador

- Brasileiro nao tem o que fazer mesmo neh?! Consegue por revolucao farroupilha nos trendings worldwide hauahuahua


O outro lado da mesma moeda

- Revolução Farroupilha nos TT's até que enfim algo útil


"Sabinada"

- Alguém informado pode me responder pq revolução farroupilha tá nos TT's?

- To me sentindo uma burra,nao lembro o que foi a revolucao farroupilha!

- Por que cargas d'água Revolução Farroupilha está no topo dos TTs mundiais?

- revolução farroupilha nos tt's. sim, aquela que te ferrou no vestibular. rs.

- nossa revoluçao farroupilha nos tt's,que cultural haha estudei isso ontem e ja confundi com as outras 2893 revoltas que tiveram no brasil


Lei de Gerson

- graças a Revolução Farroupilha hoje não tive aula (: TT's


Farinha pouca, meu pirão primeiro

- Num sei o que é Revolução Farroupilha e nem quero saber não vai me ajudar a ganhar emprego


Esse é um país que vai pra frente...

- Gente, o povo brasileiro tá ficando "cult" ... falando da Revolução Farroupilha.... eh assim que o país vai pra frente!!Parabens!!!! =)


Esse é um país que vai pra frente?

- Ser obrigado a ler no twitter que a pessoa não sabe oq é Revolução Farroupilha é no minimo preocupante....


Solidária

- Só pra contribuir com a gauchada no TTs: Revolução Farroupilha, "melhor morrer de pé do que viver de joelhos".


Patinho Feio

- feliz revoluçao farroupilha pros gauchos! nessas horas eu sinto falta de morar la!


Pense em mim...

- Santa Catarina também estava na Revolução Farroupilha, mas isso ninguém lembra...


Vale Tudo

- Politicagem hoje..todos tentando ganhar voto em cima da revolução farroupilha!


Florentina

- por um momento a galera do brasil está com melhores assuntos "revolução farroupilha", isso sim é assunto não tiririca e familia restart


Colhendo o que plantou

- 99% do Twitter não sabe o que é Revolução Farroupilha. Se vc faz parte do 1% que sabe, parabéns, vc é culto e não lê apenas Crepúsculo.


Pérola: Vestibulanda

- Tomara que a tal da Revolução Farroupilha caia na Prova da #UERJ ou da #UFRJ , porque eu até fui procurar saber depois que entrou nos TT's.


História guetada

- Revolução Farroupilha nos TTs...? Gosh, já não chega de História na escola não?


Coisa de gaúcho

- Só os gaúchos mesmo pra colocar Revolução Farroupilha no topo dos TT's mundiais!

- parabens gaúchos! Não é qualquer um que comemora uma guerra perdida - Revolução Farroupilha


Réplica

- Pra qm fala q celebramos 1 derrota, não a celebramos, mas sim a Gloria de ter lutado por nosso orgulho de ser Gaúcho! Revolução Farroupilha


Imaginação fértil

- em uma realidade alternativa, a Revolução Farroupilha foi bem sucedida.


Samba do gaúcho doido

- em vez de ler Revolução Farroupilha nos tt's, eu li Revolução Francesa KKKKKK to estudando demais pra história, qn






PROF. DR. JOSÉ D'ENCARNAÇÃO É ELEITO ACADÊMICO DE MÉRITO DA ACADEMIA PORTUGUESA DE HISTÓRIA (APH)

Niterói, 28 de julho de 2010.

O Prof. Dr. José d'Encarnação, catedrático da Universidade de Coimbra desde 1991, foi eleito, por unanimidade, no último dia 16 de julho, como Acadêmico de Mérito da Academia Portuguesa de História, instituição sediada em Lisboa.

Deste modo, ao vasto currículo do historiador, arqueologista e epigrafista português, que inclui, dentre outras, a publicação de inúmeros trabalhos acadêmicos em Portugal e no exterior (mais de quatrocentos), a participação nas Reial Acadèmia de Bones Lletres (Barcelona) e Real Academia de la Historia (Madrid), além do título de doutor honoris causa pela Universidade de Poitiers (França), agrega-se, a partir de então, esta mais nova distinção, a de Acadêmico de Mérito da APH.

Para ler entrevista concedida pelo Prof. Dr. José d'Encarnação à Revista Tema Livre, clique aqui



IRREPARÁVEL PERDA INTELECTUAL: FALECEU HOJE NO RIO O HISTORIADOR MANOEL SALGADO

Niterói, 27 de abril de 2010

Com profundo pesar noticiamos que faleceu, na manhã de hoje (27/4), no Rio de Janeiro, em função de um câncer contra o qual lutava há alguns meses, o historiador Manoel Luiz Salgado Guimarães, professor dos departamentos de história da UFRJ e da UERJ.

Manoel Salgado, como era conhecido o historiador no meio acadêmico, era Graduado em História pela UFF (1979), Mestre em Filosofia pela PUC-Rio (1982) e Doutor em História pela Freie Universität Berlin (1987), além de possuir Pós-Doutorado pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, EHESS (2000).

Ao longo de sua trajetória profissional, a produção intelectual de Manoel Salgado foi publicada no Brasil e no exterior, como foi o caso de seu livro "Geschichtsschreibung Und Nation In Brasilien 1838-1857" (Historiografia e Nação no Brasil: 1838-1857), editado, em 1987, na Alemanha. Os trabalhos acadêmicos de Manoel Salgado ainda compuseram anais de congressos e páginas de revistas especializadas. Os textos do historiador ainda ganharam espaço em veículos de comunicação dirigidos ao grande público.

À vasta atuação do historiador agrega-se que Manoel Salgado presidiu a ANPUH (Associação Nacional de História) no período de 2007 a 2009, bem como esteve à frente da seção Rio de Janeiro da citada associação entre os anos de 2002 e 2004. Atualmente, desenvolvia os projetos de pesquisa "Memória, escrita da história e culturas políticas no mundo luso-brasileiro" e "Tradição e inovação na cultura histórica oitocentista em Portugal e no Brasil".

Manoel Salgado ainda foi responsável pela formação de vários historiadores, tendo orientado 93 trabalhos acadêmicos, estando entre eles teses de doutorado, dissertações de mestrado e monografias de graduação. Atualmente, o historiador orientava quatro trabalhos de Mestrado e seis de Doutorado, que o levaria ao número de mais de 100 orientações.

O corpo de Manoel Salgado será velado amanhã (28/4), a partir das 9h, e o sepultamento ocorrerá às 11h, no Memorial do Carmo (Caju, Rio de Janeiro).

Links para artigo e entrevista de Manoel Salgado:

Revista Topoi - UFRJ: http://www.ppghis.ifcs.ufrj.br/media/topoi5a7.pdf
Jornal O Povo - Fortaleza, CE: http://opovo.uol.com.br/conteudoextra/892766.html



SENADO APROVA A REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO DE HISTORIADOR

Niterói, 14 de março de 2010.

Na última quarta-feira foi aprovada pela CAS (Comissão de Assuntos Internos) do Senado a profissão de historiador. O projeto de lei PLS 368/09, do senador Paulo Paim (PT-RS) e que teve como relator o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), foi aprovado em decisão terminativa.

Esta aprovação não significa a proibição do exercício da atividade por aqueles que não possuem graduação ou mestrado ou doutorado em História, no entanto, garante, em concursos públicos, vagas aos indivíduos com formação na área. Vagas para o magistério estão incluídas nesta mudança, bem como estabelece-se a necessidade de participação do historiador na avaliação e seleção de documentos para preservação, na organização de informações para exposições, publicações e eventos, em serviços de pesquisa, e, ainda, a elaboração de pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre temas históricos.

Ao votar pela aprovação, Buarque destacou em seu discurso que, hoje, o campo de atuação do historiador não é mais restrito às salas de aulas, apontando, além de museus e centro culturais, a atuação do profissional em empresas do campo do turismo, da publicidade, do jornalismo, do cinema e da TV. Pela crescente importância deste ofício, o senador vê a regulamentação como meio legal de reconhecimento e valorização da profissão.

Apesar deste importante passo, isto não significa que a profissão de historiador esteja, ainda, regulamentada. O projeto continua a tramitar no Congresso Nacional. Resta, agora, acompanhar os próximos passos desta história.


Leia mais sobre a profissão do historiador na Revista Tema Livre:

- HISTORIADORES A UM PASSO DA REGULAMENTAÇÃO DE SUA PROFISSÃO (20 fev 2010)
- CONHEÇA, NA INTEGRA, O PROJETO QUE VISA REGULAMENTAR A PROFISSÃO DO HISTORIADOR
- HISTORIADOR É A 5ª MELHOR PROFISSÃO DOS EUA (01 fev 2010)
- É ESTABELECIDO O DIA NACIONAL DO HISTORIADOR (18 jan 2010)



OBITUÁRIO: FALECE GOVERNADOR DO ANTIGO ESTADO DO RIO.

Niterói, quarta-feira, 03 de março de 2010.

Foi enterrado no início da tarde de hoje no cemitério Parque da Paz, no Pacheco, São Gonçalo, Geremias de Matos Fontes, que, tendo iniciado sua trajetória política no movimento estudantil, foi prefeito de São Gonçalo (1959-1962), deputado federal (1962-1966) e penúltimo governador do antigo Estado do Rio de Janeiro (1967-1971), quando a capital deste situava-se na cidade de Niterói. Além disto, Geremias Fontes era advogado, formado pela Faculdade de Direito de Niterói (1954), e Pastor evangélico, sendo o presidente da Comunidade Cristã S8 (Com sede em Marambaia, São Gonçalo) e da Igreja Batista do Calvário (No bairro do Fonseca, Niterói).

Após seu mandato como governador, em um período em que as campanhas políticas tornavam-se cada vez mais caras e dependentes de empresários, Geremias Fontes abandonou definitivamente a vida política, para dedicar-se integralmente às suas atividades profissional, social e religiosa. Nesta época, Geremias Fontes acolheu em sua própria residência vários jovens que queriam abandonar as drogas e, dentre suas realizações, destaca-se a de ter participado, ainda na década de 1970, da criação da Comunidade Cristã S8, que ainda hoje atua, no Rio de Janeiro (Botafogo), Niterói (Icaraí e Gragoatá) e São Gonçalo (Marambaia), junto à recuperação de dependentes químicos.

Geremias Fontes vivia uma vida simples junto à sua esposa Nilda F. Fontes e, nos últimos meses, vinha sofrendo complicações do diabetes, tendo falecido na manhã do dia 02 de março, aos 79 anos. Geremias Fontes deixa viúva, oito filhos, 23 netos e dois bisnetos.





HISTORIADORES A UM PASSO DA REGULAMENTAÇÃO DE SUA PROFISSÃO

Niterói, sábado, 20 de fevereiro de 2010.

Está prestes a ser solucionada uma antiga reivindicação de muitos historiadores e da associação que os representa, a ANPUH: A regulamentação da profissão do historiador. O Projeto de Lei 368/2009, apresentado em agosto passado pelo Senador Paulo Paim (PT-RS), teve, no último dia 11, parecer favorável do relator do projeto, o Senador Cristóvam Buarque (PDT-DF). No entanto, a votação não ocorreu por falta de quórum e, conseqüentemente, houve o seu adiamento.

Neste momento, a condição para a aprovação do projeto é a questão relacionada ao quórum, pois uma vez sendo votada pela Comissão de Assuntos Sociais, presidida pela Senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN), a matéria não terá que passar por nenhuma instância do Congresso Nacional. Deste modo, caso a supracitada Comissão dê o seu parecer favorável, tornará a profissão de historiador regulamentada. Agora, é só esperar o quórum!


Você é favorável à regulamentação da profissão do historiador Para votar, clique aqui.

Placar em 20 de fevereiro de 2010:
Sim - 83%
Não - 17%


Conheça, na integra, o projeto que visa regulamentar a profissão do historiador:

"SENADO FEDERAL
PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 368, DE 2009
Regula o exercício da profissão de Historiador e dá outras providências.
O CONGRESSO NACIONAL decreta:
Art. 1º Esta Lei regulamenta a profissão de Historiador, estabelece os requisitos para o exercício da atividade profissional e determina o registro em órgão competente.
Art. 2º É livre o exercício da atividade profissional de Historiador, desde que atendidas às qualificações e exigências estabelecidas nesta Lei.
Art. 3º O exercício da profissão de Historiador, em todo o território nacional, é privativa dos:
I - portadores de diploma de curso superior em História, expedido por instituições regulares de ensino;
II - portadores de diploma de curso superior em História, expedido por instituições estrangeiras e revalidado no Brasil, de acordo com a legislação;
III - portadores de diploma de mestrado, ou doutorado, em História, expedido por instituições regulares de ensino superior, ou por instituições estrangeiras e revalidado no Brasil, de acordo com a legislação.
Art. 4º São atribuições dos Historiadores:
I - magistério da disciplina de História nos estabelecimentos de ensino fundamental, médio e superior.
II - organização de informações para publicações, exposições e eventos em empresas, museus, editoras, produtoras de vídeo e de CD-ROM, ou emissoras de Televisão, sobre temas de História;
III - planejamento, organização, implantação e direção de serviços de pesquisa histórica;
IV - assessoramento, organização, implantação e direção de serviços de documentação e informação histórica;
V - assessoramento voltado à avaliação e seleção de documentos, para fins de preservação;
VI - elaboração de pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre temas históricos.
Art. 5º Para o provimento e exercício de cargos, funções ou empregos de Historiador, é obrigatória a apresentação de diploma nos termos do art. 3º desta Lei.
Art. 6º A entidades que prestam serviços em História manterão, em seu quadro de pessoal ou em regime de contrato para prestação de serviços, Historiadores legalmente habilitados.
Art. 7º O exercício da profissão de Historiador requer prévio registro na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do local onde o profissional irá atuar.
Art. 8º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
JUSTIFICAÇÃO
O campo de atuação do historiador não tem se restringido mais à sala de aula, tradicional reduto desse profissional. Sua presença é cada vez mais requisitada não só por entidades de apoio à cultura, para desenvolver atividades e cooperar, juntamente com profissionais de outras áreas, no resgate e na preservação do nosso patrimônio histórico, mas também por estabelecimentos industriais, comerciais, de serviço e de produção artística.
No âmbito industrial, o historiador vem trabalhando na área de consultoria sobre produtos que foram lançados no passado, para análise de sua trajetória e avaliação sobre a viabilidade de seu relançamento no mercado consumidor, ou ainda, para o estudo das causas de seu sucesso ou fracasso.
Pelas suas qualificações, o historiador é imprescindível para os estabelecimentos do setor de turismo, que contratam seus serviços para desenvolver roteiros turísticos para visitação de locais com apelo histórico e cultural.
Entidades públicas e privadas recorrem ao historiador para recolherem e organizarem informações para publicação, produção de vídeo e de CD-ROM, programas em emissoras de televisão, exposições, eventos sobre temas de história.
Não menos valiosa é a sua colaboração nas artes, onde o historiador faz pesquisa de época para os produtores de teatro, cinema e televisão, quer auxiliando na elaboração de roteiros, quer dando consultoria sobre os cenários e outros elementos da produção artística.
Num mundo onde a qualidade e a excelência de bens e serviços vêm se sofisticando cada vez mais, os historiadores devem ter sua profissão regulamentada, pois seu trabalho não mais comporta amadores ou aventureiros de primeira viagem.
Assim, julgamos ter chegado o momento de regulamentarmos o exercício da profissão de historiador que hoje congrega, em todo o país, milhares de profissionais que reivindicam, há muito, o reconhecimento e valorização de seu trabalho.
Por essas razões, esperamos contar com o apoio de nossos nobres pares para a aprovação deste projeto de lei.
Sala das Sessões,
Senador PAULO PAIM
(À Comissão de Assuntos Sociais.)
Publicado no DSF, 29/08/2009.
Secretaria Especial de Editoração e Publicações do Senado Federal - Brasília-DF
OS: 15781/2009"

Documentado extraído de: http://www.anpuh.org/





HISTORIADOR É A 5ª MELHOR PROFISSÃO DOS EUA

Niterói, segunda-feira, 01 de fevereiro de 2010.

De acordo com pesquisa realizada pelo sítio CareerCast.com e publicada no The Wall Street Journal (http://online.wsj.com/public/resources/documents/st_BESTJOBS2010_20100105.html) no último dia 05, o exercício profissional do historiador foi definido como a 5ª melhor profissão nos EUA no ano de 2009. A metodologia da pesquisa teve como critérios renda, demandas físicas, estresse, ambiente do trabalho e empregabilidade. (Para maiores detalhes acerca da metodologia, acessar: http://www.careercast.com/jobs/content/jobs-rated-methodology-2010)

Na lista, na frente dos historiadores estão, em primeiro lugar, os atuários, em segundo, os engenheiros de software, em terceiro, analista de sistema de computadores e, por fim, em quarto lugar, os biólogos.

A pesquisa ainda aponta que o salário inicial de um historiador está em 34.000 dólares anuais, cifras aproximadas a de outros profissionais, como filósofos (33.000), antropólogos (32.000), arqueólogos (também com 32.000), nutricionistas (31.000) e contadores (37.000). O valor mais alto que um historiador pode receber anualmente está em 111.000 doláres, próximo, portanto, de estatístico (117.000), químico (113.000), contador (102.000), e engenheiros civil (116.000), mecânico (115.000) e industrial (107.000).

Para acessar a lista completa das duzentas profissões analisadas, acesse: http://online.wsj.com/public/resources/documents/st_BESTJOBS2010_20100105.html





DIA NACIONAL DO HISTORIADOR

Niterói, segunda-feira, 18 de janeiro de 2010.

A partir deste ano, os historiadores passarão a ter o seu próprio dia: A homenagem recaiu sobre 19 de agosto, data que remete ao natalício do intelectual pernambucano Joaquim Nabuco (nascido no ano de 1849), que exerceu uma série de atividades, como, por exemplo, a de diplomata, político e historiador. Além disto, Nabuco foi grande opositor à escravidão e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras (ABL). A seguir, a publicação da lei no Diário Oficial da União (http://www.jusbrasil.com.br/diarios/1564077/dou-secao-1-18-12-2009-pg-1):

"LEI N 12.130, DE 17 DE DEZEMBRO DE 2009
Institui o Dia Nacional do Historiador, a ser celebrado anualmente no dia 19 de agosto.
O VICE-PRESIDENTE DA REPUBLICA , no exercicio do cargo de PRESIDENTE DA REPUBLICA
Faco saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1 E instituido o Dia Nacional do Historiador, a ser celebrado anualmente no dia 19 de agosto.
Art. 2 Esta Lei entra em vigor na data de sua publicacao.
Brasilia, 17 de dezembro de 2009; 188 da Independencia e 121 da Republica.
JOSE ALENCAR GOMES DA SILVA
Joao Luiz Silva Ferreira"



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